• 24 set 2009
  • Postado por Tiago

deolho24-lula

Presidente Lula discursa na abertura do debate geral da LXIV Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, EUA, ontem

A batata quente do Lula

Trago para cá esta nota, que li no blog da Miriam Leitão, por uma razão muito simples: diz tudo. E olha que ela era daqueles que chamavam o governo interino de ?golpista?.

?A ambiguidade da situação de Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, na Embaixada brasileira está complicado a situação. Ele deveria ter entrado e pedido asilo. O Brasil teria que conceder asilo, é lei internacional. Mas ninguém está usando a palavra asilo. Estão falando que ele está abrigado lá.

O asilo exige que a pessoa não tenha nenhuma atividade política. Usar a palavra ?abrigo? está permitindo a Zelaya usar a Embaixada brasileira como centro político.

Os acordos de São José estão funcionando, tanto que terá eleições, que estão marcadas para final de novembro. Ele cria esse impasse político agora porque é a última chance dele. Depois das eleições, ele não tem mais poder nenhum.?

te entrega, zelaya!

Segundo informou a Folha Online, o jornal americano ?The Wall Street Journal? defendeu nesta quarta-feira que ?a melhor maneira de evitar que ocorra uma situação de violência em Honduras é os Estados Unidos pedirem ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que está na embaixada brasileira de Tegucigalpa depois de voltar a seu país, que se entregue às autoridades?.

Para o ?Wall Street Journal?, em editorial com o título ?A confusão hondurenha?, ?se o governo americano não sabia que Zelaya voltaria a Honduras esta semana, deveria ficar ?decepcionado? e deixar de apoiar o presidente deposto?.

?Zelaya utiliza esse santuário diplomático para pedir que o restitua no poder e para agitar seus partidários nas ruas. É um momento perigoso e, se a violência começar, os Estados Unidos deveriam ter parte não pequena da culpa?, afirma o jornal.

É ou não é uma batata quente?

E POR FALAR EM HONDURAS

Vou explicar o que penso do caso. Vamos imaginar se acontecesse conosco. Um presidente qualquer (Collor?), foi desautorizado pelo STF, destituído pelo Congresso, tudo conforme os códigos vigentes. Mas se recusou a aceitar as decisões. Quem tinha responsabilidade, mandou o exército fazer, manu militari, o que não foi obtido pelas instâncias civis.

Quando a gente impichou o Collor, é claro que os colloridos acharam que foi um golpe. Os demais, acharam que se cumpriu a Constituição e que a democracia deu mostras de vitalidade. Pois bem, apeado do poder, o presidente reaparece, na embaixada, digamos, dos Estados Unidos em Brasília. E de lá, com um grupo de fãs, começa a fazer provocações e bravatas. Não seria uma situação esdrúxula?

Por que o Brasil se meteu dessa forma no problema hondurenho? Seilhá. Burrice, talvez. Esperteza demais (que, no final das contas, dá no mesmo), quem sabe. O governo ?de facto? não é, segundo se comenta, flor que se cheire. E o Zelaya, igualmente, também não é lá essas coisas. Tomar posição, aqui de fora, é temeridade. Seria mais ou menos como se estrangeiros resolvessem nos dizer que Dilma é melhor que Ciro. Ou que Marina é melhor que Serra. Ou que Sarney é melhor que Jader Barbalho. E ficassem tomando posições em defesa deste ou daquele e pressionando-nos a aceitar suas decisões, ditadas de fora, sobre nosso umbigo.

O governo brasileiro, a gente sabe, não está ao lado do povo hondurenho, está apenas ao lado do Zelaya. Um amigão, da turma, que enfrenta dificuldades domésticas.

Lembram do ?yankee go home?? Tá na hora do ?brasileiros, vão pra casa!? em Honduras.

Nei? Que Nei? Metrópole? Que Metrópole?

Nei Silva anuncia que hoje, às 16h, na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, estão previstas as audiências onde serão ouvidos, entre outros, o Derly Massaud Anunciação (o caladíssimo Secretário de Comunicação) e Ivo Carminatti (que deu corda para o Nei e agora está na SC Parcerias). No processo em que o Nei é acusado, pelo governo, de extorsão.

Como se trata de um longuíssimo processo, com poderosos interesses torcendo para que ande a passos de cágado, temo que ainda teremos que conviver muito tempo com esse pinga-pinga de audiências. Algumas acontecem, sem novidades. Outras são adiadas. E o processo, tal e qual moribundo, arrastando-se pelos escaninhos dos tribunais, vai ganhando páginas e LHS, com isso, ganhando tempo.

Já ninguém mais fala no livro censurado (e daqui a pouco apenas restarão alguns registros, utilizados em aulas nos cursos de Direito, para exemplificar a censura prévia). E se duvidar ninguém mais lembra da revista Metrópole e do Nei Silva. O que mostra o acerto da estratégia de empurrar com a barriga.

Depois que terminar o mandato do LHS, dependendo de quem for o novo governador (ou governadora), talvez a coisa ande um pouco mais rápido. E acabe, muito provavelmente, com a absolvição do Nei da peculiar acusação de extorsão. E o arquivamento das investigações dos indícios de crime apontados no livro. Que, finalmente liberado, mofará nas prateleiras por absoluto desinteresse dos eleitores/contribuintes pela forma como os negócios políticos eram alegadamente feitos no início do século XXI.

A turma rouba porque falta fiscalização

A Aline Graziela, uma leitora, desencavou, no site Jus Navigandi (jus.uol.com.br) um longo artigo do Manuel Luiz Camilo de Morais Antunes, sob o título ?Controle interno no Brasil. Dificuldades de padronização.?

Das cinco páginas do artigo a Aline mandou o seguinte trecho:

?Somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um jornalista ou alguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria. As nações com menor índice de corrupção são as que têm o maior numero de auditores e fiscais formados e treinados. A Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes. Nos países efetivamente auditados, a corrupção é detectada no nascedouro ou quando ainda é pequena. O Brasil, país com um dos mais elevados índices de corrupção, segundo o World Economic Fórum, tem somente oito auditores por 100.000 habitantes, 12.800 auditores no total, Se quisermos os mesmos níveis de lisura da Dinamarca e da Holanda, precisaremos formar e treinar 160.000 auditores.

O autor conclui que ?não serão CPI?s nem códigos de ética que resolverão o problema da corrupção. O Brasil não é um país corrupto. É apenas pouco auditado?.?

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