• 07 out 2009
  • Postado por Tiago

A farra dos fundilhos…

Tenho a impressão que os historiadores que se debruçarem sobre nossa época, em Santa Catarina, tomarão muitas notas sobre essa ferramenta espetacular que a dupla LHS/Knaesel tem usado à saciedade: os fundilhos sem fundo, de onde jorra dinheiro a mais não poder.

O Tribunal de Contas do Estado (esse mesmo que vocês às vezes criticam como se estivesse fazendo vistas grossas) já anotou em seus caderninhos algumas dezenas de observações nada abonadoras sobre a forma como os fundos de cultura, esporte e turismo são geridos. E espantaram-se com as falhas nas prestações de contas dos projetos.

Agora mesmo, no Diário Oficial do Estado, lê-se que estão sendo realizadas tomadas de conta especiais em projetos beneficiados com recursos dos fundilhos. “Tomada de contas especial” é quando há indícios de irregularidades. Aí as contas passam a ser olhadas com lupa. Dá um incômodo danado e não raras vezes termina com a devolução do dinheiro (claro, a turma esperneia, entra com recursos, demora um tempão, mas acaba tendo que repor).

Estão em “tomada de contas” algumas coisas menores, como projetos da Criacom Publicidade e Propaganda (“apenas” R$ 400 mil do Funturismo) e da escola musical Bicho Grilo, de Jaraguá do Sul (apenas R$ 46 mil do Funcultural) e até coisa maiorzinha, como um velho conhecido nosso, o Icades, do projeto Arena Jurerê, ou Espaço Jurerê (com substanciosos R$ 1,2 milhão do Fundesporte).

Marcondes sai atirando

E, para coroar o elenco de dados que farão a alegria dos historiadores, o presidente do Conselho Estadual de Turismo, Fernando Marcondes de Matos, saiu atirando. Pediu demissão e botou a boca no trombone, contra o método Knaesel de passar por cima do Conselho.

Fiquei agradavelmente surpreso: agora já não estou sozinho na crítica ao estilão LHS/Knaesel de distribuir dinheiro. Pensei até em oferecer um jantar de desagravo ao Marcondes (meus pais eram amigos dos pais dele, quando morávamos em Tubarão). Mas é capaz dele ficar constrangido de aceitar meu convite, porque, afinal, assim como critiquei a dupla dinâmica, também não o tenho poupado.

Bom, mas rapapés à parte, o fundamental é que as situações estranhas que a gente tinha notado, olhando de fora, são mesmo o que parecem: minúsculas pontinhas de gigantescos icebergs. Marcondes esteve lá, no fundo (sim, sim com duplo sentido) e parece que não gostou do que viu. E olha que para o Marcondes, que é um cidadão do mundo, acostumado aos jogos nem sempre fáceis do poder, estranhar, se estranhar e pedir o boné, é porque a coisa tá feia.

Quem deve estar dando pulinhos de satisfação é o Pavan, que vai assumir o governo com a presidência do conselho de Turismo vaga. E, naturalmente, o Knaesel, que se sobreviver a toda essa marolinha vai continuar a nadar de braçada no mar de dinheiro dos fundilhos, com um chato a menos pra incomodar. Ô vida boa…

política E amadores

Desde a época do senado romano que se sabe que não é qualquer um que aguenta exercer função política. Na hora do bem bom, todo mundo se apresenta pra ser secretário disso, secretário daquilo, sem levar em conta que um cargo político exige alguns predicados especiais. Dentre os quais, uma compreensão correta do que seja a política.

Durante a ditadura, fez-se a apologia dos “técnicos”. Era a maravilha das maravilhas, ter um governador “técnico”, um secretário “técnico”. Significava que, tendo o conceito dos políticos atingido um nível baixíssimo, apresentava-se um “técnico”, supostamente feito de outro material, provavelmente não sujeito a mergulhar nas águas turvas da corrupção.

Pura balela. O tempo mostrou que quando um “técnico” pega gosto pelos desvios, usa sua “técnica” com esmero, deixando os políticos no chinelo. E ainda, como é “técnico”, não se sente obrigado a ter sua vida e seus atos escrutinados pela plebe ou pelos tribunais.

Pois bem, vejo que continuam a indicar, para cargos públicos, personalidades de perfil “técnico” que não têm traquejo político. O caso das ameaças feitas pelo Secretário Municipal de Saúde de Florianópolis, João José Cândido da Silva, a quem o interpelou em pleno Conselho de Saúde, seria até engraçado, se não fosse trágico.

Para que serve um Conselho, desde os tempos imemoriais em que essas instâncias foram criadas, senão para que se discuta, troque idéias, discuta mais ainda, chegue quase às vias de fato, troque insultos e outras coisitas tão próprias da democracia? Um Conselho é um tipo de parlamento. Fala-se muito nessas reuniões.

E manda a boa prática política que os conflitos que ali surgem sejam resolvidos politicamente. Porque é, antes de tudo, uma instância política. Mas o secretário, certamente assustado com o nível ou o volume de alguma coisa que foi dita no Conselho, resolveu enveredar pelo pior dos caminhos: interpelou por escrito duas das participantes da discussão, afirmando que “pode ter havido violento ataque à honra dos dirigentes da Secretaria Municipal de Saúde, caracterizando-se, assim, crime de calúnia (art. 139, do Código Penal Brasileiro)”.

E qual foi a calúnia? Ora, certamente alguma coisa dita no calor das discussões. Xingamentos que, se fossem conduzidos com tato político, ficariam restritos à sala da reunião. Mas, como foram conduzidos com falta de tato, vão render bastante. As vítimas da interpelação vão posar exatamente como vítimas. E o ofendido secretário, só porque não encontrou uma saída política para o caso, será apresentado como o algoz do diálogo. É assim, a política. Por isso se costuma dizer que não é para amadores.

É CHATO SER FAMOSO…

A revista InfoExame de outubro publica a notinha ao lado, onde mistura alhos com bugalhos, sem ter muita noção do que está dizendo. Coloca o Diarinho na liderança dos “tablóides mais sangrentos do Brasil”.

Ser líder é coisa a que o DIARINHO está acostumado. Ser famoso também. Só que a fama tem dessas coisas. Corre-se o risco de entrar indevidamente numa listinha dessas.

Vejam se não tenho razão pra achar esquisito: cada edição do jornal tem, em média, três páginas de notícias de polícia e pelo menos umas 12 de outros assuntos (geral, variedades, voz do povo, esportes, etc). Também não apela para o sexo nem publica, na capa, fotos de mulheres nuas ou quase.

Ah, ali fala que o jornal, que está completando 30 anos, é da “nova geração”. Sinal que está bem conservado. Apesar de tudo, o fato é que o jornal continua sendo lembrado (e admirado) nacionalmente.

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