• 10 out 2009
  • Postado por Tiago

Temos três governadores…

LHS e Pavan colocaram o pé na estrada e deixam, pra cuidar da casa, Jorginho Mello, ex-bancário, político de interior a vida inteira, daqueles que gosta de fazer amigos em todos os municípios, prometendo (e cumprindo, como gosta de dizer) uma coisinha aqui, outra ali. Ajudando um prefeito em apuros acolá, intercedendo por outro mais adiante.

Pois agora o Jorginho terá que usar toda a sua experiência no BESC e no parlamento para empurrar com a barriga os pepinos que seus “amigos” LHS e Pavan deixaram. Claro que ele não vai resolver muita coisa. Nem tem como, afinal, são só dez dias. Não tem o que fazer a não ser acalmar os ânimos e colocar os principais problemas em compasso de espera, pra poder fazer aquilo que ele pretende fazer enquanto governador: visitar muitos lugares do estado para agradecer a votação que teve, cumprimentar os aliados, abraçar os cabos eleitorais. E fazer, quando possível, uma ou outra bondade.

Os profissionais da segurança pública, a população, os profissionais da saúde, os eleitores, os profissionais da educação, os contribuintes, todos entram a partir de hoje em férias coletivas. Viveremos quase duas semanas em que Santa Catarina passará novamente por esse fenômeno mágico de ter três governadores e, de fato, nenhum. Já vivemos isso em outras ocasiões, sabemos bem como é.

Isso do governador “passar o cargo” ao viajar é bobagem, besteira. Não só porque hoje em dia se pode viajar o mundo todo sem perder o contato instantâneo com o estado, mas principalmente porque o governador que está “de licença” na verdade não age como tal. Continua agindo como se governador fosse.

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LHS, na Rússia, na França, no escambau, fará tratativas como governador, será recebido como governador e, se necessário, assinará papéis oficiais como governador. Acertará compra de pianos como governador, contratará cantores de sua preferência como governador e convidará escolas de dança a instalarem filiais no estado como governador. Teremos, portanto, um primeiro governador em viagem pela Europa e Ásia.

2

Pavan, que se prepara para assumir o governo por vários meses, viaja também como autoridade estadual. E com uma comitiva numerosa (leia mais sobre isso na próxima nota). Talvez se apresente como vice-governador, mas representa o estado como se governador fosse. É, por assim dizer, governador eleito, candidato não só ao exercício do mandato, como a uma aposentadoria-relâmpago muito interessante. De certa forma, podemos dizer que temos um segundo governador, em viagem pelas Américas.

3

Jorginho, o que ficou com a bomba no colo, deveria ser o único governador do estado. Mas, como em outras ocasiões, é apenas mais um governador interino, com uma minúscula caneta pequena com algumas gotas de tinta. Temos, em todo caso, um terceiro governador no helicóptero, no avião, no carro oficial e no gabinete do Centro Administrativo.

Fizeram as contas? Santa Catarina tem, nesse período, três governadores. A eles pagamos salários, diárias e outros benefícios, mas não podemos, porque não tem como, levar-lhes os problemas mais sérios. Porque, como parece evidente, justamente quando temos três (ou quatro governadores, como já aconteceu), é quando não temos ninguém olhando por nós pra valer. LHS não pode decidir problemas salariais porque está em missão oficial no exterior. Pavan não pode se meter, porque está em missão oficial no exterior. E o Jorginho não tem como resolver, porque é interino, está ali quase que só como peça decorativa. Para poder inserir, no currículo, que foi “governador interino de Santa Catarina”.

Portanto, senhores e senhoras, se tiverem algum problema, por favor dirijam-se à mitra arquidiciocesana e levem vossas reclamações ao bispo. E boa sorte.

A ampla viagem apoteótica do governo LHS vai retirar, de Santa Catarina, não só algumas autoridades que o populacho pode achar que sejam descartáveis, mas também algumas que, diante da crise quase crônica da segurança pública, melhor fariam se ficassem para segurar o rojão.

Segundo se lê no site da Adjori (os novos porta-vozes governamentais de sempre), a comitiva que o vice Pavan vai levar a Orlando (na Flórida, onde, por coincidência, estão alguns dos grandes parques temáticos que concorrem com o do Beto Carrero) para conhecer o que é feito na área de segurança daquela cidade norte-americana, terá a presença ilustre dos seguintes militares, policiais e agregados:

“Subcomandante geral da Polícia Militar, coronel Luiz da Silva Maciel, coronel PM Marlon Jorge Teza, delegado chefe da Polícia Civil do Estado, Mauricio Eskudlark, e delegado Renato Hendges, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais. Farão parte ainda deste grupo o presidente do Tribunal de Contas de Santa Catarina, José Carlos Pacheco, o desembargador Francisco Rodrigues de Oliveira Filho, o advogado Erivaldo Caetano, representante da OAB/SC e os deputados José Natal e Kennedy Nunes”.

Somem, por favor, esta comitiva à comitiva do LHS e calculem, se tiverem interesse, quanto custará para os nossos carcomidos bolsos, financiar o agradinho ao presidente da Assembléia. Gastaremos uma pequena fortuna apenas para que o deputado Jorginho possa ocupar a cadeira de governador.

E o momento não poderia ser mais adequado para o afastamento da cúpula da segurança pública. Mostra que nossos dirigentes têm mesmo um apurado senso de oportunidade. Ainda bem que o deputado Kennedy Alencar (PP), está juntinho com o governo (de novo!), para dar o aval da oposição a toda essa operação logística.

Ah, ontem se decidiu criar uma comissão pra “resolver o problema da segurança”. Terá 15 dias pra sugerir alguma saída. Pronto, a turma pode viajar em paz.

FOTO: MUI AMIGOS – LHS e Pavan picam a mula com suas grandes comitivas e deixam o coitado do Jorginho com um monte de pepino que ele não terá como resolver em dez dias…

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