• 14 out 2009
  • Postado por Tiago

LOS TRES AMIGOS

Quando eu falo aqui sobre os três governadores que SC tem neste momento, pode ter gente que acredite que eu esteja exagerando. Mas é só dar uma olhada no site de notícias do governo do estado (webimprensa.sc.gov.br), para ver que tenho razão.

Estão lá, lado a lado, juntinhas e de mãos dadas, notinhas sobre LHS, sobre Pavan e sobre Jorginho. Cada qual tentando mostrar-se mais útil que o outro. Os três exercendo o elevado papel de governadores em exercício. Um em cada canto do mundo.

A gente, como sempre, paga a conta, mas eles gostam de dizer que os investimentos resultantes desses passeios cobrem, com folga, o que gastaram. E que as despesinhas das comitivas são coisa pouca, perto dos benefícios que as viagens sempre trazem… pra quem viaja.

OS VÔOS DO LHS

O governador 1, LHS, quer porque quer que uma grande empresa de vôos fretados da Rússia, faça vôos para Santa Catarina. Que maravilha. De fato, os aeroportos muito bem instalados e dimensionados que o estado têm, precisam mesmo que se aumente o número de vôos.

Isso de achar que precisa ter um bom aeroporto para que os turistas desembarquem alegres e contentes, é coisa de gente atrasada, só pra desmerecer os esforços do LHS.

O pessoal que tem penado, em Santa Catarina, para tocar uma indústria calçadista, deve ter a-do-ra-do a novidade: LHS quer instalar aqui uma filial de uma fábrica russa de sapatilhas e outros apetrechos de dança. Por que estimular a indústria local, né? Afinal, se tem uma coisa que todo novo rico tolo valoriza, é uma grife estrangeira…

VISITA TEMÁTICA

A escolha da cidade de Orlando, na Flórida, para o passeio da turma da segurança pública com o governador 2, Leonel Pavan e alguns agregados (como o presidente do TCE), foi bem apropriada. Trata-se de uma visita temática: verão demonstrações de manobras policiais, conhecerão novos produtos, irão a locais interessantes, tal e qual o que se faz nos grandes parques de diversão temáticos que existem naquela região. Depois, Pavan ainda dpa uma passadinha em Nova Iorque, escala obrigatória nesta época pré-natalina (os preços estão fantásticos, com o dólar baixo).

SAI DE BAIXO!

O governador 3, Jorginho Mello, ficou meio sem apoio. Também, com tanta gente viajando, era normal que se sentisse em queda livre. Faltou-lhe o chão, no final de semana, e acabou trincando um osso.

Diz ele que se agarrou com todas as forças no manto de Nossa Senhora (sua santa de devoção) e que se não fosse por ela, teria sido pior.

Hum… que sinal terá Nossa Senhora pretendido dar ao Jorginho? Vai ver foi um recado simples: “não há santo que segure palanque malfeito”. Ou então uma coisa mais filosófica: “não vá com tanta sede ao pote, meu filho”.

TIO CESAR APRESENTA MAIS UMA INÚTIL PENSATA PSEUDO FILOSÓFICA DE AUTO-AJUDA

Quem fica parado é poste

A gente começa a mudar no exato momento da concepção e nunca mais para. Todos aqueles que tentaram frear a metamorfose vital, transformaram-se em caricaturas, múmias pretensamente vivas, arremedo do que temos de mais humano.

Mudar é natural, normal. Gosto de pensar que ao longo de 34 anos de casamento, convivi com dezenas de Lúcias e ela com dezenas (talvez mais) de Césares. Ainda que alguns princípios, em torno dos quais se forjou o nosso caráter, permaneçam imutáveis (como uma espécie de norte magnético), somos mesmo metamorfoses ambulantes. E haja paciência, habilidade, coragem e vontade permanente de reaprender, para reconquistar, de tempos em tempos, aquela nova mulher que emerge dos gestos, da fala, do pensamento, daquela outra mulher, que parecíamos conhecer tão bem.

Mesmo assim, muita gente tem medo de mudanças. Desde mudanças propriamente ditas (empacotar, sair, desocupar, viajar, desempacotar, arrumar, habituar-se com o novo lar) até aquelas mais sutis, quase imperceptíveis a olho nu. Sonham, os medrosos, com o dia em que estacionem num cantinho confortável e de lá não saiam. E imaginam que tudo ao redor fique igual. Paralisado. Congelado. Ora, nem a morte é assim. Quando o coração cessa de bater, tem início uma atividade frenética de organismos de todos os tipos, que em pouco tempo nos deixarão com outra aparência. Nem na morte há esse sonho criogênico de paralisia no tempo e no espaço.

Outra lenda que, aos poucos, vejo que não tem fundamento, é aquele que dizia que, ao ficarmos mais velhos, a velocidade das mudanças reduziria. Ou pelo menos o ímpeto com que nos atiraríamos a elas. Bobagem. As rugas nos dão um sentido de urgência ainda maior. Os problemas próprios do cansaço dessa máquina que tem funcionado dia e noite por quase 60 anos, nos alertam para a necessidade de acelerar o passo. Ver mais coisas, viver mais intensamente, entender ainda melhor o que nos rodeia. É preciso livrar-se do peso (das malas) que a vida foi acumulando no nosso sótão, para poder caminhar mais leve.

Aquele sonho de ter apenas o necessário para manter-se vivo e em movimento, torna-se mais vívido. Que bom se tudo pudesse ser colocado em uma mala não muito grande e se, em poucos minutos, estivéssemos prontos para um novo passeio. Uma viagem. Uma aventura. Uma experiência. Ou apenas um fim de tarde tranquilo, jogando conversa fora.

Sofremos, contudo, com as pressões da nossa (in)cultura e durante boa parte da vida acumulamos coisas, cacarecos, bens, desafetos, mágoas, lembranças e compromissos, que podem ser representados por uma enorme e pesadíssima âncora ou uma lúgubre e invencível raiz, que nos mantém presos, mais do que a um lugar, ao passado. E amarrados dessa forma, acabamos acelerando o processo da mudança mais nociva, aquela que nos transforma em pó. E perdemos a oportunidade de usufruir, da vida, o que ela tem de melhor, que é a própria vida e todas as suas instabilidades. E deste pequeno planeta ameaçado, o que ele tem de melhor, que é a sua diversidade e os pequenos tesouros que se encontra ao longo da caminhada.

  •  

Deixe uma Resposta