• 17 out 2009
  • Postado por Tiago

Saneamento e estupidez

O saneamento básico sempre esteve ligado à estupidez humana. De maneira geral, onde não tem, é porque os administradores públicos são estúpidos. Onde tem, é porque o nível de estupidez está diminuindo.

Durante muito tempo os políticos usaram aquele velho chavão de que não se faz saneamento básico porque “obra enterrada não rende voto”. E os estúpidos, de fato, acreditam que como um viaduto aparece bastante e, ainda mais, está bem acima do chão, rende mais prestígio e votos.

Pois, pelo que ouço e leio dos leitores de várias regiões do estado, os estúpidos começam a se modernizar: estão fazendo a tal obra enterrada, colocando os canos para as redes de esgoto. Mas, como continuam estúpidos, deixam o pavimento, acima dos canos, que é uma m… só. Decerto para que a população fique sabendo da obra e preste atenção, no favor que eles estão fazendo pra quem lhes paga os salários.

Não tem uma instalação de rede de esgoto que, depois de pronta (claro que a gente entende que durante a execução da obra tem que ter buraco. Afinal, não somos estúpidos) – vejam bem, depois de pronta! – não seja claramente visível daqui de cima: são buracos de vários tamanhos, irregularidades de todo tipo, desníveis maiores ou menores. À medida em que a obra vai andando, os estúpidos vão deixando sua marca. Clara. Inconfundível. E, em muitos casos, permanente.

E não é de duvidar se algum estúpido ainda vier com um papo estúpido do tipo “ué? não queriam porque queriam saneamento, reclamaram que não se fazia esgoto? Taí estamos fazendo esgoto e agora vão reclamar da buraqueira, queriam por acaso que se enterrasse os canos sem mexer no calçamento?”

Não tem jeito. A estupidez humana não tem limites mesmo. Resta saber se a rede, feita com tanto “capricho” vai funcionar ou será como a rede de água de algumas regiões, que vive estourando e vazando.

Urgência na Fenaostra

Vocês estão cansados de saber que existem poucas exceções que permitem que a lei das licitações seja deixada de lado. Quando um administrador público quer comprar algum bem ou serviço, tem que perguntar, na praça, quem pode fornecer. O dinheiro público não pode ser usado para comprar dos amigos dos amigos, dos conhecidos, dos queridinhos do tio.

Claro que muito administrador se rebela contra isso. Diz que fica engessado, que assim não dá, que atrasa a obra, que atrapalha o progresso. Ninguém gosta de controle, de ter que se programar, de planejar. Poucos aceitam o fato predominante: dinheiro público é mesmo coisa complicada, precisa ser tratado com todo cuidado.

Mas, quando ocorre uma calamidade, existe algum perigo iminente, é possível comprar bens e serviços excepcionalmente sem concorrência. Por isso os administradores adoram uma desgraça, porque podem sair gastando sem tanta burocracia.

Pois na Fenaostra (by Gui Pereira), que abriu ontem à noite, deve ter ocorrido um desastre de grandes proporções. Porque, segundo se lê no Diário Oficial do Estado do último dia 14, foi dispensada a licitação para o aluguel de tendas e coberturas para os camarotes. Gastaram, nisso, R$ 150 mil (“é coisa pouca”, poderá dizer alguém). A justificativa, portanto, está adequada: havia urgência e emergência de alugar, sem dar chance a que outros interessados entrassem na disputa, bens imprescindíveis para atender a emergência com grande urgência.

O famoso “quem?”

O Alexandre Gonçalves chama a atenção, nos comentários, para o esquisitíssimo site da Fenaostra, onde o famoso suplente de vereador Gui Pereira (DEM) convida para a festa. “Guilherme Pereira chama para Fenaostra”, diz o título do vídeo que está lá, na capa do site. Grandes m…! digo eu.

O troço deixou de ser uma festa da prefeitura, do governo ou do povo maricultor de Florianópolis, pra ser promoção pré-eleitoral do mané de plantão? Que coisa…

Por falar nele, quando desistiu de assumir uma vaguinha temporária na Câmara pra ficar cuidando da Fenaostra, o pessoal da língua ferina levantou uns aleivos. Agora, com essa história de dispensar licitação pra alugar barracas, decerto vão voltar a falar bem… mal.

Dário vai privatizar a Zona

Mágico, o prefeito viajandão deu entrada na quinta-feira, na Câmara de Vereadores, como se aqui estivesse, em cinco propostas. Todas para serem analisadas “em regime de urgência”, claro. O regime de urgência e a dispensa de licitação são os dois xodós dos administradores públicos.

Pois bem, uma das propostas pede autorização para transferir à iniciativa privada, a administração dos espaços públicos de estacionamento, a tal “Zona Azul”. O prefeito, como em outras ocasiões, acha muito complicado conviver com as limitações legais impostas ao administrador da coisa pública e afirma que na privada tudo vai melhor. Decreta, Sua Excelência, a falência do poder público como administrador. Ou, como parece ser mais adequado, desiste, Sua Excelência dessa árdua tarefa. De fato, lidar com responsabilidade com o dinheiro público, dá trabalho. Melhor passar o pepino adiante.

Ah, no título eu poderia dizer que “Dário quer privatizar a Zona Azul”, em respeito aos vereadores, que, afinal, ainda precisam se manifestar e aprovar ou rejeitar. Mas, pelo que se viu até agora dessa legislatura, tudo o que seu mestre mandar será cumprido. E rápido. Ou alguém aí quer apostar uma cerveja nacional (de 350 ml) contra a aprovação desta (e de todas as outras) propostas?

E o PREFEITO, ONDE ANDA?

Assim é fácil: o prefeito larga a bomba no colo dos vereadores enquanto está na Rússia, passeando. E aí a turma, louca de medo de perder o emprego, vai pra rua, tentar o impossível: fazer com que a maioria dos vereadores ouça outra voz que não a do Prefeito. E a Guarda Municipal, sempre presente onde não precisa, tava lá. Como eles nunca estão nos engarrafamentos e outros rolos de trânsito, precisam arranjar o que fazer, pra também não correrem o risco de, a qualquer momento, serem substituídos por uma guarda particular (putz, e olha que de segurança privada o Prefeito entende, hem?). As fotinhos abaixo foram tiradas hoje, nas proximidades da Câmara de Vereadores.

Ontem, depois dessa reunião aí das fotos, os azulzinhos, seguidos pelos smurfs, foram fazer um apitaço pelo centro da cidade.

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