• 29 out 2009
  • Postado por Tiago

A falta que o bom senso faz…

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A FOTO DO FATO ? A foto acima (colhida no site da prefeitura exatamente como está, meio espremida, com pouca resolução e sem crédito para o fotógrafo), mostra o exato momento em que o prefeito dá a entrevista para a rádio CBN Diário a que me refiro no texto e gesticula para explicar alguma coisa. Fazer gestos, no rádio, é coisa que ajuda bastante…

Uns poderão dizer que não é o bom senso que anda escasso, que o que falta é educação, respeito, consideração. Mas hoje é quarta-feira, estou bem-humorado, esperando o sorteio da mega-sena e não pretendo ofender ninguém. Continuarei dizendo que o que está em falta é apenas o bom senso.

Já esclareço melhor esta história. A Marli Henicka, jornalista e artista gráfica, mandou um comentário/pergunta que sintetiza bem o caso e serve de introdução para o que eu gostaria de dizer:

?O pessoal que coordena os serviços de recuperação do asfalto da SC 401 (no norte da ilha) não poderia, tipo assim, começar os trabalhos um pouco mais tarde tipo umas oito e meia por exemplo? Aí, todo mundo que tem que ir trabalhar, pra escola, pro médico, ou simplesmente passear no calçadão da Felipe, sai cedo de casa, passa pela obra, dá um bom dia feliz pros trabalhadores, NÃO PRECISA FICAR UMA HORA PARADO e ninguém se estressa? que tal??

Esse tipo de atenção, de cuidado, com o bem estar do eleitor/contribuinte é algo que não se vê na administração municipal. Tem Guarda Municipal, Ipuf, Igeof, Sec disto, Sec daquilo, diretores, gerentes e milhares de aspones, mas nem um só parece preocupado em encontrar pequenas e baratas soluções para amenizar os problemas. Como esta sugestão da Marli: por que começar às sete e meia a bloquear o trânsito? Por que não começar um pouquinho mais tarde e avisar adequadamente à população? Quem tivesse compromisso, sairia um pouco mais cedo e pronto.

?Ah, mas a empreiteira tem horário pra trabalhar, não vai ficar pagando operário á toa?, deve ser a explicação burocrática e insensível da prefeitura. Ou coisa parecida. A população, o usuário, o eleitor, o contribuinte, são deixados em último lugar, na hora de organizar o trabalho, a agenda e as preocupações. Falta-lhes, às ?autoridades?, justamente o bom senso.

Em algumas ocasiões, parece que não há apenas escassez de bom senso: há falta de qualquer tipo de senso. Porque nada faz sentido. Assim como não faz sentido essa chorumela do homem das empreiteiras, de que não dá pra fazer nada à noite por causa da ?umidade relativa do ar?. Há alguns meses um outro defensor das empreiteiras, em nível municipal, dizia que não dava pra fazer nada à noite porque os moradores da beira-mar norte iriam reclamar do barulho (como se a prefeitura tivesse qualquer tipo de consideração ou respeito pelos moradores dali: autoriza, a todo momento, shows e bagunças diversas, com milhões de decibéis acima do barulho de uma máquina de asfaltamento). São explicações que não fazem o menor sentido. Não há, aí, nem mau senso, nem bom senso.

Ouvi o prefeito Dário falar no rádio, ontem de manhã, com aquele seu vocabulário característico de quem matou as aulas de português no ginásio e está com a leitura atrasada (a leitura atenta de uma meia dúzia de obras básicas, vocês sabem, ajuda bastante na fluência verbal e enriquece o vocabulário). Diz sua Excelência coisas que carecem de bom senso, quando se refere à palavra da moda, ?mobilidade urbana?. Assume uma posição defensiva que parece desproporcional: não vejo tanta gente reclamar, nem são tantos os que criticam publicamente o que a prefeitura faz ou deixa de fazer. Mas ele sempre começa a falar como se tivesse que justificar-se diante de algum tribunal e não como quem, com a autoridade que possui, usasse a oportunidade explicar, informar e convencer o contribuinte-eleitor do acerto de suas metas e da correção de suas atividades.

O bloqueio da Paulo Fontes, por exemplo, é uma medida que tem mais pontos positivos do que negativos. Mas, mesmo assim, cada vez que abre a boca (pelo menos nas vezes que ouvi), o prefeito se defende o tempo todo de hipotéticos acusadores, de gente que o quer derrotar. Devem ser fantasmas políticos que o assombram, mas que a gente, aqui de fora, não vê.

O MEDO DE DECIDIR

Outra coisa que me deixou assustado, na breve entrevista de ontem, na CBN, foi a informação do concurso que a prefeitura quer fazer para escolher um projeto de urbanização para o entorno da travessia de pedestres (na verdade é para o entorno do Mercado, mas como o foco parece ser a solução daquele problema criado pela localização do terminal, é melhor tratarmos do caso dessa forma).

É interessante fazer concursos desse tipo. O que demonstra a falta de bom senso do prefeito, foi ele ter dito que, dentre os concorrentes, escolherão aquele ?que a comunidade gostar mais?. Que bobagem! A comunidade não tem que administrar a cidade diretamente: ela elegeu representantes para isso. E nem todos, na cidade, nas associações disto e daquilo e nas vizinhanças, podem ler plantas, croquis e memoriais e visualizar corretamente o que representam. Há, ainda, a decisão política que precisa ser tomada.

Ao transferir para ?a comunidade? da região a responsabilidade pela escolha do projeto, o prefeito demonstra fraqueza, indecisão, sob uma capa nada lisonjeira de demagogia. O concurso, a prevalecer a explicação insensata do Dário, seria quase como uma feira de ciências na escola média: os projetos seriam pendurados numa parede, e os ?proprietários? dos boxes do camelódromo e do mercado e mais uma meia dúzia de vizinhos, talvez alguma associação de usuários de ônibus, passariam por ali e escolheriam o que achassem ?mais legal?. Se, depois, se mostrasse um mau projeto, lavaria mais uma vez as mãos o prefeito: ?eles que escolheram?.

Os administradores públicos são eleitos para apresentar soluções, para decidir por nós, para usarem do bom senso e tornarem a vida, na cidade, melhor a cada ano. Não para abdicar do mandato a cada grande pepino que encontram pela frente, transferindo para ?a comunidade? o ônus de escolher a melhor saída. Com medo, pavor e pânico de contrariar alguém e aí perder votinhos, que seriam preciosos para a construção da ?carreira política? (lamentavelmente, a única e fundamental preocupação de tantos ?homens públicos?).

Até para construir uma ?carreira política? bem sucedida é preciso ter um pouco de bom senso. Senão, um dia, a casa cai.

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