• 04 dez 2009
  • Postado por Tiago

O escândalo da árvore milionária

A tal Palco Sul levou R$ 3 milhões da prefeitura de Florianópolis pra instalar a árvore de Natal da beira mar. E aí, o que fez? Terceirizou, claro. A empresa terceirizada, o que fez? Contratou uma quarta.

E o que estamos vendo? A montagem da árvore. Uma estrutura metálica e seus adereços (penduricalhos de alta sofisticação tecnológica, com “interatividade” e outros balagandãs). Tudo aquilo, naturalmente, depois de terminadas as festas, será desmontado e voltará para seus donos. A cidade não ficará com nada. Está pagando apenas a montagem, operação e desmontagem. R$ 3 milhões!

Restará, se tanto, uma fotografia na parede (ou nos celulares), para que o contribuinte/eleitor se lembre do ano em que vestiu roupa de Papai Noel (e nariz de palhaço), para presentear aqueles que vão colocar a mão na bufunfa.

O DINHEIRO NA CUECA

Esta é uma questão antiga, sobre a qual de vez em quando nos debruçamos, mas na maior parte do tempo deixamos ficar, quieta, sob o tapete: vereadores, deputados, prefeitos, governadores, senadores e presidentes, gastam em suas campanhas eleitorais muito mais dinheiro do que receberão legitimamente, de seus subsídios oficiais, durante o mandato. Em alguns casos gastam muito mais até mesmo do que a soma de todos os benefícios diretos e indiretos, passagens aéreas inclusive.

E, principalmente, a grande maioria gasta mais do que declara à Justiça Eleitoral.

Ora, a matemática é ciência que, em geral, é exata: se a campanha custa mais do que o sujeito vai receber nos quatro anos seguintes, há aí um mistério contábil.

Certamente os políticos não ficam no prejuízo. Caso ficassem, não haveria tantos interessados em concorrer, nem por tanto tempo. Tem gente que está a vida inteira (e tem filhos ou filhas na fila da boquinha) mamando nas generosas tetas dessas sinecuras.

Esse mistério é que nos leva a suspeitar que aquilo que os vídeos mostraram ocorrer no governo do Distrito Federal seja prática comum e disseminada. Os políticos precisam, para suas campanhas, de muito dinheiro. De chapéu na mão, batem de porta em porta, pedindo esmolinhas para os empresários amigos e inimigos. Sabem que não conseguirão ganhar o suficiente para pagar os “empréstimos”. Fica implícita, em toda conversa de pedido de “apoio”, que o doador terá um amigo eterno, cheio de gratidão. Mas poderá dar adeus àquele dinheiro.

O político, agradecido, quando eleito, naturalmente tratará seus apoiadores como príncipes. Dará a eles todas as oportunidades de recuperarem, com juros e correção monetária, o que “investiram”. E aí não vem muito ao caso se o “apoio” foi explícito (com declaração à Justiça Eleitoral e valores contabilizados) ou discreto (por fora, por baixo ou no panetone). O fato é que sempre que o vereador, deputado, prefeito, senador, governador ou presidente estiver gozando as delícias do cargo, vai se lembrar com carinho de quem o colocou ali, naquela “carreira política”, da qual só sairá se fizer alguma besteira grossa.

Então, senhoras e senhores, lembrem-se que somos um país endemicamente corrupto. E que, infelizmente, parece que na tal “classe política” inverteu-se a coisa: eles são suspeitos de meter a mão no baleiro até prova em contrário.

E a prova em contrário não pode ser “não sabia”, “não era meu, estava recebendo para um amigo, que mora longe”, “botei na meia por segurança” ou “era apenas uma contribuição não contabilizada”.

DIARINHO entra pra valer na Internet

Uma das principais decisões “comemorativas” do aniversário de 30 anos do DIARINHO foi dar uma arrumada no seu site. Aqueles que já tentaram ir até lá (www.diarinho.com.br) devem ter ficado meio decepcionados. É bem simples e tem apenas o conteúdo do jornal impresso, atualizado uma vez por dia.

Pois bem, está nos finalmentes a reestruturação do site. Que será transformado num grande portal. E este seu criado foi chamado para coordenar o conteúdo desse novo Diarinho Online. A infraestrutura tecnológica, desenho, programação e suporte estão a cargo do Grupo W, de Balneário Camboriú. E já entramos na pré-operação, com treinamento do pessoal, definição dos últimos detalhes e alimentação das várias seções e áreas.

O site deve ser aberto ao público em janeiro de 2010, na data em que o jornal fará 31 anos e tem tudo o que os mais modernos sites de jornais têm e mais um pouco. E tudo o que o Diarinho de papel tem e mais um pouco.

ACESSO PAGO

O Diarinho nunca ofereceu gratuitamente na internet o noticiário que publica no jornal (que é vendido em bancas). Durante algum tempo, quando a tendência mundial era abrir os conteúdos online, parecia apenas uma teimosia meio sem sentido da diretora do jornal. Mas ela só estava seguindo os sábios ensinamentos do avô, que criou o jornal: a independência editorial depende da saúde financeira do jornal. E ele sempre se recusou a distribuir assinaturas de cortesia. Não dava jornal de graça.

Isso faz todo o sentido: produzir, reunir e publicar informação original custa caro. E, como vocês sabem, o Diarinho faz questão de não ter o rabo preso com nenhum grande anunciante, seja ele privado ou público, não tem milionários contratos de assinatura com o governo e não participa de “coberturas especiais”.

Agora que a tendência internacional dos jornais, na internet, é cobrar pelo conteúdo (e vários jornais que tinham aberto o acesso estão revendo essa decisão), o Diarinho continua onde sempre esteve: o novo site terá uma área liberada maior que a atual, com o resumo das principais notícias, e os leitores poderão circular livremente pelas páginas de classificados e seções comerciais. E, como sempre, se quiser ler a íntegra das notícias ou comentá-las, terá que pagar.

Mas esta será a única semelhança entre o atual site e o novo portal: no resto, é tudo novo mesmo.

PORTAL DE NOTÍCIAS

É claro que o pessoal da área comercial está muito empolgado com as várias possibilidades que o novo portal vai oferecer, facilitando a vida de anunciantes e de quem procura por produtos e serviços, mas nós, do outro lado do balcão, também estamos ansiosos pra implantar a grande novidade, em termos de notícias: a atualização ao longo do dia.

Todo dia cedo, o leitor vai encontrar online o conteúdo do jornal impresso. E depois, à medida em que as horas passam, pretendemos ir oferecendo informações novas e a atualização das informações publicadas. Como todo bom portal de notícias. O objetivo é oferecer ao leitor uma alternativa regional aos grandes portais de notícias, como o G1 e o ClicRBS. Com a cara e o jeitão peculiares do Diarinho.

Claro que, primeiro, vamos ter que nos preocupar com o funcionamento correto de todo o portal, que tem inúmeras páginas, centenas de oportunidades de interação com o leitor e representa, para uma redação que há 30 anos lida apenas com jornal impresso, uma importante mudança cultural. Mas eu, particularmente, estou otimista com a possibilidade de termos, em poucos meses, um volume de atualizações satisfatório, capaz de fazer com que o portal seja colocado nos preferidos de muitos milhares de leitores, para várias consultas ao longo do dia.

Bom, era isso. Por enquanto. Só queria compartilhar com vocês a alegria de participar dessa nova empreitada.

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