• 15 dez 2009
  • Postado por Tiago

Os moribundos se arrastam e a caravana passa?

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Se a gente pensar bem, não tem por que se preocupar com os fatos recentes envolvendo o vice-governador e o Natal de Florianópolis. Não se trata, a rigor, de novidade.

Ou vocês já esqueceram que tivemos o próprio governador às voltas com ações judiciais que lhe pediam a cabeça, tramitando no TSE durante muito tempo? LHS ainda continua tendo que dar atenção ao STJ, porque lá rasteja uma ação de improbidade do tempo do Ariri Pistola.

O próprio vice relembra, candidamente, que teve vários moribundos assombrando parte da sua vida pública, para dizer que este, levantado pela investigação da PF, é apenas mais um.

E por que incluí o Natal de Florianópolis neste raciocínio tortuoso? Ora, porque este tipo de festa nasceu (sou capaz de apostar), da cabeça criativa do LHS. Dário & Mário não teriam capacidade de pensar, sozinhos, em Andrea Bocelli. Dário & Mário não teriam a idéia de ir atrás uma árvore tecnológica, um gigantesco gadget eletrônico. E quase todas as idéias brilhantes (e em geral tendentes à megalomania) do LHS, acabam também despertando a curiosidade dos controladores dos gastos públicos.

A partir das idéias mirabolantes do chefe, os operadores começam a trabalhar no limite da lei, para tentar traze-las à realidade. Equilibram-se na corda bamba. Às vezes embaralham a tênue fronteira entre o público e o privado, às vezes assumem os riscos de ter que explicar nos tribunais o que estavam fazendo naquela floresta os inocentes chapeuzinhos vermelhos governamentais.

Mas nada disso atrapalha os planos, nada atrasa a caminhada e nenhum desses eventos judiciais ou policiais tem, realmente, importância. Assim como LHS continuou a realizar seus projetos mesmo com moribundos movendo-se a espantosa velocidade nos escaninhos dos tribunais superiores, confiante na capacidade protelatória dos advogados pagos com a venda de um carrinho da D. Ivete, Pavan assumirá e, se a denúncia for aceita, governará sub-judice. Os advogados, já se anunciou, serão os mesmos que tiveram sucesso no caso LHS. Os estoques de recursos legais enchem armazéns imensos, como aqueles em que o então candidato a vice-governador estocava material de campanha.

E, se for o caso, Pavan, ou Dário, ou Cavallazzi, também poderão vender um carro, pra sustentar seus defensores. LHS já mostrou que esse é o caminho.

Nada de muito sério deve acontecer ano que vem. E o eleitor, como sempre, votará sem levar em conta a quantidade de moribundos de cada um. Como se fossem mundos paralelos, mas isolados: num, o eleitor acredita no que lhes dizem os candidatos no horário eleitoral e aceita e pede os favores dos cabos eleitorais da vizinhança. No outro, meia dúzia de indignados fica berrando no deserto, apontando as prateleiras dos tribunais, onde moribundos se arrastam, qual processos intermináveis, e os puros de coração que sofrem essa perseguição injusta, comemoram cada adiamento, brindam a passagem de cada ano que passam fora da cadeia, certos que o eleitor, no outro mundo, não vê nada, não ouve nada e fala muito pouco.

Literalmente, enquanto os moribundos se arrastam (nos tribunais), a caravana passa?

candidaturas

Com a convenção deste final de semana, parece que ficaram sepultadas (pelo menos por enquanto) as suposições de um golpe dentro do PMDB, que deixaria o Dr. Moreira a pé e colocaria no seu lugar, como candidato a governador, o prefeito de Florianópolis, Dário Berger. As manifestações foram todas de apoio ao Dr. Moreira. E ninguém falou na tal tríplice aliança.

O PP também anunciou oficialmente, em nota distribuída ontem, que ?a Deputada Federal Angela Amin é a pré-candidata do Partido ao Governo do Estado nas Eleições 2010?. Sem prévias.

Árvore DE NATAL MILIONÁRIA também dá galho no TCE

Palavras da auditora Sabrina Nunes Iocken, do Tribunal de Contas do Estado, sobre o pedido do vereador João Amin (PP), para que opinasse sobre a dispensa de licitação da árvore dos milhões:

?Diante do exposto e considerando todas as irregularidades que permeiam a Inexigibilidade de Licitação nº 519/2009, promovida pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, e ainda o Contrato nº 1056/2009, firmado com a empresa Palco Sul Eventos, além do Poder Geral de Cautela inerente à atuação desta Corte de Contas, decido:

1. Determinar à Prefeitura Municipal de Florianópolis, com a finalidade de prevenir futuras lesões ao erário, que não sejam pagas as parcelas pendentes do Contrato nº 1056/2009 até que esse Tribunal de Constas se posicione sobre a sua legalidade.?

Bom, essa providência do TCE soma-se às decisões liminares do juiz da Vara da Fazenda, em duas ações, ambas pela suspensão de pagamentos da árvore da fortuna.

Estas foram, em resumo, as irregularidades detectadas pelo TCE no contrato para montagem da árvore milionária, que o secretário Cavallazzi será convidado a explicar:

* ?Realização da Inexigibilidade de Licitação nº 519/2009 sem amparo legal (…);

* Razão da escolha do fornecedor ou executante insuficientemente demonstrada (…)

* Ausência de justificativa do preço da contratação (…)

* Ausência de elementos que demonstrem a qualificação técnica da empresa contratada para a execução do objeto (…);

* Ausência de projeto básico e orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários (…)

* Ausência do regime de execução do objeto (…).

* Divergência entre a altura da árvore de natal que foi prevista no contrato (60 metros) e a efetivamente executada (máximo de 46 metros), demonstrando que houve falha na execução do contrato (…)?

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