• 20 maio 2009
  • Postado por Tiago

Processo de cassação do LHS entra na reta final

O

julgamento do processo que pede a cassação do governador LHS (Pavan a reboque) entrou na pauta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a sessão do próximo dia 26 de maio. É o moribundão se mexendo como nunca (o próprio governador LHS, quando o processo iniciou, disse que ele iria “se arrastar como um moribundo” nos escaninhos do tribunal).

Na última vez em que esse processo entrou em pauta para julgamento, vocês lembram, os ministros começaram, a partir do relator, a votar pela cassação. E não fosse um freio-de-mão básico, a coruja teria sido pelada rapidamente.

O reinício do julgamento, a rigor, se dá nas mesmas condições: a única novidade, nos autos, é a presença do vice-governador, Leonel Pavan. Claro, houve mudança na composição do tribunal. E todos os ministros terão que votar. É possível que alguém tenha entendimento diferente daquele de meses atrás, mas também é possível que, cumprida a liturgia de chamar o vice ao processo, a coisa continue na mesma toada.

Façam suas apostas, senhores…

RELAÇÃO MUITO ESQUISITA

Os ônibus urbanos da Grande Florianópolis pararam ontem, deixando milhares de pessoas na mão.Talvez seja má vontade, mas cada vez que tento entender a incestuosa e em geral tempestuosa relação entre prefeitura de Florianópolis, empresas de ônibus e sindicato de trabalhadores, mais confuso fico.

Não consigo aceitar, por exemplo, o protagonismo da prefeitura na negociação com os empregados. Na minha ignorância, ao conceder a algumas empresas privadas a execução de serviços públicos, a prefeitura tem apenas que cobrar a prestação adequada desses serviços, fiscalizando nos termos da lei. A economia interna dessas empresas concessionárias deveria ser exatamente isso: economia interna. Meter-se a prefeitura nesse rolo é, de fato, coisa inexplicada.

Também não dá pra entender a perfeita sincronia patrões-empregados, quanto às paralisações. Não vi (novamente, pode ser que não tenha olhado com atenção) os patrões querendo colocar os ônibus na rua e muito menos algum atrito. Mas também, se a prefeitura não cobra nada das empresas, por que se desgastariam?

É uma das melhores situações, essa dos patrões do transporte coletivo: não precisam discutir nada. Estão de camarote. A prefeitura assume todo o ônus. E, sem querer ser vulgar, mas já sendo, o contribuinte, o usuário, entra com o ânus.

Vai um “lock-out” aí?

O advogdo trabalhista Paulo Stodieck, mandou-me um bilhete onde mata a charada:

“César, são raros os casos no direito do trabalho onde você encontra um bom exemplo de lock-out (que é a paralisação provocada pelos empregadores). Pois bem, agora você tem um claro exemplo: a paralisação do transporte coletivo de Florianópolis e adjacencias é iniciativa dos empregadores, que são, na ponta da linha, os grandes interessados no movimento hoje deflagrado.

Abraços – Paulo Stodieck”

O TAL DE Custo Brasil

Engana-se quem pensa que o tal “custo Brasil” atrapalha a vida apenas de grandes industriais e comerciantes, gente graúda do grande comércio internacional.

Graças à internet, o pequeno comércio de artesanato ganhou um grande impulso praticamente no mundo todo. Sites como o Etsy (www.etsy.com) facilitam a compra e a venda desse tipo de produto, geralmente produzido em pequenas quantidades, por pessoas físicas. A habilidade que algumas e alguns têm, de costurar bolsas, tricotar roupinhas, decorar sandálias, criar bijuterias dos materiais mais inusitados, pode render alguns trocados e até ajudar no orçamento doméstico. Certo?

Certo se o país de residência não for o Brasil. Quer ver? Uma artesã, nos Estados Unidos ou Europa (mesmo dos países do leste europeu), faz um colar artesanal e o coloca à venda no Etsy por US$ 20. Uma brasileira também faz um colar, parecido, mas até mais bonito e criativo e também o coloca à venda no Etsy pelos mesmos US$ 20. E aí começa a dificuldade: o frete cobrado, pelas estrangeiras, para enviar a mercadoria “para qualquer país” é de cerca de US$ 5,00. A brasileira terá que pagar, aos Correios, para mandar seu colar, por exemplo, para uma cliente norte-americana, uns US$ 15,00 (R$ 30,00). Com o frete custando o triplo, a brasileira fica em enorme desvantagem. A saída, de reduzir o preço de cada peça para absorver o impacto do custo Brasil, é extremamente injusta. Afinal, não somos cidadãos de segunda classe, para remunerarmos nossa criatividade a preço mais baixo que a dos criativos dos demais países.

O comércio globalizado, que teoricamente é acessível aos brasileiros, na prática esbarra em obstáculos como esse. E o que seria uma vantagem competitiva importante (o bom gosto, a qualidade e a diversidade do artesanato brasileiro) acaba perdendo oportunidades e escala. Fica essa atividade restrita ao comércio local (as tarifas para remessa, mesmo dentro do Brasil, também não são estimulantes) e às visitas de estrangeiros, mais escassas do que gostam de apregoar as entusiasmadas vozes do “trade”.

Resta o consolo de, visitando as várias páginas e seções do Etsy, ver que não ficamos nada a dever à produção artesanal internacional. Mas permanece a dor de não poder concorrer comercialmente em igualdade de condições, por causa do tal custo Brasil.

  •  

Deixe uma Resposta