• 23 maio 2009
  • Postado por Tiago

A reviravolta DO JOÃO LINHARES

Estava voltando pra casa, ontem, com o rádio do carro ligado. Mário Mota, na CBN, terminara de entrevistar o Gley Sagaz, advogado do Esperidião Amin e começou a ouvir o João Linhares, advogado do LHS. Tal e qual uma metralhadora, Linhares despejou seus argumentos, sem dar muita chance para que o entrevistador falasse.

A certa altura, o advogado disse que foram incluídas no processo provas definitivas, fortíssimas, de enorme impacto, capazes de causar uma reviravolta no caso, modificando a posição dos ministros “em 360°”.

Ninguém me contou, eu ouvi com estas enormes orelhas que a terra há de demorar muito tempo para comer: o grande advogado acredita que haverá uma mudança substantiva na posição dos ministros e inclusive oferece a precisa medida em graus. Só tem dois pequeninos problemas:

1

Todo aluno aplicado de segundo grau sabe que 360º equivale a uma volta completa, retornando exatamente ao mesmo lugar. A posição poderia ser modificada em 180º, ou 90º, ou qualquer ângulo que se quisesse. Tudo, entre 1° e 359° implica em alguma alteração da situação. O único ângulo que significa ficar exatamente onde se estava, é 360º;

2

Dizer que as novas provas (que ele não contou quais foram) modificariam radicalmente a posição dos ministros, significa supor que os ministros poderiam estar tendentes a cassar LHS. Se essa tendência não fosse admitida pela defesa, o João Linhares deveria dizer que as novas provas vão dar aos ministros argumentos para absolver LHS e consolidar suas posições favoráveis à tese da defesa.

Claro que tanto um quanto outro deslize poderão ser atribuídos à verborragia advocatícia. Quando a emissão de palavras, vocábulos, frases, é tão rápida que o pensamento não as alcança, ocorrem esses equívocos, normais em quem fala sem pensar. Acredito que, se pensasse um pouco, o advogado se expressaria de outra forma.

A semana que vem, pelo jeito, vai ser ainda mais divertida do que a gente estava imaginando.

Uma semana histórica

Semana que vem é possível que essa engronha sobre a legitimidade do mandato do governador LHS se resolva. É melhor para Santa Catarina que se resolva logo. Estender esse tipo de suspeição, empurrando o processo ao máximo, para que o mandato, se possível, termine antes do julgamento, é muito ruim. Claro que a defesa acha que é a melhor saída. Mas para o eleitor/contribuinte, é horrível.

Pra mim tanto faz que LHS seja absolvido ou que seja destituído, desde que logo e de uma vez por todas, fiquemos livres dessa sombra maligna que paira sobre o seu governo. Acredito que muita gente de bem pensa da mesma maneira. Não interessa que o governador fique até o último dia do mandato às custas de manobras protelatórias e pedidos de vista inexplicáveis. Interessa que se entre no mérito da questão, examine as provas e tome uma decisão. Se o recurso for julgado improcedente, ótimo. O mandato foi obtido legitimamente e LHS está onde está com todo o direito. Se a decisão for o contrário, ótimo. Terminam as dúvidas e o rei mal posto é deposto.

Claro que, neste caso, haverá enorme discussão sobre quem deveria ocupar o cargo vago. Há quem defenda a realização de novo pleito. Os destituídos lutarão o quanto puderem para evitar que seu principal adversário político sinta o gostinho de ser empossado. Tanta coisa poderá acontecer e muita água passará por debaixo da ponte. Serão semanas ou meses de grande agitação política.

A única coisa que o bom senso manda evitar, é cair na tentação de achar que a decisão judicial, qualquer que seja ela, configura “golpe”. Foram respeitados os procedimentos e as leis do País. Corre tudo, até agora, na mais completa normalidade. Não pode ser chamado de golpe o fato de alguém (seja quem for) ter dito que houve uma irregularidade, os tribunais terem aceitado a denúncia e, após julgamento, concluído que, de fato, a lei não foi cumprida e é preciso punir os responsáveis. Idem para o contrário.

Portanto, senhoras e senhores, preparem seus receptores de TV ou seus computadores conectados à rede. E no dia 28 assistiremos ao capítulo final de uma das novelas mais emocionantes dos últimos tempos.

Será um capítulo arrastado, longo e talvez até penoso. Não só pelo fato dos votos dos ministros do TSE em geral serem minuciosos, mas principalmente porque a defesa conseguiu assegurar 80 minutos para seus pronunciamentos orais: 20 minutos para a defesa do LHS, 20 minutos para a defesa do Pavan, 20 minutos para o PMDB e 20 minutos para o PSDB. O recorrente (que podemos chamar, como leigos, de “acusação”) terá 20 minutos.

Com tudo isso, a julgar pelo estabanado e irrefreável pronunciamento do advogado João Linhares hoje de manhã no rádio, eles parecem muito nervosos. Embora digam que estão tranqüilos. O tempo dirá.

na vassoura da bruxa

A grande boca do secretário Gilmar Knaesel deixou escapar umas bravatas envolvendo o transporte do técnico Dunga a Florianópolis, para prestigiar o lançamento do Showbol (evento privado realizado com bastante dinheiro público). O Cacau publicou. Aí foi uma correria pra tentar consertar o estrago.

Na coluna de ontem, no DC, Cacau publica que segundo o diretor de Imprensa da Secretaria de Comunicação do governo, nenhuma aeronave do governo foi utilizada para trazer o Dunga.

O colunista reafirma: “Quem me disse que tinha conseguido o avião do governo para buscar o treinador no Rio, logo depois da convocação da Seleção, foi o secretário Gilmar Knaesel. Que, a propósito, ontem pela manhã, mudou sua versão, dizendo que Dunga vinha de carona num “caixote”, não dizendo, desta vez, de quem.”

O governo pode ter pago a viagem, em taxi aéreo. Ou então Dunga pode ter vindo de carona na vassoura da bruxa má.

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