• 04 jul 2009
  • Postado por Tiago

Senador Raimundo Colombo

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Direto do túnel do tempo: no dia da posse (3/1/2007), o senador Neuto de Conto (d) recebe os cumprimentos do governador LHS. Ao fundo, o inconfundível Agaciel Maia, enrolado ex-diretor geral do Senado

O senador bom de papo

Assisti quinta à noite, quase na íntegra, a conversa do senador Raimundo Colombo com o Vânio Bossle, na TVBV.

Meu velho amigo Saint-Clair Monteiro de vez em quando comentava alguma coisa sobre o fato do senador ser diferente de outros personagens que conhecemos. Nunca dei grande atenção a esse lembrete, pelo simples fato que o Saint-Clair é assessor de imprensa do DEM (e, por extensão, do senador, que é o presidente do partido em Santa Catarina).

Mas o formato do programa permitiu que o senador se expusesse mais, falasse mais e a gente teve oportunidade de observar com calma, sem o anteparo dos marqueteiros, que atrapalha a visão nas campanhas eleitorais, como se comporta esse candidato.

Como todos sabem, a vontade incontida do Dário Berger de largar a prefeitura para concorrer a qualquer outra coisa, acabou precipitando um pouco a campanha para governador. Ao colocar-se como uma pedra no sapato de Eduardo Moreira, Dário, por tabela, fez com que os demais partidos da aliança que governa o estado também tivessem que sair da toca.

E o que está posto é que o PSDB vai de Pavan, o DEM de Colombo e o PMDB diz que vai de Eduardo Moreira, mas sofre na carne a situação criada pela ambição do prefeito da capital e o respaldo que ela parece ter no governador do estado. Situação adequada para que DEM e PSDB tratem de ir à luta, ocupando os espaços.

No final, se algum tiver deslanchado na preferência popular, os demais unem-se em torno desse. Mas, como bem lembrou o senador Colombo ontem, tudo indica que esta eleição será apertada. É possível que ninguém apareça como imbatível. Nem no pleito estadual, nem no federal.

Então, a aliança que elegeu LHS tanto pode se repetir, quanto pode se esfacelar. Mas isso só será negociado e decidido mais adiante.

Cada um por si

Por enquanto, estão todos no páreo, tentando mostrar-nos como podem ser bons governadores, como são simpáticos e competentes. E o senador Raimundo Colombo apresentou ontem suas armas, cultivadas e cevadas na habilidade que muitos lageanos têm, de conversar bem, tornar interessantes as experiências pessoais e envolver o interlocutor num clima de familiar troca de impressões.

E notei, a certa altura do papo, uma derivação do ?yes, we can!? celebrizado por Obama: ?sim, nós podemos!?, disse ele, praticamente com essas palavras, ao dar a entender que os problemas têm solução e que sim, nós podemos solucioná-los.

Vamos ver como se apresentam os demais. E onde tudo isso vai desaguar.

O senador ?mão de vaca?

O Piauí tem um senador Mão Santa, aqui temos um ?mão de vaca?. Mas também poderia tê-lo chamado de sovina, avarento, pão-duro ou apenas mãozinha? Usem o termo que acharem mais adequado ao caso.

Como sabem, os senadores têm um salário de cerca de R$ 12 mil, mais uma série de ajudas ?essenciais? para o exercício do seu mandato, inclusive verbas para passagens aéreas e despesas de gabinete. Não se pode dizer, portanto, que os senadores brasileiros passem por dificuldades financeiras.

Agora que as verbas indenizatórias dos senadores estão na internet, fui dar uma olhada no uso que nossos senadores têm feito dessa verba. Ali, em abril e maio de 2009 (antes não há a discriminação despesa por despesa), pode-se ver que o Senador Neuto de Conto (PMDB) é o campeão de economia de seu próprio dinheiro: ele usa verba de gabinete para pagar até os pedágios. Nem R$ 1,10 ele tira do próprio salário.

Claro que isso não significa que o senador não faça grandes despesas. Na rubrica ?Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes?, vê-se que ele pagou (ou melhor, nós pagamos) a Dimas Comércio de Automóveis Ltda., R$ 6.202,00 em abril e exatamente o mesmo valor em maio: e isso, segundo afirmou ontem a assessoria do Senador, corresponde ao aluguel de dois carros, que ele e sua equipe usam nos deslocamentos no estado.

Ah, em maio o Senador pagou (digo, nós pagamos para o Senador) em pedágios, a espetacular quantia de R$ 9,80.

De nada.

?Eu sabia!?

Agora que conhece os detalhes do ?acordo? que acabou com a greve, o florianopolitano, que penou com a falta de ônibus pelo menos pode encher a boca e dizer, em alto e bom som:

?Eu sabia!?

Da mais distraída usuária ao mais antenado e irritado passageiro, todos imaginavam, lá no comecinho, quando surgiram aqueles indecentes avisos ?poderá ter greve de ônibus?, que a tarifa iria aumentar. Os mais esclarecidos também achavam que o subsídio espantoso que a prefeitura dá aos empresários, com nosso dinheiro, também fosse aumentar.

Pois acertaram todos vocês. O povo é sábio.

E a greve é um bode na sala minúscula da residência humilde. Quando o tiram de lá, parece que tudo ficou melhor. Mas tudo está exatamente do jeito que estava antes de colocarem o bode ali. E, neste caso específico, os moradores da casa ainda deram uma boa gorjeta pro bode e seus proprietários.

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