• 11 jul 2009
  • Postado por Tiago

FACTÓIDES DO PEDÁGIO

Ontem a senadora Ideli Salvatti, o prefeito da Palhoça, ReiNério, e outros políticos foram de helicóptero dar uma olhada na praça de pedágio da BR 101, na Palhoça.

Estão produzindo factóides para que a população pense que alguma coisa está sendo feita. Não há nada a fazer, os contratos foram assinados, serão cumpridos e os vôos são pura perda de tempo e dinheiro.

Acontece que, nas audiências públicas que discutiram o pedágio, lá no começo, essas autoridades não apareceram. Foram omissas na época em que ainda dava pra mudar alguma coisa. Deixaram rolar as águas sob a rodovia e depois, quando viram que o rolo estava formado, começaram a correr atrás da máquina.

A única saída (e que já está sendo discutida por quem fala a sério sobre o assunto), na Palhoça, é construir uma via paralela à BR 101, para uso dos moradores da cidade. Se usar a rodovia federal, independentemente de onde more, paga e não bufa.

Portanto, quando virem a senadora, o cara da ANTT, deputados federais do PT e do PSDB e prefeitos diversos passeando de lá pra cá de helicóptero e dizendo que vão fazer e acontecer, fiquem tranquilos. Não vai dar em nada.

FINAL FELIZ

Não sou daqueles que acha que todo político é “poblemático”. E espero que os leitores e leitoras do Diarinho também saibam que tem uns melhores e outros piores.

Da mesma forma, embora tudo indique que vai ser assim, prefiro continuar acreditando que a parte boa do Congresso não vai deixar que tudo acabe em pizza.

E para que tenhamos um final feliz não basta cassar mandatos, coisa que às vezes, de certa forma, até beneficia o sujeito. É preciso que todos, nós e eles, a gente e vocês, mudemos de atitude e passemos a respeitar um pouco mais (ou muito mais) o dinheiro público e a vontade popular.

O sujeito eleito para nos representar tem que se sentir pressionado: não pode nem mais ir ao banheiro do jeito que ia antes. Agora ele é nosso representante. E tem que andar na linha. Lavar as mãos antes e depois. Cumprir a lei. Mesmo que os outros não cumpram.

E a gente tem que ter vergonha na cara pra nunca mais votar em quem não nos representa direito.

TURNO ÚNICO

Várias prefeituras aderiram ao tal “horário de verão” e atendem em turno único, das 13 às 19h, tal e qual o governo estadual. E tem gente que reclama.

Tal como no caso das folgas e pontos facultativos, caem de pau como se ficar na repartição das 8 às 18h fosse fazer a malandragem trabalhar mais. Quem não leva o serviço público a sério, até gosta de dois turnos, porque tem mais tempo pra vender Natura, trocar uma idéia com os colega e dar um rolê pelo centro da cidade.

E quem trabalha consegue se organizar no turno único e ganha, como um presente justo, mais tempo para ficar com a família e para tratar de sua vida.

CHEFIAS MOLENGAS

Insisto que o problema do funcionalismo público são as chefias frouxas e incompetentes, que não sabem gerenciar, não têm noção do que devem fazer e só pensam em agradar seus padrinhos políticos. Se o nível gerencial e de direção fosse profissional e competente, entrava todo mundo nos eixos e ninguém acharia ruim uns dias de folga no final de ano ou duas horinhas a menos de trabalho.

MATEMÁTICA BÁSICA

Não acho que o turno único signifique menos tempo de trabalho. Querem ver?

No turno integral o servidor, teoricamente, trabalha das oito ao meio-dia e depois das duas às seis. Mas o que acontece é que ele chega 8:30 porque o trânsito a essa hora é horrível e antes teve que deixar as crianças na escola.

Como vai ficar o dia inteiro na repartição, antes de começar a trabalhar tem que dar uma circulada, pegar o café e achar o jornal. Depois tem que ligar o computador, esperar o sistema entrar, colocar a senha e aquelas coisas todas muito demoradas. Às 9:30 o trabalho começa.

Se sair só ao meio-dia, o sujeito já não pega mais lugar no quilinho pra almoçar ou então enfrenta uma fila enorme. Tem que sair um pouquinho antes: 11:45 no máximo.

A hora do almoço é a única que sobra para ir ao banco e outros compromissos, que sempre demoram muito. Às 14:30 o trabalho reinicia. E com esse trânsito não dá pra sair às seis: 17:45 no máximo.

Somou? Nosso amigo trabalhou, de fato, 5h30min. Menos que as 6h do turno único.

POLÍTICA ENVELHECIDA

A impressão que se tem, olhando aqui de fora, é que os políticos não sabem fazer aquilo que se propuseram a fazer. Política é uma arte que exige talento, inteligência, dedicação e sensibilidade. E muitos dos vereadores, prefeitos, secretários, deputados e quetais que a gente vê falar e atuar, parecem viver em outro mundo ou pelo menos em outra época.

Os conchavos a boca pequena, as negociações secretas, os ajustes por baixo dos panos precisam urgentemente ser substituídos por acordos coletivos, discussões públicas, negociações claras em torno de propostas expostas sobre as mesas e nas tribunas.

o queridinho DO LHS

Que o LHS está cada vez mais encantado com o prefeito da capital, todos desconfiávamos. Mas agora temos um documento concreto dessa paixão incontida. Um documento oficial que põe a nu um caso personalíssimo e raro de favorecimento explícito.

Os adversários do amor dirão que é uma imoralidade. Mas, sejamos complacentes com os pombinhos, porque o coração tem razões que a própria razão desconhece.

Abaixo transcrevo o texto de um decreto, do governador LHS, dispensando a prefeitura de Florianópolis de apresentar certidões negativas da Casan, Celesc, Ioesc, etc… Vocês sabem, né? as prefeituras, para fazer várias coisas com o governo estadual, precisam apresentar provas de que são boas pagadoras das empresas e órgãos estaduais. Mas a capital, segundo o decreto, não precisa.

Não sei por que LHS resolveu dar essa espetacular prova de amor, nem que tipo de negócio o Dário quer fazer que precisa da dispensa das certidões, mas acredito que os prefeitos de todos os demais municípios catarinenses devem estar amuados, fazendo beicinho, mortos de ciúme. Perguntando-se por que só o queridinho da hora é que recebe tais agradinhos.

E os municípios que mantém suas contas em dia, devem estar se achando otários, idiotas e imbecis. Porque o amoroso decreto, pelo jeito, beneficia um caloteiro.

“DECRETO Nº 2.292, de 4 de maio de 2009

(DOE de 04.05.09)

Altera o Decreto nº 307, de 4 de junho de 2003, e o Decreto nº 1.291, de 18 de abril de 2008, e estabelece outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, usando da competência privativa que lhe confere o art. 71, incisos I e III e IV, da Constituição do Estado,

D E C R E T A:

Art. 1º Fica suspensa, temporariamente e em caráter excepcional, pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a exigência de apresentação das certidões negativas de que tratam os incisos II a VIII, do art. 3°, do Decreto n° 307, de 4 de junho de 2003, o Decreto nº 1.291, de 18 de abril de 2008 para o município de Florianópolis.

Art. 2° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Florianópolis, 4 maio de 2009.

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA

Governador do Estado”

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