• 25 jul 2009
  • Postado por Tiago

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Gabriela Pinho, miss SC 2008 e assistente parlamentar do senador Neuto de Conto

O empreguinho  da Miss SC 2008

A bela moça acima é a Miss Santa Catatarina 2008, Gabriela Pinho, de Ituporanga. Por que ela está aqui? Bom, além de enfeitar esta coluna normalmente tão sisudo, tem a ver com esta nota, que pretende ensiná-los a trilhar os novos caminhos da transparência no Senado.

Vocês sabem que os escândalos do Congresso têm produzido alguns bons frutos. O Senado, por exemplo, tem colocado na internet muitas informações que antes estavam ocultas, ou eram difíceis de encontrar.

Entrem na página inicial do site do Senado (www.senado.gov.br) e ali, na coluna da esquerda, cliquem no Portal da Transparência. Vai se abrir uma página cheia de links para os vários setores que estão disponíveis à consulta popular. Podem navegar à vontade, conforme seu nível de interesse e curiosidade.

A título de ilustração, permitam-me sugerir que cliquem no item Recursos Humanos. Abre-se uma página que permite a navegação em três itens: efetivos, comissionados e todos. Vamos dar uma espiada nos comissionados, que aparecem num documento em pdf, com 187 páginas. Ali, senador por senador, estão os nomes dos servidores de confiança, aqueles que são contratados sem concurso, para exercer cargos em comissão, teoricamente por um tempo limitado.

Uma vez aberto o documento, vamos à página 142, para espiar os nomes dos 29 comissionados que estão lotados no gabinete do senador Neuto de Conto (PMDB-SC). A lista apresenta apenas o nome, a função e a data de ingresso. Mas é o suficiente para vermos que, em 17 de julho de 2008 (portanto ainda durante seu reinado de Miss, que terminou agora, no início de 2009), a bela Gabriela Pinho foi admitida como Assistente Parlamentar do senador. Neuto de Conto é, sem dúvida, um homem de sorte: pode contar com os préstimos profissionais de uma bonita assistente. Uma verdadeira miss.

Ah, não fiquem tristes, porque o senador não a levou para Brasília. Como vocês sabem, essa história de ?trabalhar no gabinete? é muito flexível. Embora apareça no registro do Senado, ela está lotada num dos escritórios catarinenses do Senador. Se duvidar, até continua morando na sua Ituporanga querida.

Quem for muito curioso pode aproveitar e fazer uma visitinha à página 156, onde estão os 24 comissionados do senador Raimundo Colombo. Ou à página 101, que tem o registro dos 23 assessores da senadora Ideli Salvatti.

SC, estado livre do nepotismo?

O sucinto registro abaixo foi publicado no Diário Oficial do Ministério Público de Santa Catarina do dia 15 de julho último, divulgado dia 16, na página 4:

?EXTRATO DE CONCLUSÃO DO INQUÉRITO CIVIL N. 02/06

COMARCA: Capital ? PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA

INQUÉRITO CIVIL N. 02/06

Data da Instauração: 1º/6/2006

Data da Conclusão: 15/7/2009

Partes: Ministério Público do Estado de Santa Catarina, Poderes Executivo, Legislativo e Tribunal e Ministério Público de Contas.

Conclusão: Arquivamento, pelo acatamento da recomendações efetuada (sic) pelo Procurador-Geral de Justiça, acerca do Nepotismo.

Procuradores-Gerais de Justiça: Pedro Sérgio Steil e Gercino Gerson Gomes Neto?

Pelo jeito informa-se ali que um inquérito com três anos de duração, sobre nepotismo, foi arquivado, sem maiores consequências, porque as recomendações do Procurador-Geral foram acatadas. Hum, que interessante?

O nepotismo é um problemão em todos os lugares do mundo. Não poderia ser diferente no Brasil nem em Santa Catarina. Mas, pelo jeito, encontramos alguma fórmula milagrosa para resolver o problema sem necessidade de medidas extremas.

O fato é que, se o Ministério Público de Santa Catarina deu por encerrada sua investigação sobre nepotismo, então é porque o problema, no estado, não existe mais. Assim, parem de me mandar nomes de fulanas esposas de cicranos e beltranos filhos de não sei quem, que estariam trabalhando aqui e ali, em funções gratificadas, com suspeitas de nepotismo cruzado, enviezado ou mesmo de neo-nepotismo gótico invertido. Vocês estão equivocados. A investigação sobre nepotismo nos três poderes catarinenses foi arquivada porque todos acataram a recomendação do Procurador-Geral. Acabou-se o problema. E ponto final.

A propósito de maçonaria e imprensa?

Vez por outra, desde a época em que era professor da UFSC, alguém me pergunta, como quem não quer nada, se eu sou maçom. Nunca estranhei, porque conheço vários jornalistas e muitos professores que são. E, em algumas dessas vezes, diante da negativa, surge outra questão igualmente curiosa: ?por que não??

A verdade é que nunca fui convidado. E, como nunca me deparei com o fato concreto do convite, nunca pensei muito no assunto.

Mas o meu apreço pela independência intelectual e ausência de instinto gregário prevaleceram e nunca me aproximei da maçonaria. Nem nos grupos da igreja católica, onde fui criado, fiquei muito tempo, depois que me entendi como gente. Portanto é possível que, assim como não sou sócio de clube (e, tal e qual a anedota, acho que não frequentaria clubes que me aceitassem como sócio), se um dia fosse convidado, não aceitaria.

O fato é que a maçonaria tem muitos de seus membros colocados em posições de grande relevância política e social. Sempre teve. Com a chegada do século 21 alguém poderia supor que isso tivesse mudado, mas aparentemente (e até onde nos permitem ver, aqui de fora), tudo está onde sempre esteve e da forma como foi posta.

Em Santa Catarina, o fato do fundador do primeiro jornal ser um ativista maçom une historicamente ? não por acaso ? as duas instituições. Ontem, em Laguna, começam as comemorações dos 178 anos de criação do O Catharinense, jornal que Jerônimo Coelho lançou em 28 de julho de 1831, e que é considerado o marco inicial da imprensa catarinense.

É natural, portanto, que os jornais, vários deles dirigidos ou orientados por maçons, tenham uma espécie de respeito reverencial pela instituição irmã (imprensa e maçonaria, em Santa Catarina, têm origem comum). O segredo, em todo caso, parece não ser mais uma condição rigorosa. Ao contrário, vê-se, aqui e ali, notícias a respeito e muitos se identificam publicamente, até informando suas funções e cargos na hierarquia das várias casas.

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