• Postado por Tiago

Dia 30 de janeiro de 1999

Sonhei que estava em Brasília, bem no gabinete do FHC. Entrava gente, saía gente, abobrão pra lá, abobrão pra cá, todo mundo falando baixinho.

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Bom de ouvido, peguei algumas confidências, embora o burburinho do local. Aliás, confuso pacas, pois parecia um fim de feira, dando a impressão que cada um tava era a fim de salvar o seu.

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Um velhote gordo, com cara de general de divisão, falava no ouvido de uma magricela de pescoço alto: “te prepara que, dia destes, bem na hora da novela das 8, o plantão da Globo vai interromper o beijo do mocinho na mocinha, informando que o presidente teve um ataque e tu vais substitui-lo.

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Noutra, um ministro, cujo nome não consegui descobrir, falava pra um empresário americano e um diretor do FMI: “o homem teve, nos seus primeiros quatro anos de mandato, uma oposição formal e perfunctória. Agora, neste segundo mandato, ele não vai ter estrutura pra aguentar o Itamar, o Olivio Dutra e o Garotinho”.

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Um cara que falava e todo mundo escutava, dava a dica pra amigos: “olha, poupança de mais de cinco mil vai pra cucuia”. Não entendendo picas do recado, pois não sou dado a poupança, só me acordei quando um negão forte, com cara de gorila, chegou estrilando, dizendo que tava tudo na maior merda, que um pãozinho que, no começo do mês custava nove centavos, dentro de 50 dias iria custar US$ 1,20.

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Fui no banheiro, dei uma mijada, dormi na hora e comecei a sonhar outra vez.

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Agora era uma cena que se passava numa cidade não identificada, onde uma multidão de mulher feia, com as mamicas caindo pela cintura, de estandarte na mão, usando palavras de ordem, pediam mudanças em nome da pátria, família e tradição.

Como eu já vira esse filme fazia 35 anos, fiz tudo pra acordar, antes que os milicos entrassem na cena.

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Só consegui me recuperar do pesadelo, quando começou a amanhecer, passei por uma moradora e tive outro sonho: tava num avião, não sei se da Vasp ou da Transbrasil (da Varig sei que não era) e saiu lá da cabine do piloto uma aeromoça desesperada, mandando a galera apertar o cinto, porque tinha dado um troço no piloto e no seu regra três morrera.

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Uff, que pesadelo.

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Moral da estória: pra bom entendedor.

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