• Postado por Tiago

Dia 19 de dezembro de 1998

Toda a imprensa, rádio, tv e setores políticos falando no tal teto de ganho de 12 mil, de 10 mil no serviço público, não se sabe ao certo. Como se fosse a coisa mais importante do mundo, embora se saiba que, no Brasil, isso não vai valer porra nenhuma.

Mas o fato demonstrou a imensa insensibilidade da sociedade brasileira para a distorção da existência de um nível máximo de ganho tão alto, quando o mínimo é tão pequeno. É que é uma vergonha que, enquanto alguém percebe 12 mil, um trabalhador perceba só 120 reais. Quer dizer, temos quem perceba 100 vezes mais que os outros.

Absurdo que comprova o modelo sócio-econômico desumano em que vivemos. Ainda mais se considerarmos que o privilegiado que percebe 12 mil trabalha (quando trabalha) com sua rica e perfumada bunda sentada numa confortável poltrona estofada, gabinete com ar condicionado, calefação, cafezinho, segurança, o caraco, enquanto o coitado do Zé da Silva, salário mínimo, trabalha sentado numa porra dum banco de pau duro, em local pobre, insalubre, sem às vezes sequer ter água limpa pra matar a sede, sem privilégio nenhum, ao contrário. Chega cinco minutos atrasado, perde o repouso remunerado, se não for posto no olho da rua, sem “aviso breve”, nem porra nenhuma. Isso é Brasil.

A importância do Brasil

Pois não obstante a aberração acima, do abóbora poder ganhar 12 mil e o trabalhador 120, a importância do Brasil no contexto econômico mundial é enorme.

Vejam se é ou não verdade. Na noite desta quinta, na NBC (rede de TV norte-americana) o âncora de um programa de debates entrevistava uma ex-assessora de economia do presidente Clinton e queria saber a que ela atribuía o aparente paradoxo de, com o problema do impeachment do presidente americano e a ameaça de conflito no Oriente Médio, as bolsas terem baixado enormemente, e, justo no dia em que os americanos borbardeavam Bagdá, as bolsas nos Estados Unidos terem subido enormemente? E a perita em economia foi categórica! Isso se deveria à confiança que o investidor norte-americano tinha na economia do Brasil.

Já pensaram?

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