• 15 maio 2009
  • Postado por Tiago

Frescura para cobrir visita do presidente

Dia 26 de junho de 1998

O DIARINHO não vai cobrir a visita de hoje do presidente, que, na garipagem de voto, passa (apressadinho) por Navegantes e periferia.

É que o nosso jornal não se sujeita às frescuras da viadagem do tal escalão precursor, que vem de Brasília, pra preparar a visita dos homi.

Eles impuseram ao jornal, pra fazer a cobertura, uma porção de imposições e frescuras a que não nos submetemos.

Que nos desculpem nossos amigos navegantinos, mas não estaremos lá.

E nossos leitores não vão perder nada. Porque a visita dele vai dar no rádio, na tv e nos jornalões. Agora, a notícia do que acontece ali no São Vicente, nos Cordeiros, na Barra ou no Monte Alegre, só nós damos… Daí?

Frescura mesmo

Essa frescura toda, de fazer essa papagaiada pra visita do presidente não existia antigamente. Isso começou com o governo dos milicos. Que tinham horror ao povo e, por isso, quando eram obrigados e aparecer em público, faziam esse aparato todo.

A história registra que, na Revolução da Esquadra, o presidente Floriano Peixoto saía à noite, sozinho pelas ruas do Rio de Janeiro, indo conversar com os soldados que montavam guarda em pontos estratégicos da cidade.

Uma noite, em 1952, na cidade de Curitiba, eu, o Enéas Passos, o Hernani e outros amigos cabulamos a aula e nos encontramos em frente ao Cine Ritz, esperando para entrar na sala de projeção, quando passaram caminhando pela calçada, a um metro de nós, o presidente Dutra, o governador Lupion e o Major Garcêz, chefe do gabinete militar deste último.

O presidente estava hospedado no Braz Hotel e ia até a universidade para uma solenidade. Pois foi, mais o governador e seu chefe de gabinete, caminhando por toda a avenida e um enorme trecho da rua 15, só os três, sem aparato, sem guarda-costas, segurança, sem porra nenhuma.

Em 1953, passávamos o Elias Adaime e eu num ônibus em frente ao Palácio do Catete, quando vimos o presidente Getúlio Vargas parado na calçada, conversando com algumas pessoas.

Saltamos no primeiro ponto e voltamos pra ver o grande presidente de perto. Ele atravessava a rua, mais o Gregório Fortunato, e entrou num bar nas proximidades, pra tomar um cafezinho. Também sozinhos os dois, sem nenhum aparato.

Assim era antigamente. Hoje, os tempos e os presidentes são outros.

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