• 29 maio 2009
  • Postado por Tiago

Todas as copas (parte I)

Dia 12 de julho de 1998

Na copa de 30, eu tinha um ano de idade. Da de 34 tenho, no fundinho, lá num cantinho escondido da memória, algum resquício de lembrança: o velho capitão Galdino, falando do Leônidas (só passou a ser famoso e chamado de Leônidas da Silva, depois da copa de 38), do Patesko (que tinha um tirombaço que parecia um coice de mula) ou do Carvalho Leite (que foi médico do Botafogo, na década de 50).

Da de 38 eu lembro tudinho. O técnico, Ademar Pimenta, era mais zangado que o Zagalo hoje. Foi a copa do Leônidas, já agora Leônidas da Silva. O Brasil na semifinal, o Domingos da Guia (pai de Ademir da Guia, ex-Palmeiras), considerado um dos melhores zagueiros (naquele tempo era beque) do mundo, fez uma cagada igual aquela do Júnior Baiano: dentro da área, o Domingos faz pênalti no italiano Piola. O Brasil ficou em terceiro lugar.

Lembro bem dessa copa porque dela vi jogar quase todos os seus grandes jogadores: Leônidas da Silva, Batatais (pai do Dr. Lorenzatto), Domingos da Guia, Romeu, Zezé Procópio, Perácio (terminou seus dias, melancolicamente no Canto do Rio de Niterói), Jaú, um beque lenhador, negão enorme, bunda espichada de “frumiga”), Tim (treinador de vários clubes brasileiros e argentinos, legendário não só como grande jogador, mas como folclórico treinador) e Patesco.

Na tarde em que o Domingos da Guia fez a cagada do pênalti contra o Piola, veio todo mundo pra praça (a Vidal Ramos, naquele tempo o umbigo da cidade, local onde tudo acontecia), para escutar o jogo Brasil x Itália, pelo alto-falante colocado na quina do edifício Olímpio.

A praça cheia, todo mundo atento, escutando a narração do Gagliano Neto (o Galvão Bueno da época, mas bem mais “patrota” que o global de hoje). Tão “patrota” que na hora que o Meazza correu pra chutar o pênalti do Domingos da Guia contra a goleira do Batatais, Gagliano Neto irradiou assim o lance, num nervoso fiozinho de voz: “Atenção senhores ouvintes: Meazza corre para a bola – eu não quero nem olhar – chutou e gooll da Itália”..). Após o pênalti, antevendo a derrota do Brasil, a praça se foi esvaziando e, quando terminou o jogo, só lá estavam dois ou três vendedores de torradinho, o João Mulato, com o seu carro de mola e dois marinheiros de um barco atracado no trapiche do Elpídio Souza, ali na frente da praça.

Por causa da segunda guerra mundial não foram realizadas as copas de 1942 e 1946.

Continua na próxima edição

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