• Postado por Tiago

Dia 14 de março de 1999

Eu não tenho a mínima dúvida de que a recente investida de elemento notoriamente ligado ao governo FHC, contra o Judiciário seja um movimento organizado para “alinha-lo” ao executivo, a exemplo do que já foi feito com o Legislativo. Hoje, mero executor das ordens do Executivo.

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Porque faço está afirmação? Porque, logo no começo do primeiro mandato de Fernando Henrique, fui insistentemente procurado, aqui em Balneário Camboriú, pelo proprietário de uma rede de jornais, rádios e tv do norte do Brasil.

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Esse elemento, dizendo conhecer meu trabalho frente ao DIARINHO, me convidava para dirigir um jornal que deveria ser editado em Brasília, cujo objetivo seria – e isso ele me afirmou categoricamente – o de desmoralizar o judiciário.

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Ponderei que achava isso uma loucura. E disse-lhe que, não obstante problemas que eu tivera, quando meu jornal e minha pessoa foram vítimas de solertes atitudes persecutórias de alguns elementos do Judiciário da cidade de Itajaí, nunca me prestaria a uma empreitada como esta. Não só por minha formação jurídica, como por convicção e pelo respeito que sempre tive e tenho para com a Justiça, na qual sempre acreditei. E até argumentei dizendo que só o fato de eu estar em liberdade, era prova de que a justiça era justa e correta.

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Mas o elemento, tentando seduzir-me com a sua proposta, altamente vantajosa em termos pecuniários (alto salário, apartamento de luxo em Brasília, além de passagens aéreas semanais para Santa Catarina) me fez uma confidência que, na ocasião, julguei absurda. Mas que hoje, juntando as coisas que aconteceram de lá pra cá, acho coerente: o jornal que eles planejavam fazer rodar em Brasília teria apoio de altos escalões do governo FHC, da Rede Globo, do Senador Antonio Carlos Magalhães e outras figuras do seu naipe no cenário político nacional.

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(Continua na próxima edição)

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