• Postado por Tiago

Dia 20 de janeiro de 1999

Afastado há 20 anos da advocacia, confesso não conhecer a chamada legislação ambiental brasileira, bizarro conjunto de leis, decretos, o caraco, elaborado pelo nosso canhestro legislador e mal emendado pelos nossos burrocratas

Contudo, o senso comum me diz que alguma coisa está errada nessa meleca toda.

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Vejam: o fodido agricultor lá do médio vale é apanhado pela polícial Ambiental (ou Florestal), levando pra casa uma dúzia de barrigas de palmito, cortadas na mata. É autuado em flagrante, crime inafiançável, tá embrulhado pro resto da vida.

No interior do São Paulo, o pequeno agricultor matou uma capivara que tava acabando com seu sítio, foi condenado a não sei quantos anos de cadeia.

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Aqui em Balneário, a cambada de viado da Casan tá jogando merda, às toneladas, há anos no rio Camboriú e não acontece nada.

Não teve um diretor, um gerente, pelo menos um bagrinho sequer da Casan que fosse processado por essa sacanagem?

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Tá certo isso?

Cortar meia dúzia de barriga de palmito no mato pra matar a fome dos filhos, não pode? Matar capivara que depreda um sítio inteiro, também não pode? Mas comé qui pode um órgão do governo, como a Casan, ficar, por anos a fio, jogando merda no rio e não acontece nada?

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Será esta mais uma triste comprovação do velho ditado que diz que, no Brasil, lei é feita só pra punir pobre, preto e puta?

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Agora o que se constata é que, enquanto não tivermos um pobre (vai ser difícil), um preto (e onde fica o preconceito racial?) ou uma puta (até que pode), na direção da Casan, eles podem continuar jogando merda no rio que não vai acontecer nada… Só o rio é que vai continuar despejando tudo na praia.

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