• Postado por Tiago

Presos têm que fazer revezamento nas camas

Há três meses o cadeião peixeiro está interditado. O canetaço tem amenizado o problema da superlotação no presídio, mas acabou gerando outro: a lotadação das delegacias. As duas depês da cidade estão superlotadas. O DIARINHO foi conferir de perto a situação precária em que vivem os presos. Os detentos tão amontoados num espaço construído pra abrigar seis pessoas e por apenas 24 horas ? tempo máximo previsto pra eles ficarem na depê até irem pro cadeião.

Na 1ª depê, atualmente, 11 presos tão se acotovelando numa cela projetadas pra seis pessoas. Cinco presos se amontoam numa cela, seis em uma segunda e duas muiés num terceiro chiqueirinho. Como se não bastasse a superlotação, os presos ainda têm que conviver com baratas, ratos e esgoto aberto no chão, resultado de um problema na tubulação dos cubículos. Pra piorar, eles não têm direito a banho de sol e tem gente que não vê a luz do dia há 15 dias. Dentre os trancafiados estão assassinos, traficantes e até viciadinhos. Alguns se dizem doentes e uma moça jura que está grávida. Nenhum deles recebe atendimento médico.

Maykon Costa Crispim, assassino confesso do padre Alvino Broering, foi um dos porta-vozes da turma de trancafiados. ?Não tem como tomar banho, não tem água, nem banheiro. Tem um cara com gripe aqui dentro e não tem remédio pra ele?, lasca o matadô. A solução encontrada pela rapaziada foi mijar numa garrafa de refrigerante.

Um companheiro de cela de Maykon, Rodrigo César Pereira, reclamou que foi acusado de ameaçar o pai pra conseguir grana pra comprar drogas, mas que não merece passar por este perrengue todo. Junto com ele tavam os dois assaltantes paranaenses presos pela central de Operações Policiais (COP), acusados de matar um turista na praia Brava, no fim do ano passado.

Como a delegacia não tem serviço de enfermaria, muito menos de cozinha, os presos se alimentam com a comida trazida por parentes, que é repartida entre eles. Até mesmo as camas, duas em cada cela, são revezadas. ?Quem é daqui e pode receber comida tudo bem, mas tem gente presa que é de Curitiba e até da Paraíba. As famílias deles nem sabem que eles tão presos. Essas condições são desumanas?, berra o preso Cassiano Japrodi.

Ele foi guentado por tráfico e chegou a ir pro cadeião de Itajaí, de onde saiu em 2007 pro indulto e não voltou mais. ?Tenho minha vaga lá no presídio. É um direito meu?, afirma.

Outra saída encontrada por eles é entregar dinheiro pros policiais comprarem comida e cigarro.

Alguns preferem esconder porque foram presos e há quanto tempo estão trancafiados, ou garantem que não devem nada pra justa. Os tiras dizem que já tem gente trancafiada por 23 dias, desde o comecinho do ano. Logo após o DIARINHO conversar com os presos, alguns deles foram transferidos. Maykon e Rodrigo César ganharam uma vaga em São Pedro de Alcântara, mas isso não aliviou a superlotação. Ontem à tarde, 11 presos ainda tavam enjaulados na 1ª depê.

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