• Postado por Tiago

A praia de Taquarinhas, em Balneário Camboriú, que é alvo de um arranca-rabo dos grandes entre ambientalistas e construtores, pode virar um parque estadual. A proposta foi apresentada na última sexta-feira pelo deputado Sargento Amauri Soares (PDT) aos coleguinhas da Leleia. “Basta que o estado indenize os proprietários das terras e teremos um presente pras gerações futuras”, diz o político.

A polêmica que envolve Taquarinhas já se estende há alguns anos. Apesar de ser uma das últimas praias intocadas da Santa & Bela, coberta por mata de restinga, boa parte de suas terras foi comprada pela construtora Thá, que tem o projeto de erguer um resort pros endinheirados na beira do mar.

Acontece que a praia tá incluída na área de Proteção Ambiental (APA) Costa Brava e por isso é necessária a aprovação do conselho gestor pra que qualquer empreendimento role por ali. Beiçudos por não poderem levar seu projeto adiante, os construtores já fizeram de tudo pra tentar enfiar o hotel de luxo goela abaixo no povão. A última tentativa foi questionar na procuradoria jurídica do município a formação do conselho e até a existência da APA.

Diante do perrengue, a organização não governamental (ONG) Ideia começou a colher assinaturas, pedindo a preservação de Taquarinhas. O papéli, hoje com 13 mil canetaços, foi o que convenceu o deputado a abraçar a causa. “Fui procurado por moradores de Balneário e, depois de uma análise jurídica, percebi que era uma ideia interessante e necessária”, afirma.

O presidente da ONG Ideia, Cristiano Voitilla, não acha estranho que o apoio tenha vindo de um deputado que não é da região. “Hoje é tudo uma coisa só. Se construírem um condomínio em Taquarinhas não vai melhorar a economia do mundo. Mas conservá-la vai fazer diferença”, lascou.

Parque é uma boa

A professora e sabichona da Univali, Rosemeri Carvalho Menzi, acredita que a criação do parque seja uma ótima maneira de preservar Taquarinhas do jeitinho que tá. “Hoje a área é de uso particular. Se for um parque, passa a ser de uso público”, diz.

A lei que cria os parques prevê que rolem atividades de educação ambiental, pesquisa e recreação pro povão. “É a chance que teremos de analisar a biodiversidade ali, sabermos se abriga espécies raras ou ameaçadas de extinção”, comentou.

Sargento Soares calcula que, se tudo correr bem, é possível estar com a lei aprovada e sancionada pelo governador até o mês de maio do ano que vem. “Se houver pressão da sociedade pode acelerar o processo. Assim como uma pressão contrária pode deixar que fique durante anos na gaveta”, reconhece.

O advogado da construtora Thá na Maravilha do Atlântico, Osmar Nunes Junior, não foi encontrado pra comentar o que a empresa tá achando da ideia.

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