• Postado por Tiago

O estrago causado pelo despejo de óleo de cozinha no canal do Marambaia, em Balneário Camboriú, pode ser maior do que se imagina. Ao contrário do secretário de Meio Ambiente da city, que não acredita em prejuízos pra natureza, o professor Leonardo Rörig, que é especialista em ecologia e recursos naturais, diz que o impacto pode ser grande. “O perigo de despejar óleo de cozinha na água é similar ao do derrame de petróleo”, avisou.

O professor explicou que todo tipo de gordura tem material orgânico bem concentrado, por isso é que não pode ser descartada em qualquer lugar, nem ser jogada no esgoto pra ser tratada. “Derramar um litro de óleo na água chega a ser pior que despejar um litro de esgoto. Por isso é que ele tem que ser reciclado ou separado”, contou.

O problema é que todo tipo de óleo, por não se misturar à água, acaba formando uma crosta na superfície e impede a passagem do ar. Com isso, peixinhos e plantas podem ser asfixiados. Pra completar, pássaros e mamíferos que tiverem contato com o óleo perdem a capacidade de manter a temperatura do corpo, o que pode ser perigoso.

A boa notícia é que essa mesma propriedade do óleo, de não se misturar, ajuda pra que ele seja retirado da água com maior rapidez. “Facilita a remoção. E se o processo é rápido, é menor a possibilidade do óleo dissolver ou de se associar a outros materiais e sedimentar no fundo”, comentou o professor.

Leonardo diz que, pra saber qual será exatamente o tamanho do estrago, e por quanto tempo poderá durar, é preciso fazer um estudo técnico. “É difícil ter ideia da intensidade porque muitas vezes os danos não aparecem visualmente. Pra um córrego como o Marambaia, a quantidade de óleo despejada é muito grande e tem possibilidade de falta de oxigênio na água e mau cheiro”, alertou.

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