• Postado por Tiago

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O afamado pastel de Belém é vendido no mesmo bat-local há mais de 170 anos, em Portugal. Isso é que é tradição! E a receita é guardada a sete chaves. Só se sabe que leva massa folhada, nata, gemas e açúcar.

 

A palpiteira da Caninana fez a prova dos nove na 23ª Marejada

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Olá, gentarada deste bendito litoral alcoolizado! Tão curtindo bastante as festanças de outubro? Não é pra menos, né, gente? Depois de tanta desgraceira no último ano, a gente tem que extravasar mesmo. Chutar o balde e comer e beber do bom e do melhor, celebrando a vida que Deus nos deu. O brabo é a ressaca no dia seguinte! E não só por causa do bucho. Pior é a ressaca moral!

E como é tempo de Marejada, não podia fugir à missão de testar os sabores da festa. O problema é que nestes cinco anos de coluna, já papei de um tudo na festa do pescado: desde os tradicionais bolinhos de bacalhau a patinhas de siri, camarão à pururuca e invenções como o muvuca dos sete mares, por isso, só ficou faltando testar os doces da festa. Mas não crepe ou churros, que se encontra em qualquer quermesse, mas aqueles que só se vê na Marejada: os doces portugueses e os feitos pelos descendentes de açorianos.

Mas não é tudo português? Até era, quando os primeiros colonizadores açorianos apareceram por estas bandas, no século 17. Mas quando os colonos se viram num lugar onde não tinha os ingredientes que tavam acostumados, a culinária foi se transformando.

Por aqui, os açorianos aprenderam com os índios como substituir o trigo por derivados da mandioca, como o polvilho, ou pela araruta, dando origem a sequilhos de textura leve, crocante. E na falta das amêndoas, os novos açorianos adotaram o coco, não deixando nada a dever aos originais.

Aliás, a troca da amêndoa pelo coco deu origem, lá no nordeste, onde o coco é abundante, a um dos doces mais amados deste Brasil: o quindim. Originalmente, era doce convenial, ou seja, criado pelas irmãs nos conventos portugueses pra aproveitar as gemas, já que as claras eram usadas para engomar os hábitos. E aqui, acrescido de coco (da África), virou o ?quindim?, que significa ?meigo? em africano. Ou seja, é um doce criado na junção de culturas dos três continentes! Em Portugal, tudo o que leva coco é chamado de ?à brasileira?.

 

Queijadinha

Ficou devendo. Preço: 3.

Este é um caso bem interessante. Apesar de ser chamado de queijadinha, não leva queijo, pelo menos, aqui no Brasil. Na receita original, ia queijo curado, de sabor forte, e não levava coco, como aqui. Esta nossa queijadinha é muito comum no litoral brasileiro, não só no sul. Eu lembro que levava a filharada pros casórios dos parentes em Santos e tinha queijadinha por lá.

A que provei na Marejada não revirou meus zoinhos porque tava mole. A casquinha era pra estar crocante e contrastar com o doce de coco. Por isso, se a data de fabricação for acima de três dias, melhor esperar a próxima fornada.

 

Bombocado

Ficou devendo. Preço: R$ 3.

O bombocado é uma receita portuguesa que os descendentes mantêm até hoje. Mas não igualzinho ao de lá, porque em Portugal não tem coco. Lá, eles usam queijo, bastante ovos e açúcar, que dá aquela textura de pudim. Aqui no Brasil, a gente faz bombocado de tudo, até de mandioca ralada, que fica parecendo coco, e em assadeiras grandes. Por lá, assim como na Marejada, se encontra em pequenas porções. O senhor disse que a receita é quase igual à da queijadinha, só não tem a casquinha. Mas a falta de frescor também prejudicou o quitute. Não deu vontade de pedir bis.

 

Doces portugueses

Ficoudevendo. Preço: R$ 4

Para quem gosta de doce superdoce, é um prato cheio. Os folhados recheados de doce de gemas, como o pastel de Santa Clara, estão entre as coisas mais doces que já provei na vida. O pastel de Belém é meio decepcionante quando se sabe que deve comer morninho, logo que sai do forno, com canela por cima. O de amêndoas e o de fios de ovos (que tem um toque de limão) não é folhado, mas tem uma massa que parece empadão doce. Os belos doces portugueses pecaram pela falta de frescor. Dava pra perceber que foram feitoa semanas atrás, pois vêm de Sampa.

 

Rosca de Massa

Supimpa. Preço: R$ 2.

Quem vê aquele par de uma massa escura, até pode achar que é ova frita ou linguiça. Mas até o mais chatinho da redação se rendeu à delicadeza do sabor da rosca de massa, que tava fresquinha, fresquinha. Feita de polvilho, como a tradicional rosquinha, a artesanal rosca, temperada com erva-doce, tem uma textura elástica, como se fosse de goma. A receita é a prova viva da alimentação dos primeiros descendentes de açorianos, que moldavam a rosca na mão e assavam no fogão à lenha, como ainda se faz no interiorzão da Grande Floripa.

 

Pamonha doce

Dos deuses. Preço: R$ 2.

Esta foi a maior surpresa da pesquisa: não sobrou um grãozinho pra contar a história. Eu, que nem sou chegada a milho, comi que me acabei. Talvez porque tenho birra dessa obcessão milho com ervilha que invadiu a culinária peixeira. Mas quando o milho é feito de forma que valorize seu sabor, não tem pra ninguém. E ainda tava morninha. A pamonha é superpopular no interior. É feito com o milho verde ralado e cozido na folha. O sabor é intenso, mas não enjoativo. E além de ser delicioso, sustenta e é riquíssimo em vitamina. Além de ser a cara do Brasil!

 

Fondue de morango

Ficou devendo. Preço: R$ 4.

Este doce não é português, muito menos brasileiro. A origem é suíça, mas tá no pavilhão gastronômico, como os doces portugueses, talvez pra agradar à gurizada que não é chegada a ovo. O fondue já entrou pro festival de comilança brasileira, que se apropria de receitas famosas e as adapta ao seu paladar. Neste caso, o morango não é mergulhado no chocolate a cada bocada, mas é o chocolate que é despejado no morango. O resultado é que o morango cozinha dentro do chocolate quente. Pelo menos, a moça garantiu que não era chocolate hidrogenado e sim mistura de meio amargo com ao leite.

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