• Postado por Tiago

A chuvarada entre sexta-feira e sábado e também na noite do domingão causou o maior estrago em dois morros da Terra do Marisco. No Sertão do Burso, localidade da Santa Lídia, um morro que tá despencando desde a enchente de novembro de 2008, perdeu mais um pedaço. Por pouco, o barro não atingiu uma baia. Já na prainha de São Miguel, outra morro despencou, levando uma montoeira de árvores. A defesa civil da Penha decretou estado de alerta.

De acordo com o comandante dos vermelhinhos e responsável pela defesa civil da Terra do Marisco, Jhonny Coelho, além dos deslizamentos, cerca de 50 casas ficaram destelhadas e várias ruas alagadas na noite de sexta-feira. Já no domingão, como a terra estava totalmente úmida, foi a vez do barro escorrer pelas encostas.

No morro do canto da prainha de São Miguel, boa parte das árvores deslizou junto com a terra. Por sorte, nenhuma casa foi atingida. A baia de número 142, que fica a poucos metros do deslizamento, foi interditada. Os donos não estavam em casa na tarde de ontem, mas a vizinhança afirma que eles não pretendem abandonar a baiuca.

O coordenador da defesa civil já perdeu a paciência com o povo que não quer deixar as áreas de risco. Jhonny garante que, daqui pra frente, que desrespeitar as normas será retirado à força pela polícia Militar. “É um absurdo! Todos que estão ali tem sua boa casa nas outras cidades que vivem e querem vir veranear em área de risco”, lascou o abobrão. “Eles têm onde ficar. Se um morro deste cair em cima de uma casa vão dizer que a culpa é da defesa civil que não tirou”, completa.

Um veranista de Gaspar, que não quis se identificar, dá graças a Deus que a sua baia também não foi barrada pela defesa civil. “O nosso maior medo nem é com o barro, é com as árvores e com uma pedra gigante que tem ali ao lado. Nesta noite, ela já deslizou um pouco por causa da terra úmida. Se ela cair, não sobra mais nada”, diz.

Alfredo Lanfadin, 78, diz que nem viu a terra deslizar e está tranquilo porque acha que o morro não cai em cima de sua baia, que também fica a poucos metros do problema.

Lama no sertão

No sertão do Burso a situação também ficou complicada. Na rua Gervásio João Felício, a antiga rua Universo, o morro que fica dentro do terreno do professor Balbino Francisco Gonçalves também tá deslizando. Uma montoeira de barro já tinha escorrido em 2008 e até chegou a fechar a rua. Mas, por sorte, não atingiu a casa da família.

A mulher do professor, Simone Altenhofen, 36, explicou que eles já tão tentando há cerca de sete meses resolver a situação com a fundação do Meio Ambiente (Fatma). “Nós procuramos o órgão para pegar autorização para arrumar, fazer bancadas no morro pra ele não deslizar. Mas falaram para gente que só se tivéssemos um projeto pronto. Contratamos um engenheiro e já tínhamos até a vegetação pra colocar no local. Há uns três meses que não mandam a resposta para nós”, reclama a muié.

Na Fatma de Itajaí, o gerente Gabriel Santos Souza está de férias e o responsável pelo trampo provisoriamente, Giovanni Voltolini, não tava na tarde de ontem na city e não foi localizado pra comentar sobre a liberação da autorização pra garibada no morro.

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