• Postado por Tiago

Hotel servia de moradia pra famílias inteiras

Famílias que alugavam os quartos do hotel Canorte, em Balneário Camboriú, pra viver, foram postas no olho da rua pela dona justa. O canetaço, assinado pela juíza Marisa Cardoso de Medeiros, deu 48 horas pra que todo mundo carque o pé do hotel e ache outro local pra morar. Sem ter pra onde ir, o pessoal tá apavorado. ?O prazo é muito curto. Não tenho fiador e nem dinheiro pra pagar a mudança. Como é que vou alugar um apartamento??, questiona Cleci Grando, 50 anos, que mora no Canorte com dois filhos pequenos e a mãe.

A decisão saiu na segunda-feira, por conta de um rolo dos grandes. O administrador do hotel, Vicente Rafaeli, 39, diz que dois processos correm na justa envolvendo o terreno. Um deles, do Recife, é uma ação trabalhista contra o antigo dono dos lotes. O outro é um pedincho de reintegração de posse da Companhia de Empreendimentos Minas Gerais (CEMG), do Rio de Janeiro. ?A pessoa que vendeu esse imóvel pra nós ficou devendo pra esse pessoal?, afirma Vicente.

No canetaço da dotôra Marisa, ela diz que a reintegração já tinha sido pedida em junho do ano passado, e estranha o fato de ter chegado às suas mãos só um ano depois. Diante da demora no andamento do papéli, lascou o prazo de dois dias pra que os lotes fossem devolvidos à CEMG.

Foi justamente o que deixou o pessoal do Canorte injuriado. ?Ninguém sabia de nada do que tava acontecendo. De repente, o oficial de justiça apareceu aqui, disse que todo mundo tinha 48 horas pra sair e que quem não obedecer a ordem vai ser retirado pela polícia. Sempre paguei meu aluguel em dia, isso é uma vergonha?, disse a aposentada Maria Dias, 67, que mora há dois anos no Canorte. Ela não tem contrato de locação e paga um salário mínimo ao mês pra viver no quarto do hotel.

A nora de dona Maria, Fabiane Coelho, 26, também tá apavorada com o despejo. Ela mora num quarto com o marido e o filhinho de quatro anos, e diz que não tem pra onde ir. ?Cheguei do serviço e fiquei sabendo que teria que sair daqui. Entrei em pânico. Como podem fazer isso com famílias com crianças e idosos??, reclama, com lágrimas nos olhos.

O administrador, Vicente, diz que os donos do hotel vão recorrer da decisão, mas o prazo foi muito curto pra tentar fazer alguma coisa pelos moradores. ?A juíza não teve a sensibilidade de dar 15 ou 30 dias pra que as pessoas pudessem se organizar?, acredita.

Coisa estranha

No outro lado da história, dotôra Marisa lasca que os donos do hotel já sabiam há mais de um ano sobre a decisão de reintegração de posse. ?Se a intimação acerca da reintegração de posse no prazo de 15 dias ocorreu há mais de um ano, os ocupantes já deveriam ter providenciado novo lugar para morar?, carca.

A magistrada também acha esquisito o fato de o hotel servir de moradia pra tanta gente. ?Parece incompatível com o estabelecimento hoteleiro?, caneteou. Procurada pra comentar a sentença, a juíza preferiu fazer boquinha de siri e não se manifestar.

O mandachuva da fiscalização fazendária no Balneário, Gilberto Hostins, diz que não tem impedimento pros hotéis alugarem quartos pro pessoal morar. ?No meu ver não tem problema. Você pode ficar num hotel o quanto quiser?, garante.

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