• Postado por Tiago

O vice-governador do Estado, Leonel Pavan, está deveras enrolado… Eu, sinceramente, não entendo a lógica que norteia a carreira dos políticos brasileiros. Dizem que têm de angariar dinheiro para financiar as campanhas eleitorais, porque elas custam caro no Brasil…

Vou abrir, aqui, um parêntese para botar os pontos nos “is”: quando dizem isso, estão a confessar, sob o mutismo geral da nação, que as eleições são compradas. Posam de grandes líderes, sentem-se carismáticos, mas é tudo balela! A verdade verdadeira é que a nossa democracia e, nela, o seu principal momento: as eleições, são farsas burlescas. Quem dá o grosso dos votos para os candidatos são os cabos eleitorais. E estes como sabem, mais do que ninguém, com quem estão lidando, à cada eleição elevam mais o seu preço. Somados alguns currais de cabos eleitorais dão os mil e quinhentos, dois mil votos do vereador. Os currais eleitorais de vinte, trinta vereadores, dão os vinte ou trinta mil votos necessários para o candidato se eleger deputado estadual. Os currais eleitorais de quatro ou cinco deputados estaduais elegem um deputado federal. E por aí vai num crescendo, até chegar ao senador da República, ao governador: o mais carismático líder do Estado. Tudo falso. Tudo comprado. Tudo voto de cabresto. Esse é o voto que faz a diferença! O meu, o teu, votos conscientes, justificados, meditados, esclarecidos, valem tanto quanto os dedos que apertam cegamente nas urnas eletrônicas qualquer nome, o ungido pelos donos dos partidos políticos, o primeiro nas pesquisas, o número que os cabos eleitorais lhes indicaram.

Comecei este artigo falando dos maus lençóis em que o vice-governador Leonel Pavan encontra-se enrolado, para tentar expor as minhas perplexidades em relação à lógica que norteia a carreira dos políticos brasileiros. Pois retomo o fio da meada. O sujeito era açougueiro ou churrasqueiro ou garçom, sei lá- todas profissões muito dignas. Ou dono de churrascaria… Aí, é eleito- ou elege-se?- vereador de Balneário Camboriú. Depois, é eleito ou se elege prefeito. Repete a dose por mais duas vezes. Os casos de corrupção vão se acumulando nos escaninhos forenses…

Mas eis que deu-se na vida de Leonel Pavan o primeiro milagre, o da transformação de água em vinho: chega a senador da República! Continua com a cara de suspeito, mas havia duas vagas e ele acaba sendo um dos eleitos. Olha: ser senador é uma glória para quem tem alguma noção das coisas. É o céu na terra! Ser um dos três representantes do nosso progressista e ordeiro- até demais!- Estado de Santa Catarina no Senado Federal, que é a casa da federação brasileira, não é para qualquer um, não. Se bem que desse seleto grupo já fez parte até o Adir Gentil, entronizado pelas mãos ardilosas do Jorge Bornhausen… O Senado, para mim, deveria ser o grande palco dos homens públicos brilhantes e de palavra fácil. Olha o Álvaro Dias (PR). Olha o Cristovam Buarque (DF). Olha o José Agripino (RN). Olha o Arthur Virgílio (AM). Um e outro podem ser picaretas, mas sabem como ninguém esgrimir um discurso lógico e emocional na tribuna do Senado. Há também os senadores reconhecidamente preparados: Aloizio Mercadante (SP), Demóstenes Torres (GO), Jarbas Vasconcelos (PE), Sérgio Guerra (PE), Marco Maciel (PE). Muitos deles também picaretas, mas todos bem dotados intelectualmente. É impossível não perceber a diferença em relação à nossa atual representação no Senado da República: Raimundo Colombo, Neuto De Conto e Ideli Salvatti. Diga-se a bem da verdade: ela hoje não está abaixo de outras tantas de uns tempos para cá. E o nosso senador Leonel Pavan, sofrível, absurdamente sofrível: a mediocridade saltando das telas da TV Senado.

Ele não considerou a possibilidade de que, como senador, tivesse alcançado o pináculo de sua carreira política, e, por isso, não precisaria mais se chafurdar na busca de dinheiro para o financiamento de futuras campanhas eleitorais. Finjamos acreditar que tenha sido esse o único objetivo de sua incessante coleta… Quis trocar de cargo. Para ele talvez ser vice-governador do Estado fosse mais importante do que senador da República. Aconteceu, então, o segundo milagre na vida de Leonel Pavan: agora, o da multiplicação dos pães! Foi eleito vice-governador do Estado.

Inobstante, o vice-governador Leonel Pavan seguiu ignorando aquela possibilidade, até que…o mundo desabou sobre ele, ou, pelo menos, desabaria se o nosso fosse um país sério. A moral da história é que, no carreirismo dos políticos profissionais que temos, nunca chega o cais, o oásis, a “terra prometida”, mesmo para quem não tem nenhum brilho e teve uma origem muito simples.

Edison Jardim

*advogado em Florianópolis,

nas áreas civil e criminal

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