• Postado por Tiago

Duramente criticado

O assunto da semana no mercado financeiro foi a manutenção do juro básico em 8,75% ao ano. Sob o pretexto de que a economia já estaria fora da crise global, a ideia do governo é observar como se comporta o cenário para novas quedas. E ainda mais do que isso: o Banco Central já estaria estudando o enxugamento de liquidez com fim das flexibilizações nos compulsórios dos bancos, que injetaram quase R$ 100 bi no mercado no auge da crise.

Justificativas à parte

Tem uma babilônia de gente criticando a austeridade da gestão do Banco Central para a convergência das metas de inflação previstas em um ano atípico como esse. Agora, para quem está do lado de fora, a medida tem cara de que atende a banqueiros preocupados em ter que aumentar a expansão do crédito, em um ano com tantas renegociações e provisões em balanços.

Fato relevante

A Comissão de Regulação de Valores Mobiliários da comunista China (equivalente à nossa CVM) vai promover o desenvolvimento estável e sustentável dos mercados de capitais do país através de quatro medidas: fortalecimento da infraestrutura do mercado; criação de um mercado de ações nos moldes da Nasdaq americana; incremento do mercado com lançamento de novos produtos para investidores; e transparência nas empresas listadas em bolsas.

Fato relevante 2

Quem divulgou as medidas foi a agência de notícias Xinhua, citando o vice-presidente do órgão, em um momento em que os investidores buscam sinais de ajuda do governo, depois das perdas das ações no mês passado. A notícia intensificou as compras, com a bolsa de Xangai subindo 4,8% na quinta-feira. Não é bom dar mole para o azar. Há sinais de ajuste próximo no ar e essa notícia cheira a más notícias no futuro.

Bola de cristal

A verdade é que há muita especulação sobre a atual fase que estamos vivendo, com uma recuperação dos preços das ações mundo afora da ordem de 50%, segundo a Infomoney. Diante desta recuperação, é natural que um ajuste deva acontecer. Mas pregar uma queda forte fica difícil com as informações que circulam diariamente. Os emergentes BRICs vão bem, a economia americana apresenta resultados mornos mais consistentes, a Europa chegou no fundo e na Ásia a situação não é diferente.

Os principais riscos

A verdade é que muito se falou, mas pouco se fez. Os derivativos estão por aí, o mercado financeiro ainda está fragilizado, as corporações não têm apresentado grandes resultados e as taxas de juros estão na lona. Aparentemente não há notícia de bolhas, então é cenário para ir consolidando resultados lentamente. Entre os entendidos do assunto não há consenso se a recuperação será graficamente representada em forma de “V” “U” ou “W” (que também pode ser na forma de anzol…), apesar de um pouco insólito ao leitor pouco acostumado, o fato que parece simplificar a questão é que a coisa deve progredir lentamente.

Edward Mundy é consultor financeiro da Mundy Intermediação & Finanças Corporativas

[edward@mundyintermediacao.com.br / www.mundyintermediacao.com.br]

Entenda o economês

BRIC: Sigla recente que designa o Brasil, a Rússia, a Índia e a China. Esses países são considerados as economias mundiais emergentes mais destacadas. Também são importantes porque reúnem, juntos, o maior mercado consumidor do planeta.

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