• Postado por Tiago

E para onde vai o juro em 2010?

A forte expansão da economia no último trimestre, comemorada por vários segmentos, projeta preocupações com relação à inflação com a forte demanda que deverão apresentar as vendas de final de ano. Considerando que apenas estamos retomando os níveis pré-crise, a indústria retoma sua capacidade ociosa, porém carente de maiores investimentos que possibilitem a expansão da demanda sem que a inflação retome alta.

O corte dos juros e tributos

É verdade que o grande mérito vai para a condução da política econômica que reduziu juros e cortou impostos, colaborando decisivamente para a retomada da atividade econômica.

E a contrapartida?

Fica na surrada valorização que o real vem sofrendo. No meio da crise e pela única vez foi uma vantagem o relativo fechamento de nossa economia devido à pífia participação que temos no mercado externo. O governo revelou preocupação em relação à essa situação ao adotar medidas que revitalizem as exportações para que possamos ter uma pauta variada e competitiva.

As novas medidas

Então, como primeira medida, implantou-se a cobrança de 2% de IOF sobre entrada de dólares, medida que na prática só aumenta a arrecadação, visto que tem duvidosa eficácia. Agora, o governo deve mesmo partir para as emissões externas fazendo com isso um mercado externo paralelo em reais. Na prática, significa emitir papéis que estarão sendo negociados fora do mercado interno, não tendo impactos em entradas de dólares. Em paralelo estarão também utilizando-se do fundo soberano externo para enxugamento de dólares.

Enquanto isso, lá fora…

O paciente alterna momentos de lucidez e letargicamente tenta recuperar-se aos trancos. A conversa gira em torno da ?bolha? junto aos emergentes e com os problemas do eterno déficit americano, com o presidente Obama preocupado com a situação. Em paralelo, situação bastante semelhante ocorre com a China, que depende das exportações, uma vez que o mercado interno é fraco e terá que definir um novo patamar para sua moeda.

Quer ver o dólar subir

Nesta semana, o ministro Mantega exibiu relatório mostrando que com um dólar a R$ 2,60 não tem pra ninguém. Venceríamos os coreanos e os chineses, inclusive. Como sabem, a cotação atual anda aí pela casa do 1,72 e somente neste ano a valorização foi de 35%. Nos demais emergentes a coisa anda parecida também.

INTERNA_coluna-giro-financeiro_ministro-guido-mantega------fazenda_foto-marcello-casal-Jr-ABR

Ministro Mantega, da Fazenda, quer fazer o dólar subir pra segurar a inflação

Entenda o economês

Fundo soberano: Trata-se de um mecanismo criado para realizar a gestão dos recursos que são oriundos das exportações de países. O brasileiro foi criado em 2008 e, como qualquer fundo, trata-se de um imenso volume de recursos que tem várias finalidades de alavancagem e gestão financeira, portanto sujeito a práticas de boa governança corporativa.

Emissões externas: São papéis emitidos pelo governo brasileiro para investidores externos, sujeito a um prêmio (taxa de remuneração) para quem compra. Os últimos brasileiros saíram na casa dos 8,5% com vencimento em 2028. Seria analogamente comparável aos CDBs que compramos de bancos brasileiros quando fazemos aplicações financeiras.

 

Edward Mundy é consultor financeiro da Mundy Intermediação & Finanças Corporativas [edward@mundyintermediacao.com.br / www.mundyintermediacao.com.br]

  •  

Deixe uma Resposta