• Postado por Tiago

Uma gravação obtida pelo site de política Congresso em Foco deixou o secretário de Educação do estado, Paulo Bauer (PSDB), em maus lençóis. Segundo a gravação divulgada ontem, o deputado licenciado admite que usou uma funcionária fantasma para repassar a verba para um correligionário no estado. Na gravação, o deputado afirma a um ex-servidor da Casa que mandou dois assessores procurarem “uma mulher” para “emprestar o nome”.

Paulo Bauer é secretário de Educação de Santa Catarina. Em seu lugar, está Acélio Casagrande (PMDB). Oficialmente, a pessoa que “emprestou o nome” é lotada no gabinete de Acélio. Na prática, como se constata pela gravação, o que ela ganha de salário é repassado para um correligionário de Bauer em Santa Catarina, o ex-presidente da Câmara Municipal de Joinville, Fábio Dalonso (PSDB).

Gravado por funcionário

O áudio foi feito pelo ex-servidor da câmara, José Cláudio da Silva Antunes, na manhã de 27 de maio, em meio à divulgação da farra das passagens aéreas. O então servidor contou pra Bauer que vendera a cota de passagens aéreas a um agente de viagens. Cláudio afirma que fez tudo a mando do ex-chefe de gabinete do deputado licenciado, João José dos Santos, que nega a ordem. Bauer vem a Brasília, chama Cláudio para explicar o assunto, mas o servidor grava toda a conversa. E ela acaba enveredando para o esquema de contratação de funcionários fantasmas.

De acordo com o áudio, a funcionária foi contratada a pedido do deputado, por meio de João Santos. O dinheiro ficaria com Dalonso, e que, com o apoio de Bauer, tentará disputar em 2010 pelo PSDB uma vaga de deputado estadual. Na conversa, o deputado diz que os valores eram repassados a Dalonso por volta do dia 20 ou 25 de cada mês.

Resposta

João Santos disse, através de e-mail, que não houve nenhuma contratação irregular no gabinete. “Todas as contratações feitas no gabinete do deputado Acélio Casagrande foram de pessoas que prestam ou prestaram serviços, no período do mandato, ao parlamentar em Brasília ou em Santa Catarina, conforme determinam as normas internas da câmara.” Ele disse que não houve repasse de dinheiro para Fábio Dalonso.

Já o secretário não está falando diretamente com a imprensa sobre o caso. Seu advogado, Péricles Prade, disse que Bauer está indignado com esta situação e que nega todas as acusações feitas pelo cara. “Durante quatro anos de mandato como deputado, nunca houve nada que desabonasse o trabalho de Bauer. A gravação foi ilegal, e ele imagina que, com a proximidade das eleições, esta ação tenha interesses eleitorais”, diz o advogado.

Confira um trecho da gravação

BAUER – Bom, a verdade é a seguinte. Os que eu contratei todos trabalham, de lá do estado. A Mirela, a Mirela trabalha, o [inaudível] trabalha, o Reginaldo trabalha. (…) A mulher do Petrônio trabalha. São pessoas conhecidas e identificáveis.(…) Só uma pessoa de Brasília que foi colocada, a meu pedido, porque não dava para colocar o Fábio Dalonso.

CLÁUDIO – Huhum…

BAUER – Certo? Isso por um tempo. Agora, tanto é que o dinheiro que essa mulher recebe é passado mensalmente pro Fábio Dalonso, dia 20, 25. Não sei se você tem conhecimento disso.

CLÁUDIO – Não tenho não, senhor.

BAUER – Pra todos os efeitos, uma pessoa, eu pedi pro João, se ele poderia encontrar alguém que poderia emprestar o nome.

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