• Postado por Tiago

“Olá, Quirino, tudo bem? Em análise ao seu comentário sobre pesquisas eleitorais e sua representatividade em relação à população de pesquisa, gostaria de posicionar que:

1) A amostragem de uma pesquisa quantitativa segue como referência a diversidade de uma população em relação ao fenômeno de pesquisa “comportamento eleitoral/intenção de voto”. Isto significa que quando realiza-se uma amostragem podemos garantir dois aspectos:

a) que a população estará representada, com garantias estatísticas, em sua diversidade pela sua distribuição espacial, por gênero, faixa etária etc.

b) que tal distribuição é a mesma que se encontra na população de pesquisa.
Então se 2% da população está morando no bairro “x”, teremos 2% da amostra deverá ser coletada neste bairro. Assim também para outros parâmetros de
amostragem.

2) Este processo assegura confiabilidade estatística e garantias de distribuição da população segundo determinados parâmetros. Alguns “institutos” ou seus representantes que afirmam que com 300 entrevistas se conseguiria “conhecer” a sociedade de uma determinada cidade torna mais um desvio intuitivo do que um processo testado pela ciência de longa data. Mas ainda existem e não nos são estranhos.

3) Como se pretende conhecer o comportamento de uma população em relação a um fenômeno de pesquisa, a amostragem firma-se na representatividade estatística da amostra para esta diversidade.Isto significa que grupos com comportamentos relativamente comuns conformam-se em determinados parâmetros. Por exemplo, grupos etários de 18 a 24 anos convergem em: não ter profissão definida ou estarem em formação
profissional inicial, não terem filhos, obterem suporte financeiro de família, não terem independência emocional e material para suportar sua própria vida social, ter como filosofia de vida a sua própria eternização com baixa responsabilidade sobre seu futuro imediato etc. Grupos etários de 25-34 anos (veja que o intervalo etário é distinto) convergem em outras características…

4) Na medida que uma população de pesquisa cresce, a amostra se estabiliza.
Por isso é possível realizar amostragens seguras com 2.000 entrevistas em São Paulo ou no Brasil e com 650 entrevistas em Itajaí para o mesmo tipo de investigação. Isto porque a amostragem concede garantias estatísticas em relação à diversidade considerada existente na população de pesquisa. Assim, mesmo que varie muito uma população de pesquisa, a amostragem se aproximará em quantidade de entrevistas.

5) Em geral, a interpretação imediata de uma pesquisa é vinculada à população. Mas isto não é correto, pelos motivos apresentados acima.

6) De todo modo, para se interpretar um resultado de pesquisa, é necessário saber os parâmetros de amostragem como Intervalo de Confiança (z), Erro Amostral, População de pesquisa (N), amostra (n), parâmetros de amostragem (”p” e “q”, caso hajam). Sem isto não há confiabilidade na interpretação e
inviabiliza-se qualquer comentário.

7) O principal problema de uma pesquisa não está em processo de amostragem – a não ser quando não são utilizados e a pesquisa caracteriza-se como “intuitiva” e estatisticamente inconfiável – mas a formação e controle
qualitativos no processo de planejamento e execução da pesquisa. Isto se refere à formação de supervisores e pesquisadores de campo, condições de trabalho (deslocamento, seguro de vida, alimentação adequada, vestes
[considerações semi-óticas], “ação comunicativa” (métrica, tom de voz, palavras-chave, recorrência, silêncios etc.). No Brasil há muitas dúvidas sobre a segurança de dados – inclusive oficiais – sobretudo expostas por institutos mal-intencionados ou mal formados (intuitivos).
Há mais, porém não quero lhe tirar a paciência com tantos dados.Ficamos ao seu inteiro e irrestrito dispor para quaisquer esclarecimentos e sanar dúvidas que possamos ter colocado.”

Ass: Sérgio Saturnino Januário,

instituto de Pesquisas Sociais Univali

(Transcrito ipsis litteris)

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