• Postado por Tiago

Das empresas que formam o consórcio contratado de forma emergencial pela Secretaria Especial de Portos (SEP) pra reconstruir os dois berços do porto de Itajaí detonados pela enchente, pelo menos uma é ligada a um grupo já conhecido na cidade peixeira de outros carnavais. A Constremac faz parte do grupo Copabo, dono também da empresa Copabo Infraestrutura Marítima, que ficou famosa em Itajaí há oito anos, quando estourou o escândalo conhecido como “defensas de ouro”.

O grupo Copabo, iniciado em São Paulo em 1968 e que hoje atua nos setores de engenharia, mineração, petroquímico, eólico, infraestrutura e prestação de serviços em obras de engenharia industrial, portuária e marítima, é constituído pelas empresas Copabo Indústria e Comércio Ltda, Copabo Construções Ltda, Copabo Infraestrutura Marítima Ltda e a Constremac Construções Ltda, que faz parte do consórcio que ganhou o trampo pra reformar os berços do porto peixeiro.

Entre os anos de 2001 e 2002, o DIARINHO publicou diversas reportagens denunciando um esquema de fraude na licitação feita pelo porto, em 2000, que favoreceu a empresa Copabo, bem como indícios de superfaturamento no preço das 63 defensas instaladas no cais comercial do porto e no píer turístico de Itajaí. Na época, os abobrões do porto falaram que era tudo mentira. Mas o Tribunal de Contas da União (TCU) comprovou que rolou mesmo sacanagem nos bastidores no processo licitatório.

Sobrou pro diretor técnico

Em 2004, o TCU acabou concluindo que, de fato, a Copabo foi favorecida na licitação, assim como entendeu que não havia como provar o suposto superfaturamento das defensas. A bronca pela fraude na licitação acabou sobrando pro então diretor técnico do porto de Itajaí, Cássio Rogério Rebello, que foi multado.

O então superintendente do porto e atual representante de Itajaí no Conselho da Autoridade Portuária (CAP), Amílcar Gazaniga, foi absolvido pelo TCU de qualquer responsabilidade na licitação fraudulenta, assim como os membros da comissão de licitação. Cássio Rebello pagou o pato sozinho.

De acordo com o que a equipe do DIARINHO apurou na época, a bronca começou em Brasília, onde lobistas fizeram a ponte entre o Ministério dos Transportes, a empresa paulista Copabo e a diretoria técnica do porto de Itajaí, através do escritório de um deputado federal de São Paulo, a fim de aproveitar as gordas verbas previstas no orçamento destinado à modernização de portos.

Processo tramita em Porto Alegre

Além de multado pelo TCU – primeiro em R$ 20 mil, depois de recorrer o valor da multa baixou para R$ 5 mil –, Cássio Rebello também foi alvo de ação do Ministério Público Federal (MPF) em 2007. “A conduta beneficiou a empresa Copabo, em detrimento das demais empresas licitantes, que tinham direito de concorrer em igualdade de condições”, disse na ocasião o procurador da República em Itajaí, Roger Fabre.

Na dona justa federal da Santa & Bela, o juiz Antonio Fernando Schenkel do Amaral e Silva considerou que o MPF não tem que meter o bedelho no caso porque isso seria responsabilidade do ministério público estadual, apesar de a encrenca envolver verbas federais. O MPF recorreu e a ação agora tramita no Tribunal Regional Federal da 4º Região, em Porto Alegre, que vai resolver a pendenga.

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