• Postado por Tiago

PORTO-ESPECIAL

Lojas e comércios pequenos sofreram com as águas e com a crise no porto

Lideranças empresariais e trabalhistas ouvidas pelo DIARINHO têm a mesma opinião sobre os resultados da enchente de novembro de 2008: nenhum setor da economia itajaiense escapou da crise econômica provocada pela catástrofe que começou a exatamente um ano. Uns sofreram o baque diretamente, como foi o porto, que até hoje bambeia as pernas e não consegue voltar aos mesmos patamares de antes da desgraceira. Outros, como o ramo supermercadista e as lojas de móveis e eletrodomésticos, conseguiram dar a volta por cima e acabaram aumentando as vendas ao longo de 2009.

Não há números oficiais sobre os efeitos da enchente na economia de Itajaí. ?Esse levantamento geral não foi feito por nenhuma instituição. Os cálculos foram irreais e os estimados muito menores que o real?. A crítica é do sindicalista Oswaldo Mafra, presidente da Força Sindical em Santa Catarina e do sindicato dos Trabalhadores em Indústria da Alimentação da Região de Itajaí. Mafra arrisca a dizer que nos primeiros meses pós-enchente quatro mil pessoas ficaram desempregadas na cidade.

Prejuízos não foram levantados oficialmente

A incompetência da administração municipal e das representações de setores produtivos em não estimar os prejuízos econômicos da cidade é admitida também pelos empresários. ?Devido ao universo de fatores e indicadores necessários para uma estimativa dessa natureza, fica prejudicado fazer qualquer juízo de valor?, diz Ademar Avi, presidente da intersindical Patronal. A fala é bonita, mas serve apenas para revelar que nem mesmo os empresários sabem o quanto a cidade perdeu. ?Difícil estimar?, afirma Marco Aurélio Seára Júnior, chefão da associação Empresarial de Itajaí (ACII).

Os únicos que fizeram sua lição de casa foram os comerciantes. Charles Seeberg, presidente do sindicato do Comércio Varejista de Itajaí (Sincomércio), tem a estimativa para seu setor. ?Naquele primeiro momento, em dezembro, grande parte das lojas teve de 30 a 50% na queda das vendas. Entre janeiro, fevereiro e março, as vendas voltaram a aquecer um pouquinho, mas logo em seguida retomamos os prejuízos?, lamenta.

Mas isso não vale para todo o comércio. Seguindo uma tendência nacional, os supermercados vão bem, obrigado. As lojas de eletrodomésticos e as concessionárias de veículos, também. Esses dois ramos do comércio, lembra o presidente do Sincomércio, foram beneficiados com a redução do imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a chamada linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar) e para os carangos.

Lojas de móveis também se deram bem. O povão precisou comprar armários, mesas, sofás, camas e guarda-roupas destruídos pelas águas. ?Foi fundamental a liberação imediata do FGTS para todos os trabalhadores e seus familiares que foram atingidos pela enchente?, ressalta Paulinho Ladwig, presidente do sindicato dos Comerciários e representante da Central Única dos Trabalhadores na região.

Oficialmente, a administração municipal não informou sobre qualquer levantamento ou estimativa dos prejuízos na cidade. Se tem algo do gênero, tá fazendo boquinha de siri. Rogéria Gregório, secretária de Desenvolvimento, Emprego e Renda (Sedeer) da prefeitura, foi contatada na sexta-feira por telefone e através de dois endereços de e-mail. Até ontem à noitinha, não havia se manifestado.

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