• Postado por Tiago

Outro sabichão acredita que peso mal distribuído foi a causa do naufrágio

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Povão curioso continua indo ao parque náutico pra ver o atuneiro

O engenheiro mecânico Rubens Birch Gonçalves, que trabalhou na construção do Alalunga V, diz que um vento forte pode ter causado o naufrágio da embarcação, ocorrido em três de julho no rio Itajaí-açu. Professor do curso de Tecnologia em Construção Naval da Univali, ele diz que a hipótese mais provável é a de que o barco, por estar leve demais, perdeu seu centro de gravidade e emborcou ao receber a rajada de vento.

Rubens explica que o Alalunga já teria sido armado com os equipamentos de pesca e parte da tripulação. O problema é que não havia sido lastrado. Ou seja, recebido o peso suficiente para que seu ponto de gravidade ficasse o mais baixo possível. O abastecimento de água, gelo e óleo diesel fariam o lastro.

Levinho, o atuneiro virou uma espécie de joão bobo. ?Nessas condições, e naquela localidade aberta e em curva de rio, qualquer rajada de vento forte pode balançar muito a embarcação?, analisa o engenheiro, completando: ?Se ela balança o suficiente para ultrapassar o ângulo máximo de inclinação, é questão de segundos para que o barco naufrague?.

O especialista diz que o tombamento do barco, nas condições em que citou, é tão rápido que é quase impossível algum tripulante se jogar na água antes que ele vire por completo. ?Quem está no convés e percebe a situação até consegue sair, mas se tem gente no porão de pesca, na copa ou na praça de máquinas, afunda junto?, afirma.

Rubens tem 22 anos de experiência na área e 18 deles diretamente na construção de barcos de pesca. Ele foi um dos especialistas que construíram a embarcação naufragada.

Outro especialista aponta negligência

Roberto Barddal, coordenador do curso da Univali, aponta outra hipótese. Para ele, existe a possibilidade de falha ou negligência do responsável pela navegação da embarcação. Barddal ressalta que esta teoria somente poderia ser levada adiante caso se confirme que o Alalunga estivesse armado com os equipamentos de pesca, com tripulação e lastrado (água, óleo e gelo). Nesse caso, teria sido a má distribuição do peso a consequência do naufrágio.

A delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí, através da assessoria, informou que o início do inquérito para investigar as causas do acidente depende do resgate do Alalunga. Somente quando a embarcação for retirada do rio, começarão as perícias.

O naufrágio

O barco de pesca Alalunga V naufragou na manhã da sexta-feira, três de julho, nas águas do rio Itajaí-Açu. Estava com quatro tripulantes: Laureano Paulo Schuofer, de 41 anos, Geisel Alcemir Peixoto, 26, Marcos Gonçalves Francisco, 53 e Manoel Francisco Pereira, 47. Dois deles chegaram a ficar trancados no porão da embarcação.

Eles foram resgatados pela equipe do corpo de bombeiros, com o auxílio de funcionários de uma empresa especializada em mergulho.

Duas tentativas frustradas já foram feitas para tentar tirar o atuneiro da água.

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