• 15 jan 2010
  • Postado por Tiago

“O Pavan não é nenhum inexperiente para cair numa esparrela dessas. Ele foi vereador, prefeito de Balneário Camboriú por três vezes, foi deputado federal, senador, e eu acredito que ele não terá nenhuma dificuldade em provar a sua inocência”

DIARINHO – Como o senhor avalia estes seus sete anos à frente do governo do estado?

Luiz Henrique da Silveira – Eu atingi as metas a que me propus e superei até as minhas expectativas. Na área de infra-estrutura, por exemplo, consegui deixar todos os municípios ligados com estradas asfaltadas. Se você olhar aqui para o lado, o Rio Grande do Sul tem 108 municípios sem acesso pavimentado, e nisso Santa Catarina tem um diferencial extraordinário. Outro desafio que nós encontramos e achávamos que não conseguiríamos transpor era a falta de energia elétrica nas propriedades rurais. Nós tínhamos 39500 agricultores vivendo na escuridão total e conseguimos que todas estas propriedades tenham energia. Estes são dois exemplos das metas que nós atingimos na infraestrutura. Deixamos uma rede de centreventos no estado todo, passando por Criciúma, Itajaí, Jaraguá do Sul, Ituporanga, por exemplo. Estes centreventos darão um crescimento fantástico na geração de empregos via turismo, e esta é uma meta que nós cumprimos. Jamais imaginávamos que iríamos conseguir recursos para comprar os uniformes escolares completos para os 150 mil estudantes da rede estadual de ensino, assim como o material escolar.

DIARINHO – O senhor subiu três posições no “ranking dos governadores” do Instituto Datafolha, saindo da oitava pra quinta posição. Como avalia esta ascensão?

LHS – Esta pesquisa é muito litorânea. Se ela abrangesse o oeste, o meio-oste, a serra, se ela se aprofundasse pelo estado, eu não tenho dúvidas que estaria liderando esta pesquisa. Temos outras pesquisas que são realizadas por todo o estado, e o resultado é bem diferente.

DIARINHO – Mesmo se Leonel Pavan decidir não assumir o governo do estado, o senhor irá renunciar no dia 5 de abril pra concorrer ao Senado?

LHS – Em primeiro lugar, minha candidatura ao Senado não é um desejo meu, mas é um desejo da polialiança e de suas lideranças. Eles entendem que minha candidatura ao senado ajuda a puxar mais votos para a chapa. Agora, eu acredito na inocência do vice-governador Leonel Pavan (PSDB), porque estamos há três anos no governo juntos, e eu fiz dezenas de viagens ao exterior, quando ele assumiu o governo e sempre agiu com correção. Por outro lado, o Pavan não é nenhum inexperiente para cair numa esparrela dessas. Ele foi vereador, prefeito de Balneário Camboriú por três vezes, foi deputado federal, senador, e eu acredito que ele não terá nenhuma dificuldade em provar a sua inocência.

DIARINHO – O senhor completa 70 anos em novembro de 2010 e mais de 40 destes anos foram dedicados à vida pública. O senhor pensa em se aposentar depois de cumprir o mandato no senado, se eleito?

LHS – É difícil você estabelecer o que vai acontecer em três, quatro anos. Eu penso em disputar meu último mandato neste ano, agora a política tem as suas surpresas, mas eu penso que este é meu último mandato, até porque este seria meu 12º mandato consecutivo desde 1970.

DIARINHO – O PT e o PMDB fecharam um pré-acordo eleitoral em outubro do ano passado. Depois disto, outro grupo dentro do partido lançou o nome de Roberto Requião pro governo federal. Como ficará essa aliança?

LHS – Não houve acordo entre PMDB e PT, mesmo porque acordos só podem ser feitos quando a convenção nacional do partido assim decide ou, na pior das hipóteses, o conselho nacional, que é composto por todos os presidentes estaduais do partido e pelos governadores, que definem a respeito de qualquer questão. O que houve foi apenas uma conversa de alguns líderes do partido. Partido que não defende candidatura própria como primeira opção não é partido, e nós entendemos que o MDB, como o partido com o maior número de prefeitos, vereadores, deputados, deve ter candidato próprio. Ele é o governador do Paraná, Roberto Requião, e nós iremos apostar nele. Eu não vou configurar outra hipótese a não ser esta.

DIARINHO – Num primeiro momento, as declarações davam conta de que Leonel Pavan seria o candidato da Tríplice Aliança. Depois, disseram que quem estivesse melhor nas pesquisas seria o candidato. Agora, Pinho Moreira vem dizendo que será o nome escolhido pela Aliança. Qual destas conversas é a que vale?

LHS – A conversa que sempre valeu entre nós foi esta, de que quem estiver melhor nas pesquisas será o candidato da Tríplice. O Pinho tem que dizer que ele é o candidato mesmo, e é isto que eu desejo que aconteça, já que ele é meu companheiro de partido. Agora, todos nós concordamos que o candidato a governador será aquele que tiver melhores condições aferidas para o momento da decisão, que será no mês de julho.

DIARINHO – É a segunda vez durante o seu governo que denúncias de corrupção acontecem dentro da secretaria da Fazenda. O senhor pretende aumentar a fiscalização dentro das secretarias ou acredita que os casos são isolados?

LHS – Não tem problema nenhum com a secretaria da Fazenda. No governo anterior, o problema foi apenas com um fiscal, não era nada sistêmico. O fiscal foi afastado, e o secretário na época, Max Bornholdt, entendeu que não deveria continuar, não porque tivesse culpa, mas porque o problema aconteceu em sua secretaria. Neste caso atual é o contrário, a secretaria da Fazenda não renovou o registro da empresa, ela vem desempenhando uma fiscalização rigorosa, principalmente no setor de combustíveis, para combater a sonegação.

DIARINHO – Alguns peessedebistas levantam a hipótese de que as investigações contra o vice-governador Pavan tenham cunho político. Uns dizem que poderia ter sido um conluio de dentro do próprio governo. Outros vão mais além e dizem que existe a influencia do ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), na polícia Federal, para incriminar tucanos. O senhor acredita nessas hipóteses?

LHS – A primeira hipótese eu descarto totalmente, e eu não quero acreditar na segunda, até porque eu conheço o ministro Tarso Genro, ele foi meu colega quando eu era deputado federal, e sempre foi um homem muito decente. O que eu acredito é que o vice-governador Leonel Pavan vai demonstrar sua inocência neste caso.

DIARINHO – O senhor planeja fazer alguma reforma em seu secretariado?

LHS – Não tem nem razão para isto, estou muito satisfeito. Só sairão aqueles que quiserem ser candidatos.

DIARINHO – O senhor disse que Leonel Pavan assumiria o governo assim que quisesse. Acredita que isso deva acontecer em breve?

LHS – Eu dei a minha palavra ao vice-governador que entregaria o cargo para ele, então ele vai decidir. Estamos com viagens oficiais programadas para o exterior e, na volta, vamos nos reunir e discutir este assunto.

DIARINHO – Algum dos adversários da Tríplice Aliança pode ser considerado uma ameaça?

LHS – Eu sempre fiz política pensando nos resultados e não nos adversários. Eu conheço a obra administrativa que fizemos em Santa Catarina, e eu venci as últimas eleições rompendo uma tradição de disputas muito acirradas, ganhando com mais de 200 mil votos de vantagem. Eu sei que nosso governo tem respaldo para continuar governando o estado, e isto é reconhecido pelos nossos adversários. Nem PP, nem PT consideram a hipótese de concorrer sozinhos. A consciência de sua fraqueza eleitoral é tanta que terá muito rompimento com as bases. Por outro lado, o que aconteceu nas últimas eleições? A polialiança tem 205 das 290 prefeituras do estado, 70% de todas as prefeituras, incluindo vice-prefeitos, vereadores. Na última eleição fizemos esta votação, e é este patrimônio eleitoral que nós levamos.

DIARINHO – Em todas as pesquisas de intenção de voto ao Senado, o seu nome e o do ex-governador Esperidião Amin aparecem na liderança. O senhor acredita que ele possa querer fazer uma comparação entre as duas gestões à frente do governo do estado na campanha?

LHS – (Risos). Esta comparação não precisa ser feita, ela foi feita na última eleição, quando o povo mostrou claramente a preferência pelo nosso modelo.

“Nem PP, nem PT consideram a hipótese de concorrer sozinhos. A consciência de sua fraqueza eleitoral é tanta que terá muito rompimento com as bases”

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