• 26 nov 2009
  • Postado por Tiago

Depois de uma novela que durou seis meses, finalmente a Guarda Municipal de Balneário Camboriú foi criada. Agora, o secretário de Segurança Pública da cidade, Adélcio Bernardino, fala para a Entrevista do DIARINHO as implicações políticas da criação da guarda e outras medidas que podem ser tomadas para reduzir a criminalidade na região.

DIARINHO ? O senhor acredita que a aprovação da guarda municipal foi um vitória política, e dará mais força ao governo Periquito?

Adélcio Bernardino- Com certeza, eu vejo que vem a agregar ainda mais no conceito que o prefeito tem dentro do contexto político, mesmo porque ele já tratava do assunto desde a campanha. Ele sempre quis a criação da guarda municipal, e estamos trabalhando no projeto desde que assumimos o governo. Não iremos acabar com a criminalidade, mas iremos trazer, com certeza, mais segurança para Balneário Camboriú.

DIARINHO ? Já se comentou sobre a possibilidade da criação de uma Guarda Civil Metropolitana, que agiria em toda a região, como Itajaí, Camboriú e Itapema, além de Balneário Camboriú. O senhor acha que a ideia pode vingar?

Adélcio Bernardino – Eu não tinha ouvido ainda falar nesta proposta, o processo de criação da guarda está tramitando faz algum tempo e eu confesso que nunca fomos procurados para conversas sobre este sentido ainda. A primeira atitude a ser tomada é a criação da região metropolitana. É bem possível sim, seria um instrumento diferente para reduzir os problemas em relação a segurança. A criminalidade não acontece só aqui, se você aperta um pouco aqui, ela migra para lá. Neste contexto, seria uma grande conquista para a região se fosse feito.

DIARINHO ? Em Camboriú, foi instaurado o polêmico toque de recolher, onde menores de idade teriam restrições do horário para circular nas ruas. A ideia de criar algo parecido em Balneário chegou a ser comentado na câmara de vereadores. O senhor acredita que uma cidade turística, como Balneário, tem condições de conviver com um toque de recolher?

Adélcio Bernardino – Neste contexto, acho que é um assunto bem delicado, tem que ser bem trabalhado. Quem teria que atuar neste sentido seria o judiciário, lá em Camboriú foi o juiz da infância e da juventude que, conversando com a prefeita Luzia Coppi (PSDB), chegaram a este consenso, e decretou a portaria. Aqui em Balneário é uma cidade turística, iremos receber gente de toda a parte do Brasil e do mundo, e se implantado teria de ser tratado de maneira diferente de como foi em Camboriú, não só com o executivo, mas também com o judiciário.

DIARINHO – O secretário de Segurança Pública do Estado, Ronaldo Benedet (PMDB), tem sido muito criticado, inclusive por outros emedebistas. Como o senhor avalia a gestão do secretário?

Adélcio Bernardino – Nos temos que entender que o Benedet é um funcionário, um empregado, não depende só dele o aumento do efetivo de policiais. Esta defasagem vem ocorrendo de governos anteriores, tanto é que a maioria dos municípios do estado tem um convênio com as polícias, que dá condições de trabalho a elas, como aqui em Balneário. Tem cidades que se não houvesse este convênio, a situação ficaria muito complicada, talvez até deixasse algumas viaturas paradas. O efetivo da PM hoje teria de estar próximo dos 25 mil policiais, e devemos ter hoje menos de 12 mil, um déficit muito grande. Se nós seguirmos as orientações da ONU em relação à segurança pública, teríamos que ter, em Balneário Camboriú, no mínimo 500 policiais, e hoje temos cerca de 140. Vai fazer 10 anos que eu estou na reserva da PM. Há 20 anos atrás, quando eu ainda estava na ativa, a população não passava dos 60 mil habitantes, e hoje temos mais de 100 mil habitantes. Deveríamos ter 500 PMs e hoje não temos nem 150. Naquela época, eram 230 policiais, então há 20 anos o efetivo era maior e a população da cidade era muito menor. Então, com estes novos 200 guardas municipais, ainda ficará um vazio muito grande para chegar naquela orientação da ONU. Hoje o efetivo todo do batalhão que atende Camboriú, Itapema, Bombinhas, Porto Belo, Tijucas, toda essa região, não chega a 300 policiais. Claro, encher a cidade de policiais também não vai acabar com o problema, temos que investir em políticas sociais, temos que circundar o problema, com ações em vários setores.

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