• Postado por Tiago

Projeto pra alunos da rede estadual de ensino revoluciona o método de aprender a surfar

Cerca de 20 alunos de escolas estaduais de Itajaí estão estudando e se divertindo ao mesmo tempo. Ao saírem das aulas de história, português e ciências, garotos e garotas de colégios como Victor Meirelles e Nereu Ramos entram em outra sala de aula, o mar da praia da Atalaia, onde participam do projeto semanal Surfe Solidário, coordenado pela associação Escola de Surfe Amigos da Atalaia, que também dá aulas aos domingos.

Desde outubro, quando recebeu 29 mil reales do governo do estado, o projeto vem crescendo. Tanto que pro ano que vem o coordenador Gustavo Leipnitz espera muito mais. ?O levantamento do projeto é excelente. A tendência é estar superlotado?, diz. Pós-graduado em educação física e escolar, Gustavo considera o projeto muito mais do que uma simples aula de surfe. ?É uma extensão da escola. Aqui eles aprendem matemática, geografia, português. Se um aluno chega falando errado, digo pra ele voltar pra casa e ler o dicionário?, lasca.

Formando cidadãos

As falas de Gustavo podem parecer duras, mas têm um propósito. ?Queremos formar um ser humano, uma pessoa crítica e autônoma, que saiba discernir o certo do errado. Não queremos alunos dependentes dos professores?, diz.

Ontem, quando a reportagem do DIARINHO foi à praia da Atalaia acompanhar as aulas, era a primeira vez que os alunos não tavam acompanhados de instrutores na água. ?É pra perceber os riscos. Se estiverem sozinhos no mar já sabem o que fazer?, conta o coordenador.

Sem querer alfinetar ninguém, Gustavo fala que o objetivo das aulas não é fazer os alunos ficarem em pé em cima da prancha e aplaudí-los pela onda surfada. ?Não somos uma escola de surfe normal. Estamos fundamentados em artigos e leis, usamos livro pra educação e temos uma didática?, explica.

Sem preconceito

Professor mais experiente do projeto, Carlos Machado, o Negs, tem 26 anos de surfe e diz que já sofreu com o preconceito de que surfe era esporte de maconheiro, drogado. ?No começo, tive que esconder dos meus pais que surfava. Até os anos 90 tinha um pouco de preconceito. Hoje, os pais levam o filho pra praia. Se tornou uma coisa familiar. Acredito que hoje não tenha mais isso?.

Oportunidades e surpresas

Pra dar conta de ensinar à garotada a arte do surfe e da cidadania, o projeto, que é gratuito, conta com mais dois professores voluntários. Um deles é Kennoty Lucas Worspite, de 20 anos, que, apesar do nome, é brasileiro mesmo. Mesmo tendo que pagar a faculdade de educação física, ele não ganha nada pra dar aulas.

Já o aluno do Victor Meirelles, Rodrigo da Costa, de 16 anos, largou a bola pra se dedicar ao surfe. ?É um esporte novo, tem que ter força de vontade?, fala. Ângela Cestário, 16, fala que passou a conhecer Rodrigo, seu colega de colégio, só por causa do surfe. ?Conheci gente da minha escola que não conhecia. Nunca tive contato com o surfe e agora não quero parar de jeito nenhum?.

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