• Postado por Tiago

Crianças com deficiência ganham atenção especial dos professores

Reportagem Patrícia Auth

Fotos Arquivo secretaria de educação de Itajaí

Desde quando foi lançado o projeto de inclusão social nas escolas municipais de Itajaí, em 1998, o número de crianças e adolescentes que passaram a frequentar as aulas regulares não para de crescer. Há quase 11 anos, quando tudo começou, somente 58 famílias toparam o desafio de deixar os filhos deficientes estudarem em colégios considerados comuns. Hoje, o número é grande. Ao todo, 806 crianças com algum tipo de deficiência frequentam as escolas todos dos dias.

O avanço, garante o supervisor de educação especial da secretaria de educação peixeira, Álvaro da Silva, foi motivado pela quebra de preconceito, especialmente entre os próprios familiares dos deficientes. ?Antigamente, a pessoa com deficiência era mantida dentro de casa. Os pais superprotegiam e até escondiam que tinham um filho com problema. O deficiente era considerado um coitado?, relata.

Álvaro sentiu isso na pele. O atual barnabé da prefa é cego desde 1980, quando tinha 18 anos. A cirurgia pra curar a miopia não deu certo e ele acabou perdendo a visão, mas não desistiu de viver. Contra a vontade da mãe, Álvaro foi estudar. Se formou em pedagogia e fez especialização na área da deficiência visual. Hoje, encara o desafio de coordenar os trabalhos de educação especial no Itajaí.

O funcionamento

A secretaria de educação peixeira acompanha todos os casos de deficiência nas escolas. No relatório apresentado pelo supervisor de educação especial, são incluídos desde alunos com baixo nível de visão e cegos, até estudantes que escutam pouco e totalmente surdos, passando por deficientes físicos e com distúrbios mentais.

Nas salas de aula, estas crianças ganham atenção especial, mas acompanham as atividades com os outros alunos, sem restrição de lugar. Os deficientes ocupam as mesmas salas de aula e carteiras que os estudantes ditos ?normais?. As provas são feitas de maneira diferente. A exigência é menor e cada professor tem a sua maneira de avaliar. ?A nossa intenção é normatizar a avaliação nas escolas para as pessoas com deficiência. Estamos criando esse projeto e ele deve ser repassado pro conselho municipal ainda este ano?, disse Álvaro.

Pra atender as pessoas com deficiência, as unidades de educação precisaram de mais profissionais. Além dos professores regulares, as creches e escolas que possuem alunos especiais, que necessitam de ajuda pra se alimentar e locomover, contam com monitores. Ao todo, são 150 na rede municipal.

Mais tempo na escola

As crianças e adolescentes com deficiência que fazem parte da rede municipal de ensino têm um complemento de atividades pelo menos duas vezes por semana no contraturno escolar. O Centro Municipal de Educação Alternativa de Itajaí (Cemespi) abriga 380 dos 806 alunos especiais peixeiros. ?Essa complementação atinge desde a parte médica até o desenvolvimento motor?, explica Álvaro.

O supervisor conta que a atividade extra não é feita só pela prefa através do Cemespi, até porque a demanda é grande. Órgãos independentes, como a Apae, também prestam auxílio e os pais das crianças especiais decidem onde os filhos irão receber o complemento educacional.

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