• Postado por Tiago

INTERNA-POLÍCIA-ABRE---PÁGINA-CINCO----RUBENS-FLÔRES-p---operacao-arrastao---foto-c-rubens-flores-25mar09

A operação Arrastão foi comandada pelo grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público catarina, em parceria com a polícia Federal. Ao todo, 19 pessoas foram grampeadas por envolvimento com o jogo ilegal. Entre elas tavam empresários da jogatina e policiais militares e civis que faziam corpo mole e deixavam os cassinos funcionarem. Entre os homisdalei tavam dois delegados: dotô Ademir Braz de Souza, de Brusque, e Wilson Carvalho, de Tijucas.

As investigações duraram um ano e revelaram que milicos e tiras recebiam uma graninha pra deixar as maquininhas engana-otários funcionarem a pleno vapor. Além da dinheirama, também rolava uma troca de favores das grandes.

Os policiais avisavam o chefe da quadrilha, Aleander Muller, cada vez que ia rolar um atraque contra a jogatina. O esquema era tão bem feito que logo depois da apreensão o bando pintava na delegacia e trocava as peças guentadas por outras escangalhadas, que já não serviam pra nada.

Pra completar, os puliças corruptos também se prestavam a pintar de surpresa em pontos de jogo que não eram comandados pela quadrilha. Tudo pra quebrar a concorrência e ajudar o bando dos amigos.

A quadrilha faturava alto com a jogatina. Pra se ter uma ideia, entre os bens guentados com Aleander tavam três carrões avaliados em mais de R$ 500 mil, um deles um Porshe Boxter que custa a bagatela de R$ 255 mil. A puliça calculou que o cara ganhava, todo mês, nada menos que R$ 1,5 milhão.

No momento rolam dois processos contra a quadrilha, um na dona justa comum e outro na justa militar. O promotor responsável pelo caso na justiça comum, João Carlos Linhares Silveira, disse que a fase agora é de ouvir as testemunhas. ?O processo tá em fase de instrução e não tem prazo pra ser julgado?, avisou. Ao todo, 25 pessoas foram denunciadas pelo MP por crimes de formação de quadrilha, exploração de jogos de azar, corrupção e peculato, que é usar o cargo que ocupa em troca de alguma vantagem.

 

FORAM DENUNCIADOS PELO MP

Rafael Mendes de Melo ? comerciante (Tijucas)

Edicarlos Martins ? autônomo (Tijucas)

Aleander Muller ? comerciante (Brusque)

Alan Muller ? gerente administrativo (Brusque)

Vilmar Antônio Pozzan ? auditor (Brusque)

Fabiano Ruaro ? tecnólogo (Brusque)

Helio de Andrade Rodrigues ? comerciante (Brusque)

Nauro Galassini ? empresário (Brusque)

Maicon Cunha ? comerciante (Brusque)

Regilane Regina Lana ? dona de casa (Brusque)

Wilson Carvalho ? deelgado de polícia (Tijucas)

Zenetilde dos Santos ? investigador da polícia civil (Tijucas)

Neroci Antunes Rodrigues ? sargento da PM (Balneário Camboriú)

Marcelo Moacir Pedro ? policial militar (Tijucas)

Giovani Marchi ? policial militar (Tijucas)

Edson Martins ? policial militar (Canelinha)

Ademir Braz de Souza ? delegado de polícia (Brusque)

Alexsandro Silva Fernandes ? soldado da PM (Brusque)

Everaldo Venske ? policial militar (Brusque)

Roberto José Lídio ? comissário de polícia (Brusque)

Felipe Rudi Diegoli ? ex-estagiário da delegacia de Brusque

Lauri Manoel Pereira ? policial militar (São José)

Sandro Vergílio Francisco ? policial militar (Brusque)

Ivanei Kistenmacher ? policial militar (Brusque)

Fernando Pereira ? investigador da polícia civil (São João Batista)

GRAVAÇÕES

(Transcrição dos grampos autorizados pela Justiça)

Ademir agradece a Aleander a ajuda que recebeu durante a campanha e diz que só se elegeu graças ao chefão da jogatina.

ALEANDER ? Doutor Ademir?

ADEMIR ? É ele.

MULLER ? É o Aleander Muller.

ADEMIR ? Obrigado, meu companheiro, obrigado, meu irmão. Devo isso tudo a ti aí, cara. Obrigado.

ALEANDER ? Valeu.

ADEMIR ? Com um jeitinho brasileiro, tô aqui.

ALEANDER ? Dá-lhe, dá-lhe, bebe, toma todas.

ADEMIR ? Obrigado, obrigado, obrigado mesmo.

ALEANDER ? Um abração.

ADEMIR ? Obrigado.

29 de outubro de 2008 ? O vereador Roberto reclama com o barnabé Nauro Galassini sobre as ações do policial militar Everaldo Venske, que foi preso e denunciado como parte da quadrilha. Ele é chamado de primo e estaria fazendo atraques à jogatina pra tentar tirar algum por fora.

ROBERTO ? Outra coisa, tem um idiota de um PM, Venske, Venske. Tá incomodando, né?

PARDAL ? Qual é?

ROBERTO ? O Venske, o Venske, aquele que veio aqui em casa um dia pegar aquela cerveja que não deu rolo, que nós fomos pra festa dos PM e ele não tinha avisado nada.

PARDAL ? Mas não era aquele primo dele?

PRUDA ? Primo, primo… Esse… tá ameaçando ele, o primo mesmo tá ameaçando ele. Então acho que a gente tinha que dar um cagaço de cima. Podia dar uma mexidinha nos pauzinhos, chamar ele num canto e dizer: olha, meu amigo, que é que tu tens?

28 de agosto de 2008 ? Fabiano Ruaro, funcionário de Aleander Muller, pede a um amigo, identificado como Gi, votos pra Roberto Prudêncio Neto. Ele exige cópia do título de eleitor do cara como garantia.

FABIANO ? Não queres votar num aí pra dar uma ajuda pra nós?

GI ? Votar em quem?

FABIANO ? No Roberto Prudêncio.

GI ? O filho do coisa Prudêncio?

FABIANO ? Sim, o filho dele, é.

GI ? Ah, pode até ser.

FABIANO ? Mas tem que ser um negócio de certeza, que eu ia tirar um xerox do teu título de eleitor aí.

GI ? Ah não, não me comprometo assim. Pra que me comprometer assim?

FABIANO ? Porque o Jibo (como se referem à quadrilha) precisa ter um tanto pra entregar até amanhã.

GI ? Pra fazer o quê?

FABIANO ? Pra ele liberar um negócio pra nós.

  •  

Deixe uma Resposta