• Postado por Tiago

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Produtos também tão mais caros por causa da entressafra

A dona-de-casa que faz sua via crucis pelos mercados da city peixeira atrás do melhor custo X benefício deve ter reparado que nas últimas semanas rolou uma queda na qualidade de frutas, legumes e verduras e uma alta no preço dos benditos. Mesmo nos dias de promoções da feira ou nos sacolões, já não é possível encher o carrinho sem dispensar uma bolada de reales. O problema é que o início da primavera é o período de entressafra e pra piorar, a chuva que fez estragos no sul e sudeste destruiu lavouras pelo Brasil afora e o estoque do Ceasa em Sampa, de onde vem muita coisa que comemos por aqui.

?O clima atrapalha muito a produção dos verdes?, disse o dono do sacolão mais concorrido do São Viça, o Direto do Campo, Edson Dimon. Ele disse que boa parte do que ele vende vem do Ceasa de São Paulo e teve coisa que ele nem teve coragem de comprar de tão caro que ficou. ?Tem uma batata que é própria pra diabético porque não contém açúcar. De pouco mais de um real passou pra quatro, então, não comprei?, relatou.

O comerciante conta que mesmo que não tivesse rolado aquele vendaval, que fez o Ceasa paulista jogar fora uma porrada de produtos, os preços estariam salgados por causa do tempo chuvoso, que diminui o crescimento das verduras e provoca o aparecimento de manchas. ?As verduras, como as flores, o brócolis, a couve-flor, precisam de sol pra desabrochar. Quando o tempo fica muito úmido, ela não cresce e as folhas apodrecem?, explica. Edson, que é natural de Antônio Carlos, na Grande Floripa, disse que traz os verdes de lá, por isso tá conseguindo vender a um preço sem concorrência ? R$ 0,59.

Fim do preço único

Mas faz tempo que o sacolão podia vender tudo a um preço único. No Direto do Campo, o mamão (R$ 2,49), limão (R$ 2,39), pimentão (R$ 2,79) e abacaxi (R$ 2,69) tão com preços parecidos com os praticados nos supermercados. O comerciante explica que no caso das frutas tropicais, que vêm do nordeste, o que encarece é o frete. ?O abacaxi tá vindo do Tocantins e a manga e o mamão da Bahia. Como ainda tem 20% de perda, não dá pra cobrar menos?, justifica. Em contrapartida, em alguns itens a diferença entre o preço do sacolão e o do supermercado assombra, como no caso do pepino, vendido a R$ 0,89 no Direto do Campo e a R$ 3,49 no Maxxi, que fica na mesma rua.

Edson também disse que vivemos num período de entressafra de vários produtos, como a vagem, o pimentão e o tomate, que tão caros pra cacete. ?A batata eu só troco dinheiro, mas não vou repassar a alta para não perder o freguês. O pimentão e o tomate tão vindo de Goiás porque a safra por aqui só começa quando o tempo esquentar. A vagem só se encontra naqueles produtores que têm estufa, por isso tá tão caro?, explica. No sacolão são vendidas, em média, 20 toneladas de hortifruti por dia.

Dia da promoção de hortifruti dos supermercados não ganha do sacolão

Nos supermercados também tá difícil fazer promoções neste início de primavera. No Xande, na Fazenda, dos 34 itens pesquisados pelo DIARINHO na última terça-feira, 11 tavam mais caros por lá. No caso do Mini Preço Corujão, no bairro São João, 10 itens eram mais caros; e no CompreFort, quatro itens tavam com o preço mais salgado. ?Estes produtos são muito sazonais e sujeitos à alta por causa do mau tempo?, justificou o gerente do Xande, Luciano Reis.

Ele disse que também pega as verduras no cinturão verde da Grande Floripa, principalmente em Antônio Carlos ou Rancho Queimado, mas ao contrário do sacolão do São Viça, que vai buscar o produto com os colonos, o supermercado depende do atravessador. ?E quando o distribuidor não consegue de um produtor por causa da quebra na safra, é obrigado a apelar para outro, o que encarece o produto final?, esclarece.

No caso do Maxxi, no São Vicente, rolou um empate ? dos 34 produtos da feira do DIARINHO, cinco tavam mais em conta e cinco tavam mais caros. No CompreFort, nove produtos tavam mais baratos.

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