• Postado por Tiago

O trampo dos bombeiros pra controlar o incêndio que tomou conta do frigorífico da Portonave ficou ainda mais difícil porque a refrigeração do galpão é feita com amônia. O gás fica concentrado dentro de um tanque e chegou a vazar. A amônia é perigosa porque, se exposta a altas temperaturas, pode mandar tudo o que tá em volta pelos ares. Pra completar, pode causar intoxicação e até levar à morte se for inalada em grandes quantidades.

O engenheiro químico Kartz Vinícius Benedet explica que o gás, em si, não é combustível. Mas o risco de explosão existe porque a amônia é composta por uma junção entre nitrogênio e hidrogênio. Quando aquecido, o hidrogênio se solta e pode formar uma verdadeira bomba. “As proporções dependem da quantidade, mas o poder explosivo do hidrogênio é muito grande”, comentou.

A intoxicação, ao contrário, rola quando a amônia entra em contato com a água e forma uma outra substância, que irrita as mucosas da boca, dos olhos e do sistema respiratório. “Se a inalação for muito grande, pode ser letal”, diz Kartz.

A assessoria de imprensa da Portonave informou que, durante o serviço pra conter as labaredas, um cano ligado ao tanque de amônia se rompeu e uma pequena quantidade do gás acabou vazando. Por sorte, os vermelhinhos foram rápidos e controlaram o estrago a tempo. A quantidade exata de gás que tá armazenada no tanque não foi divulgada.

Pra evitar uma tragédia, uma área de um quilômetro ao redor do porto foi evacuada. O mandachuva da comunicação dos bombeiros na Santa & Bela, coronel José Cordeiro Neto, disse que a medida é padrão quando tem amônia no local onde tão as labaredas. “A orientação é isolar imediatamente pelo menos 100 metros em todas as direções”, contou. Por precaução, os vermelhinhos que tramparam pra controlar as chamas tavam tomando cuidados extras. Além da roupa de combate a incêndio, eles usavam máscaras e cilindros de ar comprimido pra evitarem respirar o gás venenoso e a fumaça.

Alardeando de graça

A possibilidade de uma explosão de grandes proporções deixou dengo-dengos e peixeiros de orelha em pé, mas o chefão dos bombeiros na região, tenente-coronel Onir Mocelin, disse que não tinha motivo pra pânico. “É muito folclore. Não causaria uma explosão dessa natureza. Tão alardeando de graça”, carcou.

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