• Postado por Tiago

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Doadores têm que ir a Florianópolis se quiserem salvar a vida de alguém. Chefona do Marieta diz que falta vontade política pra trazer um hemocentro pra cá

Quem quer doar sangue em Itajaí e região precisa de algo além do bom coração ? uma baita força de vontade. Os hospitais, nem se quisessem poderiam coletar o precioso líquido porque não têm equipamentos e não são autorizados a fazer isso. Pra quem insiste na doação, o hemocentro mais próximo é o de Florianópolis, a 100 quilômetros das terras peixeiras. A responsável pelas transfusões no Marieta diz que existe plano de trazer uma central de doações pra cá, mas falta vontade política pra tirar a ideia do papel.

Além da capital, também tem centros de coleta permanentes em Lages, Criciúma, Joinville, Joaçaba, Chapecó, Tubarão, Jaraguá do Sul e Canoinhas. Em breve, também vai estar funcionando um em Blumenau. Mas de Barra Velha a Bombinhas, onde vivem mais de 365 mil pessoas, necas de hemocentro

A única alternativa que as boas almas doadoras têm é esperar o anúncio de que o caminhãozinho do centro de hematologia e hemoterapia catarina (Hemosc) vai estar pela região e encarar uma fila pra fazer a doação. Mesmo assim, por incrível que pareça, Itajaí tem uma lei que prevê 50% de desconto em pontos turísticos e shows patrocinados pela prefa pra quem tem carteirinha vitalícia de doador.

Faz falta

A bioquímica do laboratório do hospital Santa Inês, em Balneário Camboriú, Paola Moretto, diz que faz falta um local de doação por estas bandas. ?Sempre tem gente procurando o hospital e pedindo pra doar. Somos obrigados a encaminhar as pessoas pra Florianópolis?, conta.

O chefão do Santa Inês, dotô Eroni Foresti, concorda. ?Temos um banco de sangue estocado, que usamos pra recurso interno. Mas com certeza seria bom se tivéssemos um hemocentro por aqui. Quanto maior a estrutura que tivermos pra resolver problemas, melhor?, diz.

Na Maravilha do Atlântico, nem mesmo parentes de pacientes graves, que precisem de sangue, podem candidatar-se pra doar. ?Não temos como fazer a triagem e os exames necessários antes da doação?, revela Paola.

No maior hospital da região, o Marieta Konder Bornhausen, a falta de um hemocentro é sentida quase que diariamente. ?Fazemos mais de 600 transfusões por mês?, conta a enfermeira da agência transfusional do hospital, Elaine Schmitt. Quando rola alguma emergência, como um acidentado grave, por exemplo, e falta sangue pra transfusão, o pessoal precisa contar com uma mãozinha do Hemosc, em Floripa. ?Dependemos do motorista pra ir buscar lá?, relata Elaine.

Pra ela, falta vontade política pra que possamos ter um hemocentro no vale do Itajaí. ?O plano, no papel, existe. Mas esperamos que vire realidade há tempos, e nada. É uma questão política?, palpita.

O DIARINHO tentou várias vezes falar com os mandachuvas do Hemosc, na capital manezinha, pra saber se existe algum plano de expansão, e quais são os critérios pra que um município receba um hemocentro. As ligações foram jogadas de um lado pro outro, feito peteca, e ninguém quis conversar sobre o assunto.

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