• Postado por Tiago

Sequestradores usaram celular da camareira pra fazer a negociação

Uma família a serviço do crime. Foi isso que a polícia civil da Santa & Bela descobriu ao botar a mão em parte da quadrilha que sequestrou Benta Pivatto, 44 anos, e o seu filho, Igor, de apenas três anos, esta semana na Penha. Os tiras prenderam a mãe e três filhos envolvidos na ação. O padrasto também foi guentado pra prestar depoimento. Uma das presas é Viviane Stein, 27 anos, camareira do hotel de onde as vítimas foram sequestradas. Ao guentar a família do mal, os policiais da diretoria estadual de investigação criminal (DEIC) apreenderam um vídeo onde o marido de Cristiane, que também é um dos sequestradores e tá foragido, ensina a sobrinha e o filho, ambos de três anos, a assaltar uma pessoa.

Dois dias após o início do sequestro, os investigadores da Deic e os policiais da depê de Piçarras estouraram duas casas e prenderam quatro pessoas. Além de Viviane, que trabalha no hotel há mais de um ano, foram presas Cristiane, Sulamir e Murilo Evaristo Stein, respectivamente, irmã, mãe e irmão da camareira. A prisão dos sequestradores rolou na noite de quarta-feira.

O quarteto foi pego em dois endereços: na casa de Cristiane, um apê na rua Rio Grande do Sul, Armação, e na casa de Sulamir, também na Armação. Com Cristiane, foi apreendido o vídeo (veja box) e os celulares usados pelos criminosos pra fazer contato com a família das vítimas. Ontem à tarde, o padrasto das gurias também foi guentado pra prestar depoimento. Ele e Murilo saberiam do crime e teriam cedido os celulares pros bandidos usarem.

Os tiras também identificaram outros dois envolvidos diretamente no sequestro: Rafael Borba, marido de Viviane, e Adriano da Silva, marido de Cristiane. Os dois deram o atraque na família Pivatto no hotel, na tarde de segunda-feira. Os nomes de mais três bandidos de São Paulo, que participaram do crime, também foram levantados. Seriam eles: Wagner, Gordão e Bico. Eles cuidaram das vítimas nos dois cativeiros por onde passaram. Os cinco tão foragidos e os policiais contam com o apoio da divisão antissequestro do estado do Paraná e São Paulo, pra prendê-los.

O delegado da Deic, Renato Hendges, revelou que o celular de Cristiane foi usado pelo marido e pelo cunhado dela pra negociar o valor do sequestro com Geovane Pivatto, 45. Horas após Geovane pagar os R$ 57 mil pelo resgate das vítimas, os sequestradores voltaram pra Penha, onde se encontraram no apê de Cristiane e dividiram o dindim do crime.

O delegado comenta que os bandidos só baixaram o valor do resgate porque Benta foi firme ao falar com eles. No cativeiro, ao ser questionada sobre a sua profissão e do marido, ela disse que era professora e ganha cerca de mil reais por mês. Disse que não sabia quanto o marido ganhava e garantiu que a família não tinha grandes posses. Ao perceber que a família realmente não era rica, os bandidos reduziram o valor do resgate de R$ 200 mil pra R$ 57 mil.

Passagem pela polícia

O envolvimento no sequestro dos Pivatto não é o primeiro crime de alguns integrantes da família Stein. Cristiane tava respondendo em liberdade por furto que praticou em Brusque. Sulamir é a mamãe metralha, pois já tinha passagem por tráfico e a polícia acredita que ela não largou a ?profissão?. No momento do atraque em sua casa, um viciadinho chegou na baia com uma batedeira na mão. Ao perceber que o lance tinha sujado, o doidinho simandou com o eletrodoméstico. Embora tenha suspeita que na casa rolasse tráfico de porcaria, os policiais não encontraram nenhuma pedrinha de crack no local.

O delegado Claudio Monteiro, também da Deic, acredita que este foi o primeiro sequestro feito pelo bando. ?Eles não eram profissionais?, arrisca. Porém, a polícia investiga o envolvimento do bando em outros crimes que aconteceram na city. Os tiras suspeitam que a renca é responsável pelos assaltos com reféns, que rolaram na Penha nos últimos meses, em casas de família.

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