• Postado por Tiago

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Família Fornazari chegou tranquila no aeroporto de Navega

Depois de cinco dias de sufoco no Peru e ilhada por causa de uma enchente, a família Fornazari, de Itajaí, conseguiu voltar pra casa. Eles viajaram no domingão da cidade peruana de Cuzco, até o Rio de Janeiro, num avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Somente por volta das 14h15 de ontem que os peixeiros desembarcaram de um avião comercial no aeroporto internacional Ministro Victor Konder, em Navega. Agora, eles só querem saber de dormir na própria caminha e tocar a vida adiante.

O contador Mauro Fornazari, a esposa Luiza e o filho Henrique eram só sorrisos na chegada no aeroporto dengo-dengo. ?Não tem como descrever o que é voltar pra casa?, desabafou o pai da família, que tava pra lá de emocionado. A outra filha do casal, Bruna, que também tava no Peru, não estava junto do grupo. Ela desceu em Curitiba/PR, onde estuda medicina e trampa.

Até a última sexta-feira, a família peixeira não tinha noção de como voltaria pra casa. Havia vários boatos de que a FAB iria enviar um avião pra resgatar os brasileiros que estavam no local, mas nenhuma confirmação. Na semana passada, Mauro chegou a confessar pro DIARINHO, via telefone, que a embaixada brasileira não estava dando a assistência esperada pra galera. A família até pensava em fazer uma rota alternativa, ou seja, pegar oito horas de estrada num busão até Puno, cidade ainda no Peru, e depois ir de trem à Bolívia, e ali tentar pegar um avião de volta ao Brasil.

Por sorte, a viagem maluca não precisou ser feita. O avião da FAB pintou no domingo em Cuzco. Mas a volta não foi fácil. A galera teve de viajar como soldado, sentada no chão, e ainda fez uma escala em Rio Branco, no Acre, e outra em Brasília, pra aí sim chegar no Rio de Janeiro, por volta das 6h de ontem.

Como foi

De acordo com Mauro, a viagem já começou a ter imprevistos ainda no Brasil. Eles queriam começar as férias pela Bolívia, mas problemas nos voos os levaram primeiramente pro Chile, onde conheceram o deserto do Atacama. Há cinco dias eles tinham começado o roteiro no Peru, pra conhecer a cidade histórica de Machu Pichu. ?Assim que chegamos e tivemos que passar por uma ponte em Águas Calientes, para subir até Machu Pichu, já vimos que o rio estava alto. Mas a nossa guia falou para irmos. Ninguém ia imaginar que no outro dia não conseguiríamos voltar?, fala o pai. Eles ficaram dois dias ilhados em Águas Calientes, onde se hospedaram na casa de uma garçonete. Mauro também afirma que a família não passou fome em nenhum momento, mas sentiu que em alguns comércios certos produtos começaram a faltar.

Dificuldades

De acordo com Luiza, o maior problema foi a falta de infraestrutura do governo local. A galera ficou perdida. ?O primeiro dia foi o pior e o que mais nos preocupou foi a falta de informação sobre o que estava acontecendo. Depois descobrimos, com o cônsul brasileiro, que o próprio governo do Peru não deixava ninguém entrar naquela área, por isso ficamos ilhados?, disse.

Outra coisa que deixou a família cabreira foi o privilégio de americanos e alguns orientais. ?A gente via que as pessoas que estavam ilhadas não eram americanas. Ficamos sabendo que eles subornaram algumas autoridades pra sair de lá e acho que isso aconteceu mesmo?, lamenta. Tanto que os próprios peruanos que estavam ilhados, de acordo com Luiza, não tinham vez. ?Quando viam peruanos nas filas para sair de Águas Calientes, os policiais pediam para voltar?.

Sem traumas

Mesmo depois do perrengue, Mauro diz que, se tiverem uma nova oportunidade, voltam ao Peru para conhecer Machu Pichu, já que a viagem foi interrompida. ?Claro que não vai ser em época de chuva?, brinca. Henrique, o filho, também guarda boas lembranças. ?Fizemos muitas amizades?, afirma.

Agora, a família só pensa em dormir na sua própria casa e voltar ao trabalho normal hoje.

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