• Postado por Tiago

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Máquinas botaram tudo no chão rapidinho

A tarde de ontem foi de tristeza pra família do pescador Hélio Santana, 60 anos. Depois de 37 anos vivendo na mesma casa, no bairro da Barra, em Balneário Camboriú, ele recebeu a visita de oficiais da dona justa e acabou despejado. A causa do bota-fora, que colocou na rua 17 pessoas, foi uma ação judicial proposta pelo dono das terras, que não queria mais saber de Hélio como caseiro. Tudo o que o pescador pedia em troca era uma indenização pra que pudesse recomeçar a vida em outro lugar, mas nem isso ele conseguiu. ?Não tenho pra onde ir?, lamentou.

A decisão pegou a família de surpresa. ?Eu não sabia como tava a situação. Meu advogado dizia que haveria indenização, mas na quarta-feira recebemos a ordem de despejo?, conta Hélio.

A mudança precisou ser feita às pressas. Enquanto amigos e vizinhos ajudavam a carregar os móveis, os tratores detonavam o que já tinha sido esvaziado. A nora de seu Hélio, Marta Santana, 34, entrou em desespero. ?Eu morava aqui há 17 anos. Pra mim minha casa era uma mansão, mas pra eles, pelo jeito, era um barraco, porque tão colocando tudo abaixo?, disse, com os olhos cheios de lágrimas.

No ano passado, ela tinha desembolsado 12 mil reales pra colocar telhas novas na casa, e por pouco não conseguiu retirar o telhado. ?Nem isso queriam que a gente levasse?, contou. O que a apavorava era a ideia de ficar sem ter pra onde ir, junto com os três filhos pequenos. ?É justo que eu fique na rua com minhas crianças??, questionou.

O pessoal que apareceu pra ajudar a família também compartilhava da dor. De olhos marejados, o barnabé Paulo César de Oliveira, 39, vizinho de seu Hélio desde que se conhece por gente, não se conformava. ?Passei aqui quando vinha do emprego e levei um susto. Acho que isso tá errado, eles são pessoas muito boas, sempre foram bons vizinhos?, contou.

Seguranças da Orsegups acompanharam todo o desmanche das casas de olhos bem atentos. Um deles disse que foram contratados pelo dono do terreno e não quis dar maiores explicações.

Briga antiga

Hélio diz que foi convidado a mudar-se pras terras, que ficam às margens do rio Camboriú, pela família Tedesco, que era dona da área junto com um sócio, Domingos Brusco, de Caçador. ?Fiquei pra cuidar disso aqui?, lembra. Anos depois, Domingos teria comprado a parte dos Tedesco.

A advogada do cara, Carmem Moreira, conta que há 13 anos ele abriu processo pra tirar a família do terreno. O problema é que, nesse meio tempo, quatro casas já tinham sido erguidas ali, todas de familiares de seu Hélio, que suaram a camisa pra conseguir um lugarzinho pra morar.

Carmem diz que, em 2006, o advogado do pescador conseguiu uma liminar no tribunal da dona justa pra que fosse suspensa a ordem de despejo. Mas, agora, a tal liminar foi pro saco, após um canetaço do juiz Adilor Danielli. O magistrado não só negou o pedincho de indenização da família, como, segundo a advogada do dono do terreno, carcou uma multa de R$ 6,7 mil pra cada ano em que seu Hélio ficou morando ali.

O DIARINHO tentou ouvir o advogado do pescador ontem à tarde, mas ele não foi encontrado pra comentar o caso.

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