• Postado por Tiago

ABRE-ESPECIAL---praias-balneario-sabado-(28)

Dos 10 pontos analisados, apenas um na praia Central não tá cagado

Texto Martha Kienast

Fotos Felipe VT

Todo mês a equipe da fundação do Meio Ambiente (Fatma) gasta R$ 300 mil pra verificar quais pontos das praias catarinas tão próprios pra banho. Após comprovar a cagança na orla, as vigilâncias estaduais e municipais, que recebem o famoso relatório de balneabilidade, deveriam agir pra impedir a poluição e punir os infratores. Mas não é bem isso que vem acontecendo.

A Fatma colocou a ideia de verificar a quantidade de cocô nas praias catarinas em prática no ano de 1976. Desde lá, durante a temporada de verão, a lenga-lenga acontece toda a semana. Técnicos da fundação enchem um potinho com o líquido sujismundo das praias escolhidas e levam ao laboratório em Floripa, dentro de uma caixa refrigerada.

O material é analisado e um dia depois já se tem o resultado que é comparado com os cinco relatórios anteriores. A partir daí, os técnicos delimitam uma média da condição do mar e assim produzem o relatório de balneabilidade ? que indica quais pontos de uma praia estão próprios e impróprios pra banho.

O papeli é baseado numa resolução do conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Pros entendidos no assunto, uma praia tá imunda quando são encontrados mais de mil pontos de cocô em 100 ml de água, que dá uma xícara de café. Pra temporada de verão 2009/2010, os testes semanais começam em dezembro em quase todas as praias catarinas. Durante a baixa temporada, essa análise só acontece mensalmente.

O relatório de balneabilidade custa aos cofres públicos R$ 300 mil ao mês. O analista responsável pelo laboratório de balneabilidade da Fatma, Marlon Daniel da Silva, explica que a dinheirama é aplicada no pagamento das 15 pessoas envolvidas com a análise e na compra dos materiais descartáveis pra coletar as amostras.

A bufunfa banca até a produção de placas que ficam nas praias, informativos e o abastecimento das carangas oficiais usados no serviço. ?É um investimento da fundação. São muitos quilômetros rodados e muito material utilizado?, explica.

Após o relatório pronto, ele deveria ter, pelo menos, duas funções: alertar o povo de quais pontos estão bons pra banho na orla e orientar o trabalho do Estado e das prefeituras no combate à poluição nas praias. A primeira função até vem sendo cumprida, mas a segunda tá deixando a desejar.

A assessoria de imprensa da vigilância Sanitária de Santa Catarina informou que o Estado não tem fiscalizado o motivo das caganças nas praias e tem deixado o pepino pras prefas descascarem sozinhas. No melho estilo: toma que o filho é teu.

Praia Central tá liderando

Balneário Camboriú é uma cidade turística e sempre tem um doido disposto a entrar na água, independente da estação do ano. Por isso, na Maravilha do Atlântico Sul, as otoridades entenderam que é preciso analisar a água do mar durante todo o ano, pra saber a quantidade de merda encontrada nela.

Na quinta-feira passada foi divulgado o mais recente relatório de balneabilidade. No município foram pesquisadas 14 áreas e só quatro tavam próprias pra banho. Três pontos ficam em praias agrestes ? Laranjeiras, Taquaras e Estaleirinho – e apenas um fica na praia Central. Na maior praia de Balneário, que tem cerca de sete quilômetros de extensão e fica no centro da cidade, 10 pontos foram coletados e analisados. Destes pontos, apenas em frente a rua 1400 o povão tá liberado pra tomar banho sem correr o risco de ser contaminado por alguma porqueira.

O relatório chegou ao setor de análise de projetos da vigilância sanitária de Balneário Camboriú logo após ser concluído. Leonardo P. dos Santos, coordenador do setor, diz que sempre que chega o relatório da Fatma, a fiscalização fica em cima da galera da secretaria do Meio Ambiente (Seman) pra que alguma coisa seja feita. Leonardo diz que a vigilância não pode agir se não for comprovado o vazamento de nojeirada na praia e por isso depende do Meio Ambiente.

Já o secretário de Meio Ambiente, André Ritzmann, diz que a secretaria faz um trabalho formiguinha a cada novo relatório pra tentar resolver a poluição nas praias. Os técnicos passam em cada ponto impróprio pra constatar a causa da poluição.

O mar contaminado do Balneário, ou de qualquer cidade que registrar um ponto impróprio pra banho, pode causar diversos males pra saúde da na galera que entrar água. O médico dermatologista Eduardo Figueiredo Pereira conta que uma pessoa que tem contato com a água poluída pode ter uma infecção no estômago, conjuntivite, hepatite A e infecções na pele ? que são as mais comuns. Pro dotô, uma pessoa pode se contaminar engolindo a água do mar ou quando ela tem contato com um corte no corpo.

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