• 17 ago 2009
  • Postado por Tiago

?A retomada do papel estratégico do Estado nos destinos da nação fortaleceu o crescimento em quase todas as áreas da economia, desobedecendo a máxima neoliberal de que ele seria um entrave a esse processo. O que se viu foi o contrário, não só o segmento estatal robusteceu o seu papel e eficiência como o segmento privado foi enormemente beneficiado por essa orientação programática nos rumos da economia?, Eduardo Bomfim, advogado e secretário de Cultura de Maceió

Amílcar Gazaniga e Osmari de Castilho foram alvos de protesto dos trabalhadores portuários avulsos

Trabalhadores revoltados com a ociosidade dos dois berços do porto de Itajaí em condições de receber navios

ENTREVISTA SAUL AIROSO DA SILVA

O clima foi tenso na sessão de terça-feira da Câmara de Vereadores de Itajaí. Trabalhadores portuários avulsos compareceram à casa legislativa e protestaram com faixas com os dizeres ?Fora Amílcar, Fora Castilho?, ?Vão esperar Itajaí falir para fazer algo?? e ?Berço tem, falta navio?. Durante a sessão, o presidente do Sindicato dos Estivadores de Itajaí, Saul Airoso da Silva, concedeu a seguinte entrevista à coluna:

As cargas antes operadas em Itajaí estão sendo transferidas para Navegantes? Em sua opinião, por que isto ocorre?

Saul Airoso da Silva ? Eu tenho uma posição muito pessoal. Eu acho que existe uma competição que, ao meu modo de entender, é imperfeita. A Portonave é um investidor privado, mas que opera, carrega e descarrega no porto público organizado. Todas as operações de carga e descarga se dão dentro do porto público organizado. E assim sendo, tem que contratar a mão-de-obra avulsa. E [a Portonave] não fazendo isso, naturalmente cria um diferencial.

O diferencial competitivo ao qual o senhor se refere seria principalmente o fato de a Portonave pagar salários mais baixos aos trabalhadores portuários?

Saul ? Eu não diria que esta seja a única razão. O custo de operação portuária também agrega. Gira em torno de 1,6 mil reais para movimentar um contêiner. E aí tem uma cadeia logística que ganha sobre este valor. A mão-de-obra representa de 7% a 10%. Obviamente que a mão-de-obra no porto de Navegantes é mais barata, claro que sim, mas isto não é o único diferencial. Tem toda uma cadeia.

Está programada para o dia 21 uma grande manifestação…

Saul ? Nossa manifestação está sendo encabeçada pela Intersindical dos trabalhadores do porto, Força Sindical, os estudantes também abraçaram a causa, motoristas, caminhoneiros, pescadores, funcionários de hotéis, restaurantes e bares, microempresários do ramo da confecção que estão tendo que demitir, ou seja, vários segmentos da sociedade estão envolvidos. É um problema de toda a sociedade de Itajaí.

Quais os impactos que a migração de cargas está causando na cidade?

Saul ? A economia de Itajaí está quebrando, está falindo. Obviamente que isto se deve a uma série de coisas, mas nós não podemos dizer que a migração de carga para o outro lado não ajudou a prejudicar. Isto é óbvio, é notório. Aqui tinha um derrame de dinheiro na economia, não tem mais porque a carga migrou. Isto significa um prejuízo muito grande para Itajaí. O trabalhador tem que devolver o automóvel, tem que tirar o filho da escola, tem dificuldade em pagar a luz. E também tem o caminhoneiro, o borracheiro, o mecânico. Isto tem que ser analisado com muito cuidado pelas instituições. Tenho falado que o Ministério Público Federal deveria se preocupar com esta situação. Estaríamos dispostos a fazer um estudo técnico sobre esta questão e não só o lado emocional, o lado corporativista, mas o lado da economia de uma cidade que está numa decadência vertiginosa. Não se sabe por quanto tempo a cidade vai suportar.

E a coisa deve piorar quando entrar em operação o porto de Itapoá…

Saul ? Aí a situação fica pior ainda. Por isso é que a gente está apelando para que haja um equilíbrio entre os portos de Itajaí e Navegantes. Não deve haver divisão. Nós não somos contra o empreendimento da Portonave, queremos que o empreendimento venha a somar. A competição não deve ser entre Itajaí e Navegantes, é entre Itapoá e o nosso complexo, entre o novo terminal que está surgindo em Imbituba. Esses portos terão retroáreas enormes e são portos de mar com calado natural muito maior que o nosso, ou seja, terão muito mais capacidade de carregamento do que a gente aqui. Então não adianta Itajaí e Navegantes ficarem se digladiando e não encontrarem o ponto de equilíbrio. A mão-de-obra avulsa precisa trabalhar em Navegantes, não só porque nós queremos, mas porque é nosso direito legítimo e legal, uma vez que a Portonave opera dentro do porto público organizado.

Pode-se dizer que hoje o que mais revolta o trabalhador portuário é ver dois berços do porto de Itajaí, em perfeitas condições, vazios?

Saul ? Perfeitamente, isto é uma coisa que nos aflige muito. O trabalhador me pergunta ?por que o Teconvi não coloca navio pro lado de cá??, eu não posso entender a questão comercial, deve ser uma disputa de fato de mercado, eu imagino que seja, pois ninguém vai ficar com o porto ocioso numa crise desta, inclusive com o risco de trabalhadores irem para a rua. Já foram trabalhadores do Teconvi para a rua, perderam o emprego, e outros poderão ir. É necessário que toda a cidade se envolva nisso e que haja bom senso das partes para que volte a reinar a paz em Itajaí.

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