• 18 jan 2010
  • Postado por Tiago

PAVAN I

Apesar da forma contundente com que foram colocadas as acusações contra o vice-governador Leonel Pavan (PSDB) pela PF e pelo MP, não seria surpresa dar em nada no Tribunal de Justiça, pelo menos no que tange a acusação de corrupção passiva. A razão é simples: não há prova cabal de que o tucano tenha recebido o dinheiro, embora os elementos levantados pela investigação apontem neste sentido.

PAVAN II

O que há é um conjunto de indícios, sobretudo as gravações telefônicas das conversas entre os empresários nas quais o nome do vice-governador é citado, que levaram os investigadores ao convencimento de que ocorrera o pagamento. Numa das gravações é dito que Pavan “brilhou os olhinhos” com a suposta proposta de R$ 100 mil, noutra um empresário afirma que já fizera o pagamento.

PAVAN III

Mas será isto suficiente para comprovar a prática de corrupção passiva e resultar em uma condenação? Uma coisa é estar convencido, outra é provar de forma cabal perante um tribunal. Existem imagens de Pavan com os empresários no aeroporto, mas não existem imagens de Pavan recebendo dinheiro. Este fator será explorado à exaustão pela defesa do tucano.

PAVAN IV

Circula o comentário de que caso a situação de Pavan permaneça complicada até o início do período eleitoral, uma saída para o vice-governador seria disputar a eleição para deputado federal, na qual teria enormes chances de se eleger e sair dos holofotes por um tempo. Caso isto venha a ocorrer, haveria reflexos na região de Itajaí: como ficaria a candidatura de José Roberto Provesi (PSDB)?

PAVAN V

Pelo que se desenha, a estratégia do Tribunal de Justiça de lavar as mãos e se livrar do pepino de julgar o vice-governador seria remeter a denúncia ao crivo da Assembleia Legislativa, onde a base governista tem ampla maioria e a casa é presidida pelo partido de Pavan. Alguém acredita que o parlamento estadual vai autorizar o recebimento da denúncia? Só se o fogo amigo for realmente declarado.

DEFESA I

Entrevistado pela TV RIC Record de Florianópolis, na sexta-feira, Pavan abandonou o tom moderado e se disse “indignado” e “revoltado”. “Não têm fundamento as denúncias contra a minha pessoa. Estou há mais de 40 dias sendo crucificado. Estamos sofrendo muito, eu e minha família, em função de ilações, de coisas que terceiros falaram entre si. Não existem provas, não há fotos, não há vídeos”.

DEFESA II

Sobre as gravações divulgadas pela RBS, sobretudo os trechos nos quais fica evidente a disposição de Pavan em ajudar a empresa Arrows, o tucano deu sua versão. “As minhas conversas [grampeadas] com as pessoas foram no sentido de atender as pessoas e seus pleitos. Todas as pessoas que me procuraram até hoje, que estão procurando e que vão procurar, eu vou continuar atendendo-as. É minha obrigação”.

DEFESA III

Pavan disse ainda que a Arrows só não conseguiu regularizar sua situação na secretaria da Fazenda porque não conseguiu apresentar garantias para parcelar a dívida com o Estado – o valor da dívida supera R$ 12 milhões. E novamente negou de forma veemente ter recebido qualquer valor. “A imprensa publicou o que foi dito na denúncia. Mentira deslavada. Não existiu. Eu desafio que provem”.

DEFESA IV

O tucano também se diz “torturado” pela imprensa. “Estou colocado ao julgamento popular por estas questões colocadas principalmente por um órgão de imprensa de Santa Catarina, que está me torturando, não está olhando minha vida, não está olhando minha honra”, desabafou, provavelmente referindo-se ao grupo RBS, que divulgou as imagens do aeroporto e os áudios grampeados.

NA FOTO

Em uma das imagens gravadas pelo sistema de segurança do aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, na noite de 18 de março, quando segundo a PF teria havido o encontro de Pavan com os empresários, uma senhora loira aparece ao lado do vice-governador na saída da porta de desembarque. Trata-se da prefeita de Camboriú, Luzia Lourdes Coppi Mathias (PSDB). Estariam vindo de Brasília.

NÃO CONHEÇO

“Que Roberto Carlos? Não conheço ninguém com este nome”. Assim o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) respondeu ao ser perguntado sobre o prefeito Roberto Carlos de Souza (PSDB), na noite de quarta-feira, durante evento no Beto Carrero World, em Penha. Pelo jeito, LHS não gostou nada do chilique dado em dezembro pelo prefeito de Navegantes, que o chamou de mentiroso.

TRAGÉDIA LITERÁRIA

“Uma tragédia literária com conteúdo político insosso. Na verdade o livro é um manifesto liberal com pitadas de conservadorismo”. Assim o escritor, professor e jornalista Magru Floriano define o livro “Povo tem nome, rosto e endereço”, de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM), que pretende ser candidato a governador de Santa Catarina. Eu não li e nem pretendo.

DESINFORMAÇÃO

O colunista Claudio Humberto se equivocou na sua coluna de quarta-feira passada, ao comentar que “nas trágicas enchentes de Santa Catarina, que matou e desabrigou brasileiros, Lula sobrevoou as áreas atingidas só duas semanas depois”. Na realidade, Lula sobrevoou as áreas atingidas no Vale do Itajaí no dia 26 de novembro de 2008, portanto três dias após a tragédia.

CANIL CLANDESTINO

Tratar a questão dos animais com descaso, além de errado, pode render dor de cabeça aos prefeitos. O Ministério Público de Porto Belo instaurou o inquérito civil (número 06.2009.003847-9) para “apurar a existência de canil clandestino no Município de Porto Belo com a suposta conivência do Poder Público, além da omissão da municipalidade em relação à situação dos animais de rua (cães e gatos) em geral”.

ANISTIA

Durante a semana que passou, o presidente Lula sancionou a lei que concede anistia a policiais e bombeiros militares de Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Bahia, Roraima, Tocantins, Pernambuco, Mato Grosso, Ceará e Distrito Federal que haviam sido punidos por participar de movimentos reivindicatórios por melhorias de salários e de condições de trabalho. A lei vale para casos a partir de 1997.

  •  

Deixe uma Resposta