• Postado por Tiago

Passava das 18h30 de sábado, quando o apresentador Maurício Ventura subiu ao palco para chamar a primeira atração da noite. O grupo Na Moral abria oficialmente a programação de Natal de Floripa. Só que, atrás do palco, num esforço coletivo, a peãozada tentava finalizar a montagem da polêmica árvore natalina que custou R$ 3,7 milhões.

A correria era enorme. A banda tentava animar o povo, mas a turma tava mesmo era ansiosa pra ver a geringonça pronta. A peãozada não parou. Suou, puxou pano daqui, cabos dali, subiu e desceu da árvore de 60 metros de altura diversas vezes, até que, pouco depois das 22h, não deu mais pra esperar. A prefa iniciou a programação de Natal manezinha sem que a tão falada árvore estivesse totalmente pronta. Os shows das cantoras Malu Magalhães e Martinália, e os gatinhos do grupo de pagode Inimigos da HP tentaram amenizar a furada. Tirando o atraso na entrega da árvore, a polícia Militar não registrou grandes problemas no evento.

O domingo também foi de shows. A cantora Perla e o Rappa fizeram a festa de quem foi espiar a árvore natalina e nem se deu conta que junto ao local do evento tem um trapiche interditado há três anos por falta de segurança. A prefa ainda não tem previsão de quando terá dinheiro pra arrumar a estrutura e proporcionar mais conforto à turistada, que adora dar uns bordejos de barco pela ilha mais linda do Brasil.

A reportagem procurou o responsável pela empresa Palco Sul pra saber por que não conseguiram entregar a árvore antes de iniciar os shows. Ninguém quis se pronunciar. Um funcionário da prefa, que pediu pra não ser identificado, afirmou que o caminhão que trazia os enfeites da árvore sofreu um acidente na BR-101.

O mesmo funcionário confirmou que parte dos equipamentos eletrônicos, que vão possibilitar que imagens sejam divulgadas na árvore, tava nessa carga e por isso a opção do povo enviar fotos pra aparecer na árvore deve começar a funcionar só no meio da semana.

Explicações

O secretário de Turismo Mário Cavallazzi tem sido bombardeado nos últimos dias por conta do custo das festas de final de ano em Floripa. A estimativa é de que sejam gastos mais de R$ 9 milhões. O tenor italiano André Bocelli, outros shows nacionais e a festa da virada, somados à polêmica árvore, tornam a festa de Floripa uma das mais caras do país.

Cavallazzi rebate as acusações e garante que o promotor Newton Henrique Trennpohl, que tá investigando a gastança natalina, recebeu em novembro a documentação que confirma que tudo ocorreu conforme a lei das licitações. Ele justifica que não rolou licitação pra montagem da árvore porque não há outra empresa no país que faça ou ofereça o mesmo tipo de serviço. “Projetamos a organização deste evento na metade do ano e desde então identificamos somente esta empresa, ou estas empresas que juntas cada uma faz sua parte para montar a estrutura”, reforça.

Cavallazzi reforça que a árvore foi erguida com grana da iniciativa privada. Porém, esqueceu de dizer que o dinheiro foi passado às empresas pelo fundo de Turismo e pela Lei Rouanet, que nada mais é que renúncia fiscal. “A prefeitura poderá entrar com algum recurso caso a conta não seja fechada no final. Mas será um valor irrisório perante o que a cidade atrairá de turistas nesta temporada”, conclui.

Além do MP, o vereador João Amim (PP) tá mexendo os pauzinhos e pede que o tali dinheiro do fundo e da Rouanet não pinguem na conta da Oi – patrocinadora do evento.

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