• Postado por Tiago

Coitado passou 28 horas nas mãos dos bandidos, que são estudantes filhinhos de papai

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Delegadão mostra como bandidos amordaçaram a vítima

Alcino Pasqualotto Neto, 22 anos, viveu momentos de terror nas mãos dos bandidos. Ele foi sequestrado na segunda-feira, em Itapema, passou 28 horas em poder dos trastes, e só foi libertado depois que sua família pagou um resgate de R$ 500 mil e 75 mil dólares. A surpresa veio quando a polícia colocou as mãos nos sequestradores. Eles eram amigos da vítima, e costumavam frequentar as mesmas festocas na região.

No finalzinho da tarde de segunda-feira, Alcino, que é herdeiro da construtora Pasqualotto, de Itapema, recebeu um telefonema de Pedro Thais Oviler Cardoso, 30. Os dois já se conheciam há tempão, porque namoraram duas irmãs e mantinham uma boa amizade. Pedro, que é estudante de Comércio Exterior na Univali, em Itajaí, chamou Alcino pra jogar uma partida de tênis, e ele aceitou. O combinado era que o rapaz passaria no apê de Pedro, que fica na rua 228, no bairro Meia Praia, pra buscá-lo.

Alcino chegou na hora marcada, e Pedro insistiu pra que subisse até seu apartamento. Os dois trancavam a porta pra sair, quando três homens encapuzados e armados apareceram e os renderam. Os bandidos amarraram os braços de Pedro com fita crepe, e levaram Alcino até o Golf, placa INR-0809, de Pedro. O rapaz foi encapuzado, pra que não enxergasse pra onde tava indo.

Por volta das 20h, o pai de Alcino, Lindomar Psqualotto, recebeu o primeiro telefonema dos sequestradores. Eles pediam R$ 1 milhão pra liberar seu filho são e salvo, e o mandaram ir até a baia de Pedro pra soltá-lo.

O empresário estranhou o pedincho, mas obedeceu e seguiu pro apê do rapaz. Mal ele deu as caras na porta, o amigo do filho conseguiu soltar as mãos, que tavam presas só com uma fita crepe. O rapaz também tava com fita crepe na boca, e ao seu lado tinha uma colcha manchada de vômito. O tanso disse que tinha passado mal por conta do atraque, mas não sitocou que a desculpa não colaria, porque se ele estivesse com a boca tampada enquanto vomitava, teria se afogado.

A polícia foi avisada do sequestro e começou a monitorar os telefonemas entre os sequestradores e a família de Alcino. As ligações eram feitas do celular do rapaz, e o negociador tinha uma voz conhecida. O pai disse que não tinha R$ 1 milhão pra dar pelo resgate, e os mulambentos baixaram o preço, que ficou em R$ 500 mil, mais 75 mil doletas.

Os bandidos montaram uma verdadeira gincana pra entrega da grana. Um bilhete, encontrado com um dos sequestradores, apontava o local onde o dinheiro deveria ser deixado, às margens da BR-470, em Navegantes. Quem levou a bolada foi um familiar de Alcino, que não teve seu nome divulgado pela polícia.

Foi ele quem recebeu as orientações pra buscar o rapaz. Alcino foi encontrado no porta-malas do Golf de Pedro, abandonado no meio do mato, em Barra Velha, 28 horas depois de ter sido sequestrado. A chave tinha sido deixada no pneu do carro, e o rapaz tava são e salvo.

Terror no cativeiro

Ontem, bastante abatido, Alcino, que é estudante de Direito na Univali, em Balneário, falou sobre os momentos de terror que passou no cativeiro. Apesar de não ter sido machucado pelos sequestradores, e ter como única marca física do que rolou o sinal das algemas que os trastes colocaram em seus pulsos, ele diz que sentiu medo de morrer. ?Eles me ameaçaram, disseram que eu morreria se o resgate não fosse pago?, revela. O rapaz custa a acreditar que toda a barbaridade tenha sido arquitetada por um amigo. ?O Pedro ainda é meu amigo, até que tudo seja mesmo provado?, diz.

Alcino confirma ter ouvido vozes familiares quando tava no cativeiro, que a polícia acredita que fosse em Barra Velha, mas não sabe identificar de quem eram.

Ele diz que passou o tempo todo encapuzado, mas sabia que os bandidos tavam armados. Mesmo assim, garante que não foi maltratado. ?Me deram comida e me deixavam ir ao banheiro?, comenta.

A polícia iniciou as buscas aos sequestradores somente depois que a vítima foi liberada. Inicialmente, o pai do garotão chegou a pensar em não denunciar o crime pra polícia com medo de que os homisdalei melassem as negociações. Depois que conversou com o delegado da Deic, sentiu confiança.

Polícia montou baita operação pra prender sequestradores

Assim que souberam do sequestro, os tiras de Itapema avisaram o delegado Renato Hendges, da diretoria especial de investigações criminais (Deic), que encabeçou as bizolhadas. A puliça ficou de butuca nas conversas telefônicas entre os bandidos, conseguiu identificar e prender três deles, e recuperar toda a grana paga no resgate. Os homisdalei acreditam que pelo menos cinco pessoas tenham participado diretamente do sequestro, e vão continuar investigando.

O primeiro a cair nas garras da puliça foi Pedro, amigão de Alcino. Os tiras descobriram que logo após ele telefonar pro rapaz convidando pro jogo de tênis, telefonou pra um dos sequestradores pra dar o sinal de que tava tudo correndo conforme o combinado. Ele foi guentado na manhã de ontem, em casa.

A polícia também conseguiu identificar Estevão Mariotto, dono de uma fábrica de embalagens em Cascavel, no Paraná, como outro membro da quadrilha. O traste já conhecia Pedro há algum tempo, e costumava passar umas temporadas em Itapema.

A prisão dele foi uma verdadeira operação de guerra. Os homis descobriram que ele tava indo pra Cascavel numa Pajero preta, chiquetosa, com toda a dinheirama do sequestro, e pediram uma forcinha ao pessoal da puliça rodoviária federal paranaense.

Até helicóptero foi usado na caça ao bandidão, que acabou grampeado quando botava os pés em Cascavel. Dentro do carro do mequetrefe foi encontrada a grana todinha do resgate, dois capuzes, duas pistolas, e uma pequena quantidade de maconha e haxixe. Ele ganhou pulseiras de aço e foi levado pra delegacia, guentado em flagrante.

Na depê, o advogado do cara tentou passar o migué na polícia e dizer que o cliente é empresário e toda a dinheirama tava com ele por conta dos negócios, mas a desculpa não colou. Em depoimento, Estevão entregou o nome de mais um comparsa. Ele disse que a ideia do sequestro foi de Rodrigo Costa Negreira, o Gaúcho, 21. O cara, que também é chegado de Pedro, foi guentado num posto de gasolina pertinho da Univali, em Itajaí. Tanto ele quanto Pedro negam a participação no sequestro e juram que vão provar que tão falando a verdade.

Família viveu momentos de desespero ao saber que filho tinha sido raptado

O pai do garoto, Lindomar, também tá de cara com a revelação de que o sequestro tenha sido feito por Pedro. ?A gente ainda não caiu na realidade?, diz. Ele conta que passou pelos piores momentos de sua vida ao saber que o filho tava em poder de sequestradores. ?Quando ele foi solto eu renasci?, afirma.

Pedro e Rodrigo tão enjaulados na depê de Itapema. A prisão de Pedro foi em flagrante, por isso ele poderá ser encaminhado pra algum presídio rapidinho. A situação de Rodrigo ainda tá sendo analisada, mas por enquanto a prisão dele é preventiva.

Estevão tá sendo trazido do Paraná e deve pintar hoje em Itapema, pra prestar esclarecimentos. Ele também será encaminhado ao xilindró. Nenhum dos três trastes grampeados tem passagem pela polícia.

Este é o segundo sequestro registrado na região em um mês. No início de junho, Benta e Igor Pivatto, mãe e filho, foram sequestrados na Penha e passaram maus bocados nas mãos de bandidos. O caso também foi solucionado pela equipe do dotô Renato, da Deic. Questionado sobre o que tem provocado o surgimento desse tipo de crime na região, a resposta é simples. ?Ganância?, diz o delegado.

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