• Postado por Tiago

Da esquerda pra direita: Diego , Willian e o assassino Maykon

A Central de Operações Policiais (COP) de Itajaí desvendou na manhã de ontem o caso que chocou a sociedade de Itajaí em dezembro do ano passado. Os tiras prenderam Maykon Costa Crispim, 18 anos, que confessou ter assassinado com oitos facadas o padre Alvino Broering, às margens da BR-101, na madrugada do dia 14. Junto com ele caíram Diego Rafael Custódio Torman e William Barth Ginardi, ambos de 19 anos, e suspeitos de serem cúmplices do matadô. Maykon conheceu o padre através do saite de relacionamentos Orkut e no primeiro encontro decidiu assaltar o religioso. Ele conversou com o DIARINHO e contou tintim por tintim os momentos que viveu com o padre Alvino.

O assassino é morador da rua Natividade Costa, no centro de Navegantes, e disse ter conhecido o capelão da Univali no Orkut, onde teria trocado recados com a vítima só duas semanas antes do crime. Esta informação é desmentida pelo próprio Orkut de Maykon, já que no dia 24 de agosto do ano passado, o assassino tinha deixado um recado para o padre. Ou seja, os dois se conheciam há mais de três meses.

Segundo Maykon, os dois também trocaram recados pelo programinha da net, o MSN, até rolar o primeiro encontro, na noite do crime. ?Ele me adicionou no Orkut e nós começamos a conversar, nós éramos só amigos e eu nunca fui na casa dele,? afirma. Maykon revelou que, desde o início, o padre teve interesse nele. O matador admite que sabia que o padre era homossexual. ?Ele falava: ?te achei um gatinho, não sei o quê. Quero sair contigo, te conhecer…?, afirmou o rapaz.

Enquanto o padre estava interessado no Maykon, o matador só tinha um objetivo: roubar o Astra, placa MDA 8914 (Itajaí), do sacerdote. ?Eu saí com ele porque queria assaltá-lo?, garante Maykon, que diz que nunca saiu com outro homem. A versão do assassino é de que o padre foi buscá-lo em sua casa por volta da meia-noite do dia 14 de dezembro. Os dois foram para Balneário Camboriú, onde teriam batido um rango e tomado cervejas numa lanchonete da avenida Altântica. Ficaram no local por cerca de uma hora, e depois seguiram pra casa de Maykon.

Na BR-101, o assassino, de caso pensado, pediu para o padre parar o carro. ?Eu pedi para fazer xixi e ele parou numa boa?, contou o assassino. Maykon então puxou a faca e anunciou o roubo. O padre, nervoso, teria reagido efalado que iria chamar a polícia. O guri diz que então meteu uma facada na barriga. O padre saiu correndo gritando por socorro. Neste momento, o assassino então saiu atrás e deu as outras facadas fatais nas costas.

Maykon diz que não queria matá-lo, mas ficou com medo de ser preso e por isso deu as facadas. A crueldade rolou perto do posto de gasosa Maiochi e da empresa Itadisa. O capelão chegou com vida no pronto-socorro, mas morreu horas depois no centro cirúrgico do hospital Marieta Konder Bornhausen. O assassino ficou sabendo da morte pelos jornais.

Após o crime, Maykon foi para Navegantes com a caranga e, tanso que só, continuava usando-a numa boa ? sem sequer ter trocado a placa do veículo. O assassino diz que não abandonou o carro em momento algum, apenas o deixava estacionado nas ruas e depois o pegava para dar umas bandas.

O carro só foi recuperado porque o vadio o deixou estacionado na rua Estevão Pivatto, no centro dengo-dengo, por três dias seguidos. Neste meio tempo, um bizolhudo reconheceu a placa e chamou a PM, que recolheu o possante. ?Eu não abandonei o carro, eu deixei ele estacionado na rua. Eu ia ficar com o carro por algum tempo?, contou.

O rapaz afirmou ainda que jogou a faca usada para matar o padre no rio Itajaí-açu, ainda na noite do crime. As chaves do carro, da Rádio Conceição e da casa do padre, o assassino guardava num parque de Navegantes.

Tá arrependido

Maykon, que não tem passagem pela polícia e afirma que não usa drogas, diz estar arrependido da morte do padre, mas tenta se justificar. ?Isso é errado também, ainda mais de um padre. Ele representa uma igreja, representa a cidade. Tem que ser um padre honesto. Um padre não pode nem ficar com mulher, ainda mais com homem?, opina o bandido. Maykon ainda diz que só assaltou o padre porque tava numa situação financeira ruim. Ele foi expulso da casa da sogra e sua namorada está grávida.

O rapaz ainda revelou ao DIARINHO a última lembrança que guarda do padre. ?A última lembrança que tenho (pensativo)… é dele sentado na mesa, me convidando pra sair com ele, fazer uma viagem com ele. Ele queria ir para uma balada gay em Curitiba, Floripa parece que tem também. Ele falava que ia, que ia nessas baladas gays direto. London, essas coisas assim..?, conta Maykon. O assassino diz que não imaginava que o padre fosse tão famoso e não imaginava que o crime tivesse tanta repercussão. ?Eu sabia que ele trabalhava na Univali, essas coisas?, garante.

Veja entrevista exclusiva que o bandido deu ao DIARINHO no vídeo abaixo.

Imagem de Amostra do You Tube

Orkut bombou relação

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No saite de relacionamento Orkut, Maykon se intitula ?Maykon Killer?. Embora o rapaz tenha afirmado que conheceu o padre apenas duas semanas antes do crime, existe uma mensagem dele para o padre Alvino no dia 24 de agosto. ?Maykon: Oi tudo bem com vc!!?, perguntava o morador de Navegantes para o religioso. Esta é a única mensagem entre os dois no saite, as outras provavelmente foram apagadas. Maykon também informou ao DIARINHO que, a pedido do padre, usava o MSN para se comunicar com ele. O motivo: ter mais privacidade.

Também está registrado no Orkut o comentário de Maykon sobre a morte do padre. No dia 19 de dezembro, quatro dias após o crime, uma garota responde uma mensagem de Maykon que, provavelmente, conta sobre a morte. A guria responde: ?Fikei sabendo sim** iai xorasse mt??kkkkkkk bjxxxxxxxxx?.

No Orkut de Maykon ainda existem várias fotos da família dele, dos sobrinhos, tias, avós e da mãe. Têm também fotos de pistola ponto 40, onde o rapaz escreve dizendo que está com muitas saudades dela. O rapaz luta jiu jitsu, é apaixonado por boxe e participa de várias comunidades relacionadas à luta.

Preso na casa da mãe

Maykon foi descoberto pela investigação da COP através da quebra de sigilo telefônico e bancário ? já que o cartão de crédito do padre foi roubado no dia do crime e usado pra fazer compras no comércio dengo-dengo. No aparelho celular, os policiais acharam ligações feitas para Maykon e Rafael Cristiano Rehn, 21, morador de Pomerode, perto da hora do crime. A polícia pediu a prisão de Rafael e também a autorização para revistar a casa de Maykon. Os dois pedidos foram atendidos pela dona justa e ontem de manhã foi dado o atraque.

Maykon tava dormindo na casa da mãe quando ganhou as algemas. Ele confessou o assassinato, mas disse pros tiras que fez tudo sozinho, isso pra tentar livrar a cara de Diego e Willian, que seriam cúmplices do crime e foram presos na rua Pedro Dionísio de Souza, no centro de Navega, perto do local onde o carro foi encontrado. Na casa dos comparsas, os tiras encontraram o molho de chaves de Alvino, com chaves da casa dele e da Rádio Conceição FM, e a câmera fotográfica do religioso. Além disso, o traste também tinha uma mochila com tênis, bermuda e boné comprados com o cartão de crédito do padre, e até uma caixa de som com dois alto-falantes retirada do Astra. Do carro, além do alto-faltante, os bandidos retiraram o aparelho de som, que ainda não foi encontrado pelos tiras.

Diego se defende das acusações dizendo que foi viajar e não tava na cidade neste meio tempo, e que só ficou sabendo do crime quando chegou domingo em Navegantes. Já William diz que deu umas bandas no carro do padre, sabia que o parceiro tinha cometido o assassinato e até ganhou uma bermuda comprada com o cartão da vítima. ?Depois que ele me deu a bermuda e me contou a história do padre, mostrando uma matéria do DIARINHO que falava do crime, me afastei dele?, explica o cara.

Para o tira responsável pela investigação, Luciano Miranda, os dois guris ainda vão ser investigados e depois de prestarem depoimento o delegado irá decidir se indicia ou não a dupla. ?Nós trabalhamos com a hipótese de que eles sabiam e podem ter participado de alguma forma, já que andaram com Maykon no Astra e um deles emprestou a casa pro suspeito se esconder?, explica Miranda. Maykon será indiciado por latrocínio ? roubo seguido de morte ? e o delegado José Celso Corrêa já pediu a prisão temporária, aquela por 30 dias, do trio de vagabundos.

Padre saiu com dois rapazes no dia do crime

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Rafael foi preso pela COP porque fez ligações para o telefone do padre e passou a tarde de domingo, antes do assassinato, com o religioso. Rafael conhecia o padre há cerca de um ano e no domingo de manhã recebeu a ligação do sacerdote perguntando se podia passar a tarde com ele em Pomerode, onde o rapaz mora. ?Ele me ligou no domingo perguntando se podia ir conhecer Pomerode. Daí veio e passou a tarde aqui?, contou Rafael. Os dois passaram a tarde na cascata Mundo Antigo e depois o rapaz mostrou a cidade pra ele. O encontro durou até às 22h, quando o padre foi embora e deixou Rafael em casa.

Rafael diz que não ficou preocupado com o fato da morte do padre sobrar pra ele, pois teria testemunhas que o viram em Pomerode na hora do crime. Rafael diz que foram os colegas dele de Navegantes que o apresentaram para o padre. ?A gente conversava por telefone. Ele me ligava perguntando como eu estava, como tava o serviço?, contou o rapaz. O morador de Pomerode diz que ficou sabendo que o padre Alvino era homossexual por amigos, após a morte dele. Garante que, embora tenha saído com o padre, ele nunca deu em cima dele. Rafael prestará depoimento e será liberado, pois não teve participação no crime.

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